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Terra na Copa

Fundado por alemães, Pinheiros teve Fried e foi pioneiro no futebol

8 jul 2014 - 08h30
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O futebol do único país pentacampeão mundial teve alemães entre seus precursores. O Esporte Clube Pinheiros, hoje famoso como potência olímpica, foi fundado por Hans Nobiling, compatriota de Bastian Schweinsteiger, adversário do Brasil nesta terça-feira, e contou com Arthur Friedenreich.

Um dos pioneiros do futebol nacional, Nobiling chegou ao Brasil três anos depois de Charles Miller. Entusiasta do esporte, ele desembarcou no País com o desejo de fundar um clube e o fez em 1899 - inspirado no Germania, equipe que defendeu na Alemanha, adotou o mesmo nome e as cores preta e azul.

Em 1902, o Sport Club Germania participou da criação da Liga Paulista de Futebol. No mês de maio do mesmo ano, o time fundado por alemães enfrentou o Mackenzie College na partida de abertura do primeiro campeonato oficial de futebol do Brasil, disputada no Parque Antárctica.

Reforçado pelo multiesportista Hermann Friese, que jogava praticamente em todas as posições no futebol e ainda praticava atletismo, o Germania conquistou o título estadual de 1906, quebrando a hegemonia dos poderosos São Paulo Athletic Club e Paulistano. Em 1915, a equipe fundada pelos alemães foi bicampeã.

Arthur Friedenreich, filho de um imigrante alemão com uma negra brasileira, iniciou sua carreira no Germania, respaldado por Hermann Friese. Conhecido como El Tigre, o jogador marcou centenas de gols e participou da histórica conquista do Sul-americano de 1919, primeiro título da Seleção Brasileira."Em 1909, o Fried ajudou a romper o preconceito no futebol, então praticado apenas por brancos da elite. Ele passou por vários outros clubes, mas foi realmente criado no Germania e teve o Friese como preceptor", explicou Synésio Alves, diretor do Centro Pró-Memória Hans Nobiling, mantido pelo Pinheiros.

O Germania, assim como vários outros clubes do período, rejeitou o futebol profissional, implantado em 1933, para permanecer no amadorismo. Durante a Segunda Guerra Mundial, com o Brasil, então governado por Getúlio Vargas, posicionado junto aos Aliados, o clube fundado por Hans Nobiling foi obrigado a mudar de nome.

Para evitar a perda de seu patrimônio - a sede de 100 mil metros quadrados na antiga Chácara Itaim era cobiçada pelos militares -, o clube adotou o nome Pinheiros e modificou o estatuto. A principal alteração foi a inversão do artigo que até então limitava a um terço o número de associados não alemães.

Em sua edição de 17 de setembro de 1942, o jornal A Gazeta noticiou que mais de 400 sócios do antigo Germânia foram afastados. Segundo o periódico, os "súbditos dos países do Eixo" descumpriram as medidas estabelecidas para permanecerem como associados, entre elas falar o próprio idioma nas dependências da instituição."Os alemães iniciaram o Pinheiros e compraram o terreno da sede, mas com o advento da Segunda Guerra foram se afastando e os brasileiros acabaram tomando conta. Depois de 1942, o percentual de alemães precisava ser de apenas um terço. Isso foi uma virada de página na história", explicou Synésio Alves.

O clube já havia sido afetado pela Primeira Guerra Mundial e, apesar das dificuldades resultantes do novo conflito global, não perdeu o protagonismo. Na segunda metade do século XX, o antigo Germânia, fundado como time de futebol, se consolidou como potência olímpica.

Os nadadores Manoel dos Santos, Gustavo Borges e Cesar Cielo conquistaram medalhas olímpicas. Assim como os judocas Douglas Vieira, Leandro Guilheiro e Rafael Silva, além do saltador João do Pulo. Todos vestiram o uniforme azul e preto inspirado pelo alemão Germania.

"O Pinheiros foi evoluindo aos poucos e hoje é uma potência olímpica. Se fosse uma nação, estaria seguramente muito bem colocado nos rankings das principais competições internacionais", explicou Synésio Alves, orgulhoso da instituição responsável por 10 medalhas olímpicas.

CLUBE PREPARA 115º ANIVERSÁRIO

Instalado em um terreno de 170 mil metros quadrados em uma área nobre de São Paulo, o Pinheiros, hoje com 38 mil associados, prepara seu 115º aniversário, a ser comemorado em 7 de setembro.

O autointitulado "maior clube poliesportivo da América Latina" promoverá uma corrida de rua no dia 14 de setembro com percursos de 5 e 10 km para festejar os 115 anos de fundação.

O trajeto passa por Vila Olímpia, Itaim e Jardim Paulistano. As inscrições para a corrida, abertas em 2 de julho, seguem até 5 de setembro e custam R$ 112,00, pelo site oficial do Pinheiros.

As mudanças promovidas para garantir a sobrevivência do clube durante a Segunda Guerra Mundial diluíram as raízes alemãs, o que não impede a instituição de cuidar com carinho do Centro Pró-Memória Hans Nobiling, atualmente em reforma para ser reaberto na segunda quinzena de agosto.

"Nós temos em mente que a história é a meta da vida. Portanto, precisa ser consultada e mantida. Com a reforma, a ideia é modernizar a visão da trajetória do Esporte Clube Pinheiros", afirmou Alves. Os troféus conquistados pelo antigo Germania no futebol fazem parte do acervo.

Às 17 horas (de Brasília) desta terça-feira, no Mineirão, Brasil e Alemanha se enfrentarão na semifinal da Copa do Mundo. Na tradicional Lanchonete da Piscina, com promoção de cerveja em dobro, os sócios do antigo Germania poderão acompanhar o embate em um telão de led de 200 polegadas.

"Hoje em dia, a convivência com os descendentes de alemães é a mais respeitosa e amigável possível", explica Synésio Alves, sem medo de contrariar o pioneiro Hans Nobiling. "Oh, meu Deus! Eu vou torcer pelo Brasil. Não tem como ser diferente", declarou.

Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva
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