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Copa das Confederações

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Italiano conta segredo do Sarriá e exalta Paulinho: "perfeito para Inter"

25 jun 2013 - 12h49
(atualizado às 12h49)
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Bergomi está no Brasil para comentar a Copa das Confederações
Bergomi está no Brasil para comentar a Copa das Confederações
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

Giuseppe Bergomi não usa mais o bigode que no início da carreira o fez ser conhecido pelo apelido de “Tio”. Na Copa do Mundo de 1982, o zagueiro e lateral direito aparentava mais que os 18 anos que tinha quando entrou em uma “fogueira”, substituindo Fulvio Collovati aos 34min do primeiro tempo da partida contra o Brasil. Após a vitória por 3 a 2, Bergomi não saiu mais do time titular e comemorou o título mundial com um triunfo por 3 a 1 sobre a Alemanha Ocidental.

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Na época da Copa da Espanha, os “tios de verdade” eram outros, como o experiente atacante Paolo Rossi, eterno carrasco do Sarriá com três gols sobre o Brasil. Havia também o volante Gabriele Oriali e o zagueiro Claudio Gentile, que fizeram marcações individuais sobre Éder e Zico as quais, segundo Bergomi, foram decisivas para parar o time comandado por Telê Santana.

Como lembra Bergomi, aquela vitória “especial” foi a última da Itália sobre o Brasil. Ele está no País para comentar a Copa das Confederações pela rede Sky Italia e, em entrevista exclusiva ao Terra, detalha por que a tática implementada pelo técnico Enzo Bearzot em 1982 não funcionaria mais atualmente.

O ex-zagueiro cita ainda uma queda na escola italiana para explicar a falta de defensores atualmente do nível de Franco Baresi, Paolo Maldini, Fabio Cannavaro e do próprio Bergomi. Pela seleção azzurra, o jogador participou inclusive da Copa do Mundo de 1998, aos 35 anos, e ostenta o recorde de Mundiais disputados: são quatro, marca que deve ser superada pelo goleiro Gianluigi Buffon no Mundial de 2014.

O comentarista, 49 anos, ficou marcado pela carreira toda cumprida na Inter de Milão. Com 754 partidas vestindo a camisa azul e preta, ele era o recordista do clube até novembro de 2011, quando foi ultrapassado pelo lateral direito argentino Javier Zanetti, ainda em atividade aos 39 anos.

Hoje a Inter vive um mau momento e Paulinho seria “perfeito” para ajudar, segundo Bergomi. O ex-zagueiro, no entanto, vê difícil a contratação do volante do Corinthians, que parece estar mais próximo do Tottenham.

Giuseppe Bergomi se sagrou campeão mundial em 1982
Giuseppe Bergomi se sagrou campeão mundial em 1982
Foto: AFP
Veja a entrevista com Giuseppe Bergomi:

Terra: Sempre quando se fala de Brasil x Itália você se lembra de 1982? Aquela foi uma partida especial?

Giuseppe Bergomi: Para mim sim, seguramente é uma recordação especial. Eu entrei naquela partida aos 30min do primeiro tempo, e para nós italianos é uma das partidas históricas, junto à vitória por 4 a 3 sobre a Alemanha no Mundial de 1970. Quando tem Itália x Brasil... e é a última vez que batemos o Brasil, não o batemos mais desde então.

Terra: Em 1982 você se tornou o jogador italiano mais jovem a vencer uma Copa do Mundo. Como se faz para controlar os nervos com tão pouca idade?

Giuseppe Bergomi: Veja, penso que quando você é tão jovem tem um pouco de “inconsciência”. E tive uma grande ajuda da equipe, porque eram grandes jogadores e também grandes homens. Deram-me segurança, tranquilidade. Eu marquei Serginho (Chulapa) e fiz o meu papel. Mas são situações como aquela: o Brasil era uma equipe extraordinária e nós não tínhamos nada a perder. Fizemos uma grande partida.

Terra: Antes daquele jogo a maioria das pessoas dava o Brasil como favorito. Vocês acreditavam realmente na vitória?

Giuseppe Bergomi: Sim. Aquela era uma equipe habituada a vencer. Havia o bloco da Juventus, havia os jogadores da Inter, eram jogadores mentalmente habituados a vencer. Acreditávamos que poderíamos cumprir o desafio. Preparamos o jogo fazendo marcações individuais importantes, porque a movimentação mais importante para mim talvez seja aquela de Vialli com Éder, que o marcou muito bem; e a de Gentile sobre Zico. Talvez no futebol de hoje não fosse mais plausível, mas, para mim, naquele momento foi determinante. Aí com Paolo Rossi que finalmente encontrou as condições ideais e fez três gols, vencemos a partida.

