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Luis de la Fuente e o poder da família: conheça o trabalho discreto que levou a Espanha à final da Copa

Projeto de longo prazo entre o treinador e federação espanhola chega ao seu auge neste domingo, 19, na final da Copa do Mundo

18 jul 2026 - 04h58
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Luis de la Fuente, treinador da Seleção da Espanha
Luis de la Fuente, treinador da Seleção da Espanha
Foto: Divulgação/RFEF

Luis de la Fuente representa uma ruptura em relação ao modelo tradicional de treinadores da Seleção Espanhola. Após a queda precoce da equipe então comandada por Luis Enrique nas oitavas da Copa do  Catar, a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) apostou em um treinador que, apesar de ser considerado um 'desconhecido' pela maioria dos torcedores e até por parte da imprensa, era o responsável por um bem-sucedido trabalho nas categorias de base que já durava quase uma década. 

Pautado pela importância da 'família' na concepção de suas equipes, De la Fuente e seus comandados terão a oportunidade de colher os frutos de um trabalho que, ao invés de promover uma reformulação completa após a derrota no Mundial de 2022, apostou na consolidação de talentos e de um estilo de jogo que acompanham o treinador desde que ele assumiu a Seleção Espanhola Sub-19, em 2013. 

Essa continuidade é, justamente, a principal marca do trabalho do treinador de 65 anos. Afinal, muitos dos atletas conduzidos por De la Fuente aos títulos de base formam, hoje, a 'coluna cervical' da Seleção da Espanha que, às 16h deste domingo, 19, enfrenta a Argentina na final da Copa do Mundo de 2026. 

Nomes como Rodri, Unai Simón, Mikel Merino, Dani Olmo, Fabián Ruíz, Oyarzabal, Pau Torres e Eric García passaram por diferentes categorias sob o comando do treinador, enquanto astros como Lamine Yamal e Nico Williams foram incorporados a um núclo já consolidado. 

O resultado dessa mistura é uma equipe que une continuidade metodológica, identidade tática e forte coesão interna e que é descrita, pelos próprios jogadores, como uma 'família' pautada por base de confiança e entendimento mútuo, algo que pode ser considerado raro em Seleções. 

Seleção da Espanha durante a partida contra a França, pela semifinal da Copa do Mundo de 2026
Seleção da Espanha durante a partida contra a França, pela semifinal da Copa do Mundo de 2026
Foto: Carl Recine/Getty Images

A seguir, entenda a construção da carreira de Luis de la Fuente, das categorias de base da Espanha à Copa do Mundo de 2026: 

  • Início da carreira como treinador e aposta da RFEF

Após encerrar a carreira como jogador, Luis de la Fuente deu os primeiros passos como treinador ainda em 1997, passando por clubes tradicionais, mas de menor expressão da Espanha, ou então pelas categorias de base de times maiores, como o Sevilla. 17 anos depois, ele foi convidado para assumir a equipe sub-19 da Espanha. 

Na ocasião, a federação espanhola buscava manter sua dominância nas categorias de base após a passagem de uma geração extremamente vencedora, com nomes como Iniesta, Fàbregas, Juan Mata. E o perfil do treinador agradava, pois demonstrava conhecimento na formação no futebol, valorizava aspectos humanos e já tinha extenso histórico com jovens. 

O resultado foi a conquista do Campeonato Europeu Sub-19 de 2015. Entre os destaques dessa campanha, estão justamente Unai Simón, Rodri e Mikel Merino, estrelas da campanha espanhola na Copa de 2026. 

Nesse período, De la Fuente também comandou a equipe Sub-18 da Espanha em alguns torneios internacionais, o que permitiu a integração metodológica entre as categorias. A melhor campanha na equipe foi a conquista dos Jogos do Mediterrâneo, em 2018. 

Rei da Espanha vira ‘torcedor comum’ ao comemorar classificação para a final da Copa:
  • Novo fracasso da Espanha e início da reformulação

Muito aquém do nível apresentado durante a Copa de 2010, quando a Espanha conquistou sua primeira Copa na África do Sul, oito anos depois a Seleção Principal era eliminada nos pênaltis, nas oitavas de final, diante da Rússia, anfitriões da edição. 

