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Zica para Ancelotti? Final entre Espanha x Argentina mantém escrita sobre técnico estrangeiro

Nenhuma seleção conquistou a Copa do Mundo sob o comando de um treinador estrangeiro

17 jul 2026 - 04h58
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Carlo Ancelotti, treinador da Seleção Brasileira
Carlo Ancelotti, treinador da Seleção Brasileira
Foto: Dan Mullan/Getty Images / Esporte News Mundo

A final da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina reserva muito mais do que o duelo entre duas potências do futebol. O confronto também mantém vivo um tabu que atravessa toda a história do Mundial: jamais uma seleção foi campeã da Copa do Mundo comandada por um treinador estrangeiro. A partida acontece no próximo domingo, 19 de julho, às 16h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.

A decisão coloca frente a frente dois técnicos “da casa” — Luis de la Fuente, pela Espanha, e Lionel Scaloni, pela Argentina — e mantém vivo um tabu que agora passa a representar um desafio direto para Carlo Ancelotti à frente da Seleção Brasileira.

A Espanha perdeu apenas três partidas com De la Fuente como técnico
A Espanha perdeu apenas três partidas com De la Fuente como técnico
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) rompeu uma tradição de quase um século ao entregar a Seleção a Carlo Ancelotti, o primeiro estrangeiro a comandar o Brasil em uma Copa do Mundo. O italiano assumiu cercado de expectativa por sua carreira praticamente inigualável no futebol de clubes. 

Entretanto, poucos técnicos estrangeiros sequer chegaram perto do título da Copa do Mundo. Apenas dois disputaram a final: o inglês George Raynor, vice com a Suécia em 1958, e o austríaco Ernst Happel, vice com a Holanda em 1978. Nas semifinais, os destaques são o holandês Guus Hiddink (Coreia do Sul, 2002), o brasileiro Luiz Felipe Scolari (Portugal, 2006), o espanhol Roberto Martínez (Bélgica, 2018) e, mais recentemente, o alemão Thomas Tuchel, que levou a Inglaterra à semifinal da Copa de 2026.

O Brasil e a crise de identidade

A discussão, porém, vai além da superstição ou da coincidência estatística. Ela escancara um problema estrutural do futebol brasileiro. Durante décadas, o Brasil foi referência mundial não apenas pelos títulos, mas por um estilo próprio de jogar. O chamado futebol-arte transformou o país em uma potência reconhecida pela criatividade, improviso e talento individual. 

Aos poucos, entretanto, essa identidade foi sendo abandonada. Após uma sequência de fracassos em Copas, houve uma tentativa de acompanhar as tendências europeias. O futebol brasileiro passou a importar conceitos, metodologias e até a própria ideia de como o jogo deve ser praticado. O resultado é uma seleção que, há anos, busca um modelo sem conseguir estabelecer uma marca tão forte quanto aquela que fez do Brasil uma referência global.

A contratação de Ancelotti é, em certa medida, consequência dessa crise de identidade. Ela representa o reconhecimento de que o país, atualmente, não possui um treinador de primeira prateleira do futebol mundial, com currículo, prestígio e capacidade técnica suficientes para assumir a Seleção.

Nem mesmo Ancelotti convenceu

O currículo de Ancelotti é conhecido e gritado aos quatro cantos: dono de cinco títulos da Liga dos Campeões, vencedor das cinco principais ligas nacionais da Europa (Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França) e considerado um dos maiores treinadores da história.

Entretanto, o técnico não conseguiu transformar esse currículo em desempenho convincente na Seleção Brasileira. Com pouco mais de um ano no cargo, a equipe apresentou um futebol aquém das expectativas durante a Copa.

É verdade que o tempo de trabalho foi curto para promover mudanças profundas, mesmo assim foi pouco. Com uma pobreza de ideias, o Brasil mostrou dificuldades para impor seu estilo, produzir ofensivamente e apresentar um padrão coletivo consistente.

Mais do que os resultados, chamou atenção a sensação de que a Seleção se apequenou em alguns momentos do torneio. Agora, além de perdermos para seleções medianas da Europa: Bélgica (2018), Croácia (2022) e Noruega (2026), também desistimos de buscar nossa identidade, nosso jeito de jogar e de ganhar. 

Sob o comando de Luis de la Fuente, a Espanha alia continuidade e renovação. Após anos à frente das categorias de base da Federação Espanhola, o treinador assumiu a seleção principal mantendo a identidade de posse de bola, que marcou aquela Espanha campeã do mundo em 2010. O projeto foi consolidado com o título da Eurocopa de 2024 e busca a consagração na final desta Copa do Mundo.

Scaloni tenta o bicampeonato seguido da Copa com a Argentina.
Scaloni tenta o bicampeonato seguido da Copa com a Argentina.
Foto: Elsa/Getty Images / Jogada10

A exemplo da CBF, a Associação do Futebol Argentino (AFA) também convive com episódios de desorganização e decisões questionáveis fora de campo. A diferença é que a Argentina tem Messi. Sob o comando de Lionel Scaloni, a comissão técnica e o elenco entenderam que o maior talento da geração precisava ser potencializado e moldaram a equipe para jogar em função do camisa 10. 

O Brasil precisa de um conceito de jogo, e a CBF tem a responsabilidade de construir e sustentar essa identidade. O caminho passa por retomar uma ideia de futebol, desenvolvê-la nas categorias de base e preparar jogadores dentro desse modelo ou de esperar pelo surgimento de um novo Messi ou pelo retorno de Pelé.

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Fonte: Portal Terra
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