Fifa absolve árbitro investigado por suposto gesto racista na Copa do Mundo
A Fifa encerrou a investigação envolvendo o árbitro de vídeo Shaun Evans e concluiu que não houve irregularidade no gesto que gerou acusações de supremacismo branco durante Alemanha x Curaçao.
A arbitragem da Copa do Mundo de 2026 esteve no centro de uma polêmica que mobilizou a Fifa nas últimas horas. Nesta segunda-feira (15), o Comitê Disciplinar Independente da entidade anunciou o encerramento da investigação envolvendo o árbitro de vídeo australiano Shaun Evans, acusado nas redes sociais de realizar um gesto associado à supremacia branca durante a partida entre Alemanha e Curaçao.
O cidadão no VAR de Alemanha e Curaçao fez um gesto com as mãos que é associado a um símbolo de supremacia branca.
Que bizarrice. pic.twitter.com/dEePXDPeyd
— TB (@TottenhamBrasil) June 14, 2026
Após analisar as imagens e ouvir o profissional, a Fifa concluiu que não houve qualquer violação ao Código Disciplinar e decidiu arquivar o caso sem aplicar sanções.
A suspeita surgiu durante a apresentação da equipe de arbitragem de vídeo antes da partida válida pelo Grupo E da Copa do Mundo. Um gesto feito por Evans foi interpretado por alguns usuários como uma referência ao símbolo conhecido como "White Power" ("Poder Branco"), expressão ligada a grupos supremacistas brancos.
Em comunicado oficial, a Fifa informou que não encontrou elementos que sustentassem as acusações.
"O Comitê Disciplinar Independente da Fifa pode confirmar que, após analisar o caso envolvendo o árbitro assistente de vídeo de apoio Shaun Evans, não encontrou nenhuma evidência de violações do Código Disciplinar da Fifa."
Após a decisão, Shaun Evans também se manifestou publicamente e negou qualquer intenção de transmitir mensagens políticas ou ideológicas.
"Gostaria de esclarecer que não fiz intencionalmente um gesto ou símbolo com a mão para comunicar uma mensagem, afiliação, grupo ou crença de qualquer tipo. A única explicação que posso oferecer é que o movimento foi um espasmo involuntário e subconsciente, e eu não tinha consciência de tê-lo feito na ocasião. Imagens capturadas mais tarde durante a partida mostraram que repeti esse movimento muitas vezes enquanto segurava uma caneta entre os dedos", afirmou o árbitro.
Segundo a defesa apresentada pelo australiano, o gesto seria resultado de um movimento involuntário repetido diversas vezes ao longo da partida enquanto ele manuseava uma caneta na cabine do VAR. A análise das imagens complementares foi considerada pela entidade durante a investigação.
A acusação ganhou repercussão devido ao significado atribuído ao símbolo. O gesto combina três dedos levantados formando a letra "W" e um círculo entre o polegar e o indicador que representaria a letra "P", criando a sigla "WP", associada à expressão "White Power". Embora tenha surgido inicialmente como uma brincadeira em fóruns da internet em 2017, o sinal passou a ser utilizado por grupos extremistas e acabou sendo reconhecido internacionalmente como um símbolo ofensivo.
Com o arquivamento do caso, Evans permanece apto para seguir atuando na competição. O australiano integra o quadro da Federação de Futebol da Austrália, trabalha na arbitragem profissional desde 2004 e participa de sua segunda Copa do Mundo, após também ter atuado nas cabines de vídeo do Mundial do Catar, em 2022.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.