A fraca campanha na Copa em território russo deu início a uma nova reformulação na Seleção da Espanha, que então passou a mirar a integração de jogadores da nova geração para a equipe principal. Enquanto isso, De la Fuente assumia o time Sub-21. 

Apenas um ano depois, a equipe celebrava a conquista da Euro Sub-21, com destaque para as campanhas de Dani Olmo, Fabián Ruiz e Mikel Oyarzabal. Nesse ciclo, também passaram pelo comando do treinador os jogadores Ferran Torres, Pau Torres, Pedri e Eric García. 

E o time foi posto a prova nos Jogos Olímpicos de Tóquio, adiados para 2021 por conta da pandemia de covid-19. Chamado para comandar a equipe classificada às Olimpíadas, De la Fuente levou a Espanha à final dos Jogos, ficando com a prata após derrota por 2 a 1 para o Brasil. Matheus Cunha e Malcom balançaram as redes para a Seleção Brasileira, e Oyarzabal descontou. 

Curiosamente, 12 jogadores espanhóis que foram convocados aos Jogos de Tóquio também foram chamados à Copa do Mundo de 2026. No caso da vitoriosa Seleção Brasileira, apenas dois jogadores que disputaram a final no Japão foram ao Mundial deste ano: Bruno Guimarães e Matheus Cunha. 

Seleção da Espanha leva a prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, após derrota na final para o Brasil
Seleção da Espanha leva a prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, após derrota na final para o Brasil
Foto: Berengui/DeFodi Images via Getty Images
  • Promoção à Seleção Principal e nova consolidação da Espanha

Apesar das altas expectativas sobre um elenco estrelado, a Espanha voltou a decepcionar na Copa do Catar, quando foi eliminada nos pênaltis contra Marrocos ainda nas oitavas de final. À época, Luis de la Fuente foi o escolhido para substituir Luis Enrique. 

A decisão, por sua vez, gerou críticas por parte da imprensa espanhola, já que o treinador não tinha passagens por clubes de elite e chegou a ser chamado de 'Luis de la Quem?'. 

Mas os resultados não demoraram a aparecer. Já no ano seguinte, a Espanha conquistou a Nations League de 2023, primeiro título internacional de La Roja desde 2012. E, em 2024, veio o aclamado título da Eurocopa, com direito a vitória sobre a badalada França na semifinal. 

Além dos nomes já citados, o elenco agora contava, também, com as estrelas de Nico Williams e Lamine Yamal, que venceu o torneio europeu com apenas 17 anos. Em 2025, a Seleção também foi à final da Nations League, ficando com o vice após derrota nos pênaltis para Portugal. 

Sob o comando de Luis de la Fuente, Seleção da Espanha venceu a Inglaterra na final da Eurocopa de 2024,
Sob o comando de Luis de la Fuente, Seleção da Espanha venceu a Inglaterra na final da Eurocopa de 2024,
Foto: Alex Pantling - UEFA/UEFA via Getty Images

E, neste domingo, De la Fuente terá a sua frente o maior desafio da carreira após colocar a Espanha de volta a uma final de Copa do Mundo após 16 anos. E, para tal trabalho, terá ao seu lado a 'família' que começou a construir há 13 anos. 

Antes da semifinal contra a França, em que marcou o segundo gol da vitória por 2 a 0, o lateral Pedro Porro fez questão de exaltar o trabalho do treinador e o clima da equipe na Copa. 

"Ele é uma pessoa muito importante no vestiário, principalmente porque personifica a palavra que nos define, que é 'família'. É alguém que, pelo menos para mim, sempre me passou confiança desde o início. Ele faz você se sentir importante, esteja jogando ou não, e isso diz muito sobre ele como pessoa". 

Veja a 'loucura' que virou Madri após a Espanha se classificar para a final da Copa do Mundo:
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Fonte: Portal Terra
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