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Clubes brasileiros surfam na onda nos NFTs e lançam fans tokens; entenda o que é e como funciona

Usando a tecnologia de blockchain, ativos digitais surgem como alternativas rentáveis de engajamento online

24 set 2021 22h05
| atualizado às 22h05
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Ingressos, camisas, bandeiras, chaveiros. Esses e outros itens são comuns no relacionamento de um torcedor com o seu time de coração há bastante tempo. Em um mundo com novidades cada vez mais instantâneas, os clubes têm também buscado explorar alternativas rentáveis de engajamento online. Assim, o mercado de NFTs — token criptográfico não fungível — se tornou atrativo com o formato dos fans tokens, ativos digitais que funcionam como itens colecionáveis. Apesar de ainda dar os primeiros passos no Brasil, a venda desses artigos já é comum entre equipes tradicionais da Europa, como Barcelona, Milan e Paris Saint-Germain.

Diferentemente de outras criptoativos, os fans tokens não são adquiridos com a promessa de valorização e resgate financeiro. As peças são utilizadas para promover interações entre o clube e o torcedor. Por exemplo, o dono deste criptoativo pode participar de ações promocionais, pesquisas, enquetes e até mesmo decisões internas, servindo como uma espécie de bilhete exclusivo. O modelo é visto como uma forma nova de gerar receitas, principalmente em um momento de estádios vazios por causa da pandemia.

Corinthians abraçou o mercado de criptoativos e lançou fan token
Corinthians abraçou o mercado de criptoativos e lançou fan token
Foto: Divulgação/SCCP / Estadão

Para comemorar o aniversário de 111 anos, o Corinthians lançou no início do mês seu fan token, em parceria com a plataforma de recompensas Sócios.com, além da Chiliz, fintech de blockchain — tecnologia que permite a transação de criptomoedas, evitando fraudes. Cada token corinthiano, intitulado $SCCP, foi ofertado por US$ 2 cada (R$ 11 na cotação da época). Em pouco mais de duas horas, foram vendidos todos os 850 mil tokens à disposição, sendo arrecadado US$ 1,7 milhão (R$ 8,9 milhões). O montante no qual o clube teve direito não foi revelado.

Os criptoativos são ativos virtuais, protegidos por criptografia, presentes ex- clusivamente em registros digitais, cujas operações são executadas e armazenadas em uma rede de computadores.

Em uma das primeiras ações destinadas exclusivamente aos proprietários dos tokens, o Corinthians colocou para votação qual seria o próximo jogador a ser homenageado com um busto na sede social do clube, no Parque São Jorge. O resultado foi anunciado nesta quarta-feira, dia 22, com o ex-atacante Ronaldo levando a melhor sobre Basílio — autor do gol do título do Paulistão de 1977, encerrando o jejum de 23 anos do clube sem título — e Gilmar dos Santos Neves, com 63%. Vale ressaltar que quanto mais tokens a pessoa possui, maior o peso do voto.

"Agora, mais de 35 milhões de torcedores no Brasil e muitos mais ao redor do mundo poderão interagir com o Corinthians de formas emocionantes, onde quer que eles estejam. Como nossos tempos exigem muito avanço no ambiente digital, este é um passo importante que comprova nosso foco na modernização", disse Duilio Monteiro Alves, presidente do clube, na nota de divulgação sobre o assunto.

Engana-se, porém, quem acha que o time paulista desbravou a ideia. O pioneiro do conceito no País é o Atlético-MG, que fechou uma parceria com o Socios.com ainda em junho, integrando os tokens ao programa de sócio-torcedor. Mais recentemente, o Flamengo também entrou na onda do mercado digital e acertou um contrato com a mesma plataforma até 2025, garantindo um valor mínimo pelo período, podendo variar dependendo do desempenho das vendas.

Ativos que ajudam em campo

Em fevereiro deste ano, um caso raro chamou atenção, quando pela primeira vez na história um atleta de futebol foi contratado por meio de criptomoedas, com a transferência do atacante David Barral pelo Inter de Madrid FC, equipe da terceira divisão espanhola (chamada de Segunda B). A situação foi facilitada pelo fato de a equipe madrilenha ser patrocinada por uma corretora de bitcoin, a Criptan.

De acordo com Bruno Maia, CEO da Feel The Match, empresa focada em desenvolver conteúdos premium no esporte, e especialista em inovação e novos negócios na indústria esportiva, a pandemia e a falta de receitas por parte dos clubes possibilitou esse tipo de negócio. "O futebol ficou sem capacidade de criar novas fontes de receita, mas ainda assim possui um ativo valioso que são os dados, e isso abriu espaço para modelos inovadores de parceria. O torcedor em geral se entrega, ainda mais quando tende a explorar produtos e serviços diferenciados, e se tem algo que o mercado de criptoativos sabe usar a seu favor, é isso", explica.

Outro caso relevante aconteceu no próprio futebol brasileiro, com o Botafogo. Para viabilizar a chegada do lateral-direito Rafael, ex-Manchester United e Lyon, o clube colocou no contrato do jogador um bônus a ser pago com uma parte da arrecadação da venda de fan tokens. Uma licitação para contratar a empresa que irá ofertar os ativos foi realizada em junho, e em breve será anunciada.

A responsabilidade financeira foi colocada em todos os passos que o time carioca deu na negociação. O clube, apesar de entender que era uma oportunidade de mercado praticamente imperdível, prometeu que não iria fazer loucuras para comprometer ainda mais os cofres para contar com Rafael. Desta forma, o clube viu na novidade uma maneira de concluir o negócio sem extrapolar os cofres, além de engajar o torcedor.

"Isso tudo não quer dizer que o futuro de transações seja por meio de criptomoedas, apesar de ser um elemento de relevância na sociedade atual, mas vai ser cada vez mais natural", diz Maia.

Estadão
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