Balogun é anulado em campo, Bélgica arrasa com os EUA e frustra manobra de Trump na Copa
Decisão controversa de órgão disciplinar da Fifa, pressão do presidente norte-americano e acusações a árbitro brasileiro provocaram tensões prévias ao duelo pelas oitavas de final do Mundial
A partida entre Estados Unidos e Bélgica ganhou contornos polêmicos antes mesmo de a bola rolar. A decisão do órgão disciplinar da Fifa de rever a suspensão de Folarin Balogun em meio a pressões do presidente Donald Trump alavancou críticas de várias partes.
Na próxima fase, a Bélgica vai encarar a Espanha, que eliminou Portugal. O jogo está agendado para sexta-feira, 10, às 16 horas, em Inglewood, na Califórnia. Quem avançar garante participação em mais dois jogos na Copa: semifinal e final ou decisão de terceiro lugar.
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Entenda o caso Balogun
Balogun havia recebido cartão vermelho na vitória dos EUA sobre a Bósnia e deveria cumprir suspensão automática diante da Bélgica. O Comitê Disciplinar da Fifa acionou um artigo do código que rege seu funcionamento e permitiu que o jogador entrasse em campo.
A expulsão de Balogun foi decidida em campo pelo árbitro brasileiro Raphael Claus após sugestão de revisão feita pelo VAR, liderado pelo venezuelano Juan Soto. Segundo o New York Times, a Casa Branca preparou um dossiê com acusações sem evidências contra o brasileiro, a quem Trump chamou de "suspeito". Fifa, Conmebol, CBF e FPF saíram em defesa de Claus.
A Bélgica tentou reverter a situação para que Balogun cumprisse a suspensão. Outros atores importantes do futebol europeu também protestaram contra a medida da Fifa. Mas nada foi suficiente e o atacante jogou normalmente. No entanto, Balogun teve atuação discreta em campo e pouco ajudou os norte-americanos. Ele vinha sendo o melhor jogador dos EUA, tendo anotado três gols na Copa.
Bélgica desperta na Copa e goleia EUA
A vitória da Bélgica passa essencialmente pelo treinador. Rudi Garcia escalou os belgas com quatro mudanças em relação ao time que iniciou o duelo com Senegal na fase anterior, abrindo mão de Doku e De Bruyne. As peças alteradas pelo comandante da seleção belga fizