Opinião: Arena Pernambuco dá sinais de abandono e preocupa como sede da Copa do Mundo Feminina
Na última terça-feira (13), a Arena de Pernambuco recebeu o amistoso internacional entre Brasil e Argentina, parte da preparação das duas seleções para a Copa do Mundo Feminina de 2027.
A partida terminou empatada por 2 a 2. Mas, apesar da igualdade no placar, quem esteve no estádio saiu com uma sensação amarga de derrota. Trânsito quilométrico, estruturas deterioradas, ausência de sinal de internet e até falta de iluminação nos arredores do complexo foram alguns dos "gols contra" sofridos pelo público.
A Arena de Pernambuco fica em São Lourenço da Mata, município localizado a cerca de 19 km do Recife. Por coincidência, é a cidade onde nasci e cresci. Conheço bem as dificuldades de acesso ao estádio, que já se desenhavam desde o anúncio de sua construção.
A estação de metrô mais próxima é a Cosme e Damião, a cerca de 2 km da arena, uma caminhada de 20 a 30 minutos ou apenas cinco minutos de ônibus ou carro. A ideia original era que, em dias de jogos, houvesse ônibus suficientes para transportar os torcedores da estação até o estádio, além de uma via iluminada e segura para quem optasse por ir a pé.
O problema é que nenhuma dessas alternativas tem sido oferecida de forma adequada. Sem opções eficientes de mobilidade, a maior parte do público depende do carro, o que transforma o acesso ao estádio em um congestionamento que pode ultrapassar duas horas. Um pesadelo que afasta cada vez mais os torcedores de uma arena que tinha potencial para ser uma das mais relevantes do país.
Mas os problemas não ficam só no caminho. Nos arredores, a iluminação é precária, quase inexistente, reforçando a sensação de abandono.
Bonito por fora, abandonado por dentro
Ao passar pelos portões, a imponência da arena impressiona. De fato, é um estádio muito bonito. Porém, um olhar mais atento revela diversos espaços marcados pelo desgaste e longe das condições ideais. Cadeiras quebradas e sem manutenção, além de banheiros com itens danificados, estão entre os problemas mais evidentes.
Para quem trabalha na imprensa, as dificuldades são ainda maiores. O sinal de internet é praticamente inexistente, o Wi-Fi disponibilizado pela própria arena não funciona adequadamente, tornando quase impossível publicar conteúdo em tempo real.
E os obstáculos não param por aí. Tomadas quebradas na tribuna de imprensa, banheiros interditados e áreas empoeiradas passam a impressão de que ninguém esperava a realização de uma partida entre duas seleções no local. Além disso, o staff parecia despreparado para o evento. Em muitos momentos, faltavam informações ou orientações claras, o que acabou impactando em alguns momentos o trabalho dos jornalistas.
A minha experiência na Arena de Pernambuco foi a pior que já tive entre todas as arenas e grandes estádios que visitei, no Brasil e no exterior. Saber, por meio de colegas locais, que muitos desses problemas se arrastam há anos tornou a frustração ainda maior.
Imagina na Copa
É difícil compreender como uma sede que receberá a Copa do Mundo Feminina em poucos meses ainda acumula tantas falhas e oferece uma experiência tão desgastante para torcedores que deveriam encontrar ali um espaço de lazer e entretenimento.
Este relato não é um caça às bruxas nem um muro de lamentações. É um pedido de socorro para que as autoridades competentes olhem para frente e valorizem um equipamento público que tem potencial para fortalecer ainda mais o esporte pernambucano e mundial.
Faltam pouco mais de oito meses para a Copa do Mundo Feminina. Ainda dá tempo de fazer mais. Não apenas pelas mulheres que disputarão o título neste estádio, mas principalmente pelo povo pernambucano, que não merece conviver com a imagem de um elefante branco abandonado às margens da BR-408.
O que diz a Arena de Pernambuco
Em nota, a administração da Arena de Pernambuco, por meio de sua assessoria de imprensa, não comentou os problemas relatados e informou que prepara uma série de iniciativas voltadas principalmente para a realização da Copa do Mundo Feminina de 2027.
Leia a nota na íntegra
A Arena de Pernambuco informa que segue avançando em um amplo processo de reestruturação, modernização e qualificação de suas instalações, com diversas ações já em fase de preparo para a execução e outras em fase de licitação.
Entre as melhorias previstas estão a substituição dos telões, troca das cadeiras, implantação de um novo gramado, limpeza completa da fachada, modernização da iluminação interna e externa com substituição de todas as lâmpadas do gramado, ampliação da infraestrutura tecnológica e de conectividade, com melhorias na rede de internet, além da renovação da identidade visual e da sinalização interna e externa do equipamento.
Também fazem parte do planejamento a requalificação da zona mista e das áreas de hospitalidade, proporcionando melhores condições para atletas, profissionais de imprensa, patrocinadores e público em geral. O projeto contempla ainda a modernização do museu da Arena, a implantação de uma Sala de Regulação Sensorial e a ampliação e requalificação das áreas de acessibilidade, reforçando o compromisso da gestão com a inclusão e a democratização dos espaços.
Entre as iniciativas voltadas ao acolhimento das famílias e à melhoria da experiência dos visitantes estão a construção de banheiros família e a implantação de salas de amamentação, garantindo mais conforto, praticidade e acessibilidade para o público.
Além disso, as mulheres passarão a contar com a Sala Lilás, espaço destinado ao atendimento humanizado de mulheres e meninas vítimas de violência de gênero. O equipamento será inaugurado em breve e integra a política estadual de proteção, acolhimento e enfrentamento à violência contra a mulher.
A Arena reforça que todas essas medidas integram um planejamento voltado para a recuperação, valorização e modernização de um dos principais equipamentos esportivos e de entretenimento de Pernambuco.
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