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Presidente da Fifa admite telefonema com Trump, mas nega interferência na Copa do Mundo por cartão vermelho

Infantino afirmou que comitê que tomou a decisão é independente; ele também comentou que costuma conversar com muitas autoridades

6 jul 2026 - 14h12
(atualizado às 14h55)
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Trump admite que falou de cartão vermelho com a Fifa e critica Raphael Claus: 'Um pouco suspeito':

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, admitiu na tarde desta segunda-feira, 6, que recebeu um telefonema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar do caso envolvendo a punição aplicada a Folarin Balogun, jogador da seleção norte-americana.

Em comunicado divulgado à imprensa, o dirigente da entidade máxima do futebol afirmou que o assunto foi discutido com o chefe de Estado, mas ressaltou que a conversa não interferiu na decisão da penalidade.

"Vi os comentários públicos sobre a decisão do Comitê Disciplinar independente da FIFA relacionada à suspensão de Folarin Balogun e gostaria de reiterar um princípio fundamental da governança da FIFA. Os órgãos judiciais da FIFA são independentes. Eles operam de forma autônoma, aplicam o Código Disciplinar da FIFA e decidem os casos com base nas regulamentações e nos fatos específicos apresentados", iniciou.

"A independência desses órgãos é essencial para a credibilidade e a integridade do futebol, e isso deve sempre ser respeitado. Sim, eu discuto regularmente assuntos relacionados à Copa do Mundo da FIFA com o presidente dos Estados Unidos e, nesse caso, recebi uma ligação do presidente Donald Trump, assim como recebo ligações de chefes de Estado, autoridades governamentais, representantes do futebol e executivos de empresas de todo o mundo sobre diversos temas", continuou Gianni Infantino.

Donald Trump ao lado de Gianni Infantino, presidente da Fifa
Donald Trump ao lado de Gianni Infantino, presidente da Fifa
Foto: Getty Images

O presidente da Fifa afirmou ainda que explicou a Trump que o caso seria decidido exclusivamente pelos órgãos competentes da entidade. "Expliquei que havia um processo legal em andamento envolvendo os órgãos judiciais independentes da FIFA e que o caso seria decidido no devido tempo pelas instâncias competentes. É assim que o sistema da FIFA funciona, e esse é um princípio que sempre defenderei."

Infantino concluiu destacando que respeita as decisões dos órgãos disciplinares, mesmo quando não concorda com elas. "Leio as decisões do Comitê Disciplinar da FIFA quando elas são publicadas. Às vezes, fico surpreso com elas. Às vezes, concordo e, às vezes, discordo", ponderou o chefe da Fifa.

"O que sempre faço, porém, é respeitar essas decisões e a autonomia dos órgãos que as tomam. Gostemos ou não de uma decisão, isso é irrelevante. O respeito às instituições independentes e ao Estado de Direito é o que protege a integridade das competições e a credibilidade em todos os momentos".

O que aconteceu

Folarin Balogun comemora gol dos Estados Unidos contra a Bósnia pela Copa
Folarin Balogun comemora gol dos Estados Unidos contra a Bósnia pela Copa
Foto: Getty Images

O cartão vermelho de Balogun foi aplicado na quarta-feira, 1º, na vitória por 2 a 0 dos EUA sobre a Bósnia. Segundo o The NY Times, o presidente norte-americano, Donald Trump, fez uma ligação para Gianni Infantino, presidente da Fifa, e pediu a anulação da suspensão aplicada ao atleta.

No domingo, 5, o Comitê Disciplinar da Fifa suspendeu o cartão vermelho do atacante dos EUA. Com isso, Florian Balogun foi oficialmente liberado para retornar a campo no jogo contra a Bélgica. Em postagem nas redes sociais, o presidente dos EUA comemorou a decisão. "Fez o certo ao reverter uma grande injustiça".

Nesta segunda-feira, 6, em conversa com a imprensa no Salão Oval, Trump confirmou a ligação com Gianni Infantino e também criticou a atuação do árbitro brasileiro Raphael Claus, responsável pelo cartão vermelho a Balogun. Ao falar da conduta do profissional, ele insinuou que a decisão foi 'suspeita'.

“Tudo o que fiz foi pedir uma revisão, porque não achei que fosse falta. Eu não disse à Fifa o que fazer. O comitê tomou a decisão certa. É injusto excluir um dos melhores jogadores dos EUA", disse Trump.

Em meio a tudo isso, a Uefa, entidade europeia de futebol, criticou a anulação do cartão vermelho.

Confira o comunicado emitido pela UEFA na íntegra:

Registro de estádio antes de uma partida do México pela Copa do Mundo
Registro de estádio antes de uma partida do México pela Copa do Mundo
Foto: David Ramos/Getty Images

"A decisão de ontem de suspender por um período probatório de um ano a aplicação da suspensão automática de um jogo, consequência do cartão vermelho dado ao jogador Folarin Balogun, ultrapassou todos os limites.

O futebol, como qualquer outro esporte, se baseia em regras, que são a base para uma competição justa, honesta e transparente. Às vezes, as regras são passíveis de interpretação. Neste caso, não. A suspensão automática mínima de uma partida após um cartão vermelho não é uma opção discricionária e não requer a decisão de um órgão competente para ser aplicada. É um princípio consagrado no regulamento, que não admite exceções, muito menos em meio a um torneio em que vários outros jogadores já estiveram na mesma situação e cumpriram suas suspensões regularmente.

Quando a certeza das regras deixa de ser garantida pelos seus responsáveis, a integridade do jogo fica em risco e a credibilidade da competição é prejudicada. Da mesma forma, tal decisão cria um precedente no torneio em curso, onde situações semelhantes passarão a exigir tratamento igualitário, em detrimento da competição.

O futebol é o esporte mais amado do mundo porque é um jogo bonito e inspira confiança, já que é praticado em todos os lugares com as mesmas regras. Um torneio nunca é um evento isolado e, se o torneio em questão for a Copa do Mundo, ele tem o poder de gerar consequências positivas ou negativas para o futebol como um todo.

Expressamos nossa incredulidade diante de uma decisão tão inédita, incompreensível e injustificável".

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Fonte: Portal Terra
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