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Banco Master: MPF apura uso de terrenos de Ronaldinho Gaúcho em operação de R$ 330 milhões

Imóveis pertencentes ao ex-jogador foram incluídos como lastro em títulos ligados à instituição financeira, segundo investigações

4 fev 2026 - 08h58
(atualizado às 09h01)
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Manobra financeira do Banco Master envolve imóveis do ex-jogador –
Manobra financeira do Banco Master envolve imóveis do ex-jogador –
Foto: Reprodução/Instagram - Legenda: Investigação aponta uso de imóveis de Ronaldinho em manobra financeira do Banco Master / Jogada10

Dois terrenos de Ronaldinho Gaúcho entraram no radar do Ministério Público Federal após constarem como garantia em uma operação de R$ 330 milhões ligada ao Banco Master — liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central. O movimento, ainda segundo informações, ocorreu sem o conhecimento da emissão dos títulos por parte do ex-jogador.

O ponto central da investigação está na inclusão dos imóveis em Certificados de Recebíveis Imobiliários — os CRIs —, usados para captar recursos com base em créditos do setor imobiliário. No caso, a Base Securitizadora realizou a emissão em agosto de 2023 e direcionou os títulos à S&J Consultoria, tendo como lastro áreas que pertencem ao astro.

Vale pontuar que o Banco Central liquidou o Banco Master em novembro de 2025, após identificar alto custo de captação e exposição a investimentos considerados arriscados. O Bacen ainda constatou uma grave crise de liquidez, além de violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.

Autorizados pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, os mandados atingiram empresas envolvidas, e o volume de CRIs sob suspeita pode chegar a R$ 1 bilhão.

O que diz a defesa de Ronaldinho?

Os representantes do ex-jogador sustentam que a operação ocorreu sem consentimento e afirma que a negociação imobiliária que deu origem às tratativas estava encerrada antes da emissão dos papéis. Segundo os advogados, o projeto não avançou por entraves como a ausência de licenças ambientais e pendências relacionadas ao IPTU dos terrenos.

Esse ponto ajuda a explicar por que o caso passou a chamar a atenção dos investigadores. De acordo com o Ministério Público Federal, os recursos captados com os CRIs não seguiram o caminho de financiamento imobiliário. As apurações indicam que Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, realocava os valores em fundos ligados à própria instituição e à gestora de investimentos Reag.

Ainda segundo exposto pelo O Globo, as investigações apontam que o Banco Master operava como único cotista do Fundo City 02. A partir dele, concedia empréstimos a pessoas jurídicas que, em seguida, repassavam quase a totalidade dos valores a fundos administrados pela Reag. Assim como o Master, a gestora acabou liquidada posteriormente pelo Banco Central.

Manobra financeira do Banco Master envolve imóveis do ex-jogador –
Manobra financeira do Banco Master envolve imóveis do ex-jogador –
Foto: Divulgação / Jogada10

Negócio não sai do papel

No caso específico que envolve o ídolo nacional, os terrenos serviram como garantia em uma emissão de R$ 330 milhões em créditos estruturados. As áreas seriam destinadas a empreendimentos imobiliários, mas, segundo os advogados, o negócio não saiu do papel.

'As parcerias imobiliárias com o grupo do Ronaldinho não foram para frente por desacordo comercial", disse o advogado Maurício Haeffner. As empresas União do Lago e Melk, que participaram das negociações iniciais, também afirmaram que a tratativa jamais prosperou.

O MPF afirma que a utilização de imóveis sem lastro efetivo fazia parte de uma manobra para melhorar os indicadores financeiros do Banco Master. O movimento elevaria a credibilidade da instituição para atrair novos investidores. Segundo os investigadores, a prática recorria a imóveis de "fachada".

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Jogada10
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