Ex-jogador Régis Pitbull vive situação de rua após luta contra vício
Aos 49 anos, ex-atacante de Corinthians, Vasco e Ponte Preta vive em situação de rua em São Paulo e enfrenta a dependência química após anos de luta contra o vício
Aos 49 anos, o ex-atacante Régis Pitbull, com passagens por clubes como Corinthians, Vasco e Ponte Preta, vive em situação de rua há dois meses na Zona Norte de São Paulo. Enfrentando grave dependência química desde os tempos de atleta, ele perdeu a moradia após dívidas e problemas com a Justiça. Apesar da vulnerabilidade, do apoio que recebe de comerciantes e do histórico de recaídas após reabilitação, o ex-jogador resiste a novas internações e afirma que busca trabalho para recomeçar.
Aos 49 anos, Régis Fernandes da Silva, conhecido como Régis Pitbull, vive uma realidade distante dos gramados onde construiu sua carreira no futebol. Ex-jogador de Ponte Preta, Corinthians e Vasco, o ex-atacante está há cerca de dois meses em situação de rua em Pirituba, na Zona Norte de São Paulo, enquanto enfrenta a dependência química.
Segundo reportagem do ge, a situação de Régis foi descoberta por meio de relatos de ex-companheiros de um time de várzea do bairro onde ele cresceu. Atualmente, o ex-atleta passa os dias entre ruas e becos da região e utiliza um abrigo improvisado em uma praça para dormir.
Ex-jogador perdeu a casa e vive em abrigo improvisado
A ida para as ruas ocorreu depois de Régis passar um período morando de favor com familiares e amigos. Ele também enfrenta problemas financeiros relacionados ao apartamento que possui, incluindo dívidas de condomínio e IPTU que resultaram em uma ação judicial.
O imóvel foi deixado depois de um episódio ocorrido em 2025, quando Régis foi preso por agredir o síndico do prédio. Na ocasião, ele chegou a utilizar tornozeleira eletrônica e cumpriu medida protetiva determinada pela Justiça.
A dependência química acompanha Régis desde os primeiros anos de sua trajetória no futebol. Durante a carreira, ele foi suspenso por duas ocasiões após ser flagrado em exames antidoping pelo uso de maconha.
Depois de deixar o futebol profissional, em 2012, aos 34 anos, o problema se agravou. Régis chegou a ser internado para tratamento de reabilitação em 2022, mas sofreu uma recaída menos de um mês após deixar a instituição.
Atualmente, segundo relatos obtidos pelo ge, são raros os dias em que o ex-atleta permanece sóbrio. Ele não esconde o consumo de drogas e utiliza o celular, entre outras coisas, para realizar pagamentos relacionados às substâncias que consome.
Restaurante virou ponto de apoio
Em meio à situação de vulnerabilidade, um restaurante próximo ao local onde Régis vive tornou-se um dos seus principais pontos de apoio. Funcionários do estabelecimento oferecem refeições ao ex-jogador e permitem que ele utilize o banheiro e carregue o celular.
Durante uma manhã acompanhada pela reportagem, Régis tomou café e comeu esfihas doadas pelos funcionários. Corintiano, ele também relembrou a passagem pelo clube, onde entrou em campo sete vezes em 2004.
O ex-atleta ainda mantém uma bicicleta, utilizada para circular pelo bairro, visitar conhecidos e comprar drogas. Em determinado momento, precisou procurar uma borracharia para consertar o pneu do veículo.
Régis relembra período de sucesso no futebol
Durante a conversa, o ex-jogador também recordou momentos de sua carreira em que desfrutava de uma condição financeira muito diferente da atual.
Régis iniciou sua trajetória profissional no Comercial, de Ribeirão Preto, no fim dos anos 1990. Depois, atuou pelo Marítimo, de Portugal, antes de retornar ao Brasil para defender o Ceará.
O atacante também passou por clubes como Coritiba e Ponte Preta e teve experiências internacionais no Japão, na Coreia do Sul, na Turquia e no Kuwait. No Brasil, além de Corinthians e Vasco, defendeu Bahia, Portuguesa e outras equipes.
Ao longo da carreira, Régis disputou 170 partidas e marcou 49 gols, de acordo com o levantamento apresentado pelo ge.
A reportagem conversou com pessoas próximas ao ex-jogador, que apontaram a resistência de Régis em aceitar ajuda como um dos principais obstáculos para iniciar um novo processo de recuperação.
Antes de chegar à situação atual, ele alternava períodos de recaída com momentos de maior estabilidade. Mesmo depois de abandonar o futebol profissional, continuou atuando em equipes de várzea e encontrava nessas partidas uma fonte de renda.
Régis é pai de dois filhos e ainda tem irmãos e o pai vivos. A mãe morreu anos atrás sem conseguir acompanhar uma recuperação definitiva do filho.
Vício em crack faz ex-jogador Régis Pitbull viver nas ruas: "Se achar que estou morto, é melhor"
Prestes a completar 50 anos, ele já foi preso por agredir síndico e agora se abriga debaixo de lona em uma praça de São Paulohttps://t.co/NpCRaagyyl
— Emilio Botta (@emiliobotta) September 2, 2026
Ex-atleta rejeita internação
Apesar de reconhecer que enfrenta problemas, Régis demonstra resistência quando o assunto é internação ou tratamento médico. Segundo o ge, ele não quer deixar as ruas para morar na casa de conhecidos e afirma que precisa apenas conseguir um emprego para reorganizar a própria vida.
Prestes a completar 50 anos, em 22 de setembro, Régis ainda fala sobre a possibilidade de reunir amigos para comemorar o aniversário.
A realidade, porém, é marcada pela vulnerabilidade e pela luta contra a dependência química. No fim, o ex-jogador resumiu o momento que atravessa ao dizer que preferia que as pessoas acreditassem que ele havia morrido, afirmando que não queria ser tratado como vítima.
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