Para ampliar coleções, torcedores trocam camisetas de times
Os últimos meses que antecederam a Copa do Mundo foram de ansiedade. Uma das expectativas relacionava-se ao anúncio dos uniformes que as seleções vestirão durante o torneio. Para alimentar a paixão por um time de futebol, há torcedores que neste período encontraram na troca de camisetas uma maneira de ampliar a coleção de peças.
Fã do esporte, o estudante de Jornalismo Rhian Dantas, 22 anos, já participou de cerca de 40 trocas desde 2010, o que faz com que ele tenha 21 peças em seu armário atualmente. Na época da primeira troca, o Brasil perdeu para a Holanda e foi eliminado da Copa.
Das seleções que disputarão o Mundial, Dantas tem cinco camisetas: duas do Brasil, uma da Argentina, uma de Portugal e outra do Uruguai. Para o jovem, vestir o uniforme de uma equipe significa estar de acordo com a tradição do time. “Participo de trocas em razão da minha identificação com os times, para me sentir de acordo com a ideologia deles”, afirma.
A maioria das peças foi adquirida em um bar de Porto Alegre. Fundado em 2010, o Brechó do Futebol é um local onde colecionadores se reúnem para trocar, comprar ou vender camisetas. O estoque do bar, que conta com uma loja, tem cerca de 3 mil peças dos mais variados clubes e seleções. “Aqui ocorre mais ou menos o que acontece em uma revenda de carros. Você leva o seu automóvel, e o vendedor faz a avaliação”, ilustra o proprietário da loja, Carlinhos Caloghero, 32 anos.
O administrador Luiz Bruno Thiesen, 25 anos, coleciona camisetas há sete anos e também frequenta o Brechó. “Você consegue camisetas de que gosta em troca do que está em casa”, resume. O foco da coleção dele é o time de coração, o Grêmio, do qual tem mais de 100 peças.
Em seu acervo, Thiesen guarda camisetas de outros clubes e seleções, como Equador e Suíça. Porém, o administrador pontua: a prioridade é o Tricolor Gaúcho, e as outras peças servem como opções para a troca por produtos gremistas. Entre as raridades está a camisa usada pela equipe gaúcha em 1968. “É a minha mais antiga. Paguei R$ 600, mas me ofereceram R$ 2 mil por ela. Não vendo de jeito nenhum”, garante.
Para ampliar a coleção, Thiesen revela que já comprou até mesmo de um morador de rua. Era uma camiseta azul celeste do Grêmio, com mangas longas. A peça saiu por R$ 10. “Ele também vestia um agasalho. Vi a camiseta, gostei e perguntei o valor. Ele estipulou o preço”, recorda.
Produtos com custos diferenciados
Dantas ressalta os benefícios econômicos que a troca pode trazer aos torcedores. O estudante revela que investiu, no máximo, R$ 200 com sua coleção. Ele destaca que as peças têm diferentes valores e podem valer mais de uma camiseta em trocas.
O jovem diz aceitar vestimentas de todos os clubes ou seleções. “Não importa a equipe. Se eu não gostar do time, trocarei por outra”, explica. Para Dantas, a mais bela camiseta da Copa do Mundo deste ano é a que compõe o uniforme reserva da Seleção Brasileira, de cor azul e os números em branco.
Com as trocas, o estudante lembra que já manteve contatos com torcedores de outros países, como ocorreu em 2006. Na ocasião, o Nacional, do Uruguai, enfrentou o Internacional em Porto Alegre. Dantas aproveitou a oportunidade e adquiriu uma camiseta do clube uruguaio por meio de uma troca junto a um fã do clube de Montevidéu.
Além da loja, o Brechó do Futebol também conta com um bar, onde clientes se reúnem para assistir a jogos. Em virtude da Copa do Mundo, Caloghero salienta que o horário de atendimento mudará. Tanto a loja – que fechará às 20h – quanto o bar abrirão as portas a partir do meio-dia.
Material produzido sob a supervisão da professora Anelise Zanoni.