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Futebol

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Fernando Diniz deixa o Corinthians pela porta dos fundos

Demitido após derrota para o Internacional, técnico termina passagem sem entregar evolução capaz de sustentar o discurso de trabalho

7 out 2026 - 22h37
(atualizado às 22h55)
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Resumo
A derrota para o Internacional selou a demissão de Fernando Diniz do Corinthians, encerrando uma passagem marcada por discursos teóricos e falta de consistência. Apesar de ter tempo para treinar, o técnico não transformou suas ideias em um time confiável na luta contra o rebaixamento. Com escolhas arriscadas e erros individuais frequentes, a equipe acumulou falhas e pouca evolução. A demissão não ocorreu apenas pelo revés pontual, mas pela incapacidade de tornar o clube competitivo.

Fernando Diniz deixou o Corinthians pela porta dos fundos, depois de transformar uma passagem que prometia organização em mais um problema para o clube administrar. A derrota para o Internacional apenas colocou ponto final em uma história que já vinha sendo escrita com mais discurso do que resultado.

Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte
Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte
Foto: Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte / RTI Esporte

O curioso é que Fernando Diniz conseguiu fazer do futebol uma espécie de tribunal permanente da injustiça. Se o time ganhava, havia a defesa das ideias. Se empatava, faltava pouco. Se perdia, jogava bem e o resultado não traduzia o desempenho. Até que a matemática, essa inconveniente senhora, resolveu cobrar a conta.

Contra o Internacional, a conta chegou.

O Corinthians precisava do empate. Tinha quatro pontos de vantagem sobre o adversário e poderia transferir para o rival toda a obrigação da partida. Bastava não transformar o jogo em uma roleta-russa. Fernando Diniz, entretanto, escalou uma equipe ofensiva e, com 30 segundos, assistiu ao plano ruir.

Depois vieram as três bolas na trave, as chances desperdiçadas e a possibilidade de construir uma narrativa confortável: o Corinthians foi melhor e não merecia perder.

Pode até ser.

Mas futebol profissional não é concurso de boas intenções.

O problema de Fernando Diniz foi maior do que uma escalação…

O mais grave na passagem de Fernando Diniz não foi uma escolha errada contra o Internacional. Foi a incapacidade de transformar suas convicções em um time confiável.

O treinador teve tempo para imprimir conceitos durante a Data Fifa, mas o Corinthians continuou parecendo uma equipe em permanente estágio de experiência. Havia posse, movimentação, aproximação e, em alguns momentos, bom futebol. Faltava o principal: consistência.

E quando a pressão aumentava, aparecia a conta.

Memphis Depay desperdiçou uma oportunidade que não se explica. Rodrigo Garro participou dos erros que originaram os gols e ainda conseguiu tomar o terceiro amarelo em uma falta evitável, ficando fora do dérbi. São falhas individuais, evidentemente. Mas quando erros desse tamanho se repetem em uma equipe que luta contra o rebaixamento, a responsabilidade do treinador deixa de ser detalhe.

Cabe ao técnico construir mecanismos que protejam seus jogadores e, principalmente, dar ao time alguma margem para sobreviver aos próprios erros.

Fernando Diniz não conseguiu.

Seu trabalho termina com a velha promessa de que havia uma ideia por trás de tudo. O problema é que ideia sem resultado vira tese; tese sem evolução vira desculpa.

O Corinthians não demitiu Fernando Diniz por causa de três bolas na trave. Demitiu porque elas não escondiam mais o essencial: depois de sua passagem, o time continuava sem saber exatamente como queria jogar — e, pior, sem saber como precisava jogar para não afundar.

Fernando Diniz saiu.

A conta, naturalmente, ficou para o Corinthians.

(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.

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