Lusail, palco da final da Copa, terá estrutura reaproveitada em lojas, cafés e escola
Projeto faz parte da estratégia do Catar para evitar que estádios do Mundial se tornem 'elefantes brancos'
O estádio Lusail, o maior da Copa do Mundo do Catar, irá sediar a final entre Argentina e França. De acordo com a Fifa, após a decisão, a arena que foi construída do zero antes do Mundial, e tem capacidade para quase 90 mil pessoas, terá a maioria dos assentos removidos e será reaproveitada para lojas, cafés e possivelmente uma escola e clínicas de saúde.
O Lusail, que já recebeu nove jogos e um público total de quase 800 mil pessoas até o momento, não deve ser o único reaproveitado após o torneio. Entre os oito estádios, o 974, que faz referência ao código de discagem internacional do país, foi a primeira arena da Fifa com o projeto de ser totalmente desmontada em um Mundial. A partida entre Brasil e Coreia, pelas oitavas de finais, foi o último jogo do Estádio.
Tatiana Fasolari, diretora executiva da Fast Engenharia, maior empresa de construção de overlays da América Latina, esteve no Catar, no ano passado, visitou o 974 e exaltou a estrutura. "In loco é realmente um projeto brilhante, que ao mesmo tempo mistura materiais simples como contêineres, com um traço arquitetônico arrojado".
No Brasil, são duas as construções provisórias que foram utilizadas na Copa do Mundo de 2014. A Arena Corinthians foi ampliada a arquibancadas provisórias para capacitar todos os torcedores. Já a operação na Arena Fonte Nova foi realizada também para a Copa das Confederações, centralizada em arquibancadas adicionais apenas no setor sul do estádio.
"O grande desafio deste modelo de negócio é contar com empresas capazes de executar estes projetos dentro dos prazos estipulados pelos comitês locais, que normalmente são extremamente curtos. A gestão e experiência da equipe é fundamental, afinal, não podemos atrasar nem um segundo sequer. O evento tem dia e hora para começar, não é possível a modificação da data de início", afirmou Tatiana.
A maioria dos estádios deve ter a capacidade reduzida pela metade ou adaptado para outra finalidade após o Mundial. A única arena que não passará por reformas será o Khalifa International Stadium, que deve receber os jogos da seleção do país.
Depois de um evento como a Copa do Mundo, alguns países sedes já enfrentaram problemas com os estádios construídos, ou adaptados às exigências da Fifa, justamente para corresponder aos requisitos do torneio. No Catar, para evitar esses "elefantes brancos" espalhados pelo país, determinadas estruturas foram desenvolvidas de maneira inteligente, para que depois sejam desmontadas completamente ou parcialmente, reaproveitando materiais.
"As estruturas temporárias existem há muitas décadas, mas sempre para as experiências e ações no entorno das arenas; é interessante demais ter um estádio temporário, e acredito que os gestores estudaram muito para chegarem neste modelo, que pode vir a ser uma tendência dependendo do país que esteja organizando o evento. Vários fatores devem ser analisados junto com a parte financeira, como por exemplo, o investimento para a qualificação e o crescimento do esporte no país", disse Renê Salviano, da agência Heatmap, que atende empresas que atuam em estádios como Allianz Parque e Mineirão.
Na visão dos especialistas, este tipo de solução para evitar que as estruturas percam utilidade deve se tornar uma tendência nos próximos eventos esportivos maiores. Para Fernando Patara, cofundador e Head de Inovação do Arena Hub, principal centro de fomento à inovação em esporte, entretenimento e mídia da América Latina, explica porque as construções provisórias trazem inúmeros benefícios.
"Obras desse tipo são extremamente sustentáveis, uma vez que boa parte do material poderá ser reaproveitado. Sem contar que o custo de manutenção do estádio, após o torneio, será bem menor e mais adequado à realidade do país sede. Em eventos temporários, como a Copa do Mundo, essa é uma ótima alternativa. As arenas multiuso, como o Allianz Parque, também são exemplos de projetos mais modernos e que notamos um melhor aproveitamento no uso desses espaços", afirmou.
Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports & Marketing, que há 24 anos atua na área de esportes e na organização de eventos, segue uma linha de raciocínio parecida. "O que está acontecendo no Catar já ocorreu nas Olimpíadas de Londres, onde não se justificava construir um centro olímpico e fizeram algo provisório. Eu acho que é uma forma inteligente de entregar o evento e pós-evento sem ter um custo permanente. Alguns países que sediaram a Copa do Mundo e construíram vários estádios, caso do Brasil, parte das arenas não se justificava, já que não tinha finalidade a ponto de serem utilizadas como uma arena multiuso ou como algo que pague a conta ao final do mês, após o Mundial".
JOGOS NO LUSAIL NA COPA:
- Argentina 1 x 2 Arábia Saudita - Público: 88.012
- Brasil 2 x 0 Sérvia - Público: 88.013
- Argentina 2 x 0 México - Público: 88.966
- Portugal 2 x 0 Uruguai - Público: 88.668
- Arábia Saudita 1 x 2 México - Público: 84.985
- Camarões 1 x 0 Brasil - Público: 85.986
- Oitavas de Final: Portugal 6 x 1 Suiça - Público: 83.720
- Quartas de Final: Holanda 2 (3) x (4) 2 Argentina - Público: 88.966
- Semifinal: Argentina 3 x 0 Croácia - Público: 88.966
Total de público: 786.302