Terra: Hoje não seria mais possível aplicar uma marcação individual como aquela?

Giuseppe Bergomi: Não é mais possível porque hoje, quando você puxa duas vezes a camisa toma um (cartão) amarelo e depois é expulso. A marcação que fez Gentile, como fizemos todos nós, italianos, naquela época, era possível fazer naquele tipo de jogo. Hoje ninguém mais joga com marcação homem a homem; marcam por zona.

Giuseppe Bergomi em 1998, defendendo a Inter de Milão
Giuseppe Bergomi em 1998, defendendo a Inter de Milão
Foto: Getty Images
Terra: Já o seu último Mundial foi o de 1998. Quais as diferenças de se jogar uma Copa aos 35 anos?

Giuseppe Bergomi: Com 35 anos você tem a experiência seguramente devido à toda a carreira. Mas quando você joga com a seleção tem sempre uma emoção particular. Quando você veste a camisa da sua nação tem alguma coisa a mais. Digo sempre que qualquer jogador que consegue fazer um tipo de carreira e experimentar pelo menos uma vez vestir a camisa da própria nação, da seleção azzurra... é o máximo objetivo que você pode alcançar.

Terra: A seleção italiana atual, com o técnico Cesare Prandelli, não tem mais aquela força defensiva de antigamente e procura manter a posse de bola e atacar em vez de esperar por um contragolpe. Por que a Itália não tem mais grandes zagueiros do nível de Baresi, Maldini e do seu?

Giuseppe Bergomi: Não se pode dizer assim, porque ser defensor hoje é mais complicado que no passado. Mas seguramente perdemos um pouco a escola de defensores que tivemos uma vez. Isso tem a explicação no setor juvenil, onde não se ensina mais a marcar à escola italiana. Mas efetivamente os jogadores que estão aqui (na Copa das Confederações) são importantes e estão indo muito bem - (Andrea) Barzagli, (Giorgio) Chiellini, (Leonardo) Bonucci e (Mattia) De Sciglio, que está em ascensão. E quando se fala de defesa se deve falar de uma defesa de equipe. A seleção italiana hoje procurar propor o jogo, não é como no passado quando dependia de levar um tapa para depois reagir. Agora quer fazer a partida.

Terra: Você também tem treinado equipes juvenis, não é?

Giuseppe Bergomi: Neste ano treinei a Atalanta, mas no próximo não o faço mais – meu trabalho principal é a televisão. Neste ano fomos muito bem e vencemos o título italiano, batemos a Inter na final, foi uma grande temporada. Vejamos se na próxima faço alguma coisa ou fico mais parado.

<p>Paulinho pode trocar o Corinthians pela Inter de Milão</p>
Paulinho pode trocar o Corinthians pela Inter de Milão
Foto: Getty Images
Terra: Como comentarista há um episódio marcante quando você e o narrador Fabio Caressa gritam “somos campeões do mundo” após a vitória da Itália nos pênaltis sobre a França, na final da Copa do Mundo de 2006. É possível comparar essa emoção àquela sentida na conquista do título mundial de 1982?

Giuseppe Bergomi: Não, quando se vence no campo é uma coisa incrível. Mas aquela vez  (em 2006)também uma grande emoção. Porque fizemos uma bela campanha, "levamos" a Itália a vencer o Mundial e contamos aquele evento de uma maneira diversa de como se fazia no passado. Então foi também uma bela emoção.

Terra: Você sempre defendeu a Inter de Milão e recentemente teve o recorde de partidas no clube superado por Javier Zanetti. Como é fazer a carreira toda no mesmo time?

Giuseppe Bergomi: Zanetti é um monstro, joga até os 40 anos. Sob esse ponto de vista merece tudo. Sabe, para mim que nasci no time juvenil da Inter e joguei sempre nessa equipe, é um motivo de orgulho, com tantas partidas em um clube tão importante. Depois as coisas quando acabam mudam, cada um toma o seu próprio caminho. Mas foi verdadeiramente muito belo.

Terra: A Inter atualmente não vive um grande momento, e o presidente Massimo Moratti gosta muito do volante Paulinho. Você acha que seria uma boa contratação? 

Giuseppe Bergomi: Precisa ter dinheiro para contratá-lo neste momento. Neste futebol de hoje é complicado encontrar dinheiro porque estamos vivendo um momento de dificuldade. Paulinho seria perfeito para a Inter, é um jogador do qual gosto muito, mas eu estava vendo na internet que o dão como certo para o Tottenham. Na Inter seria perfeito como jogador, mas me aprece uma operação difícil.

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Fonte: Terra
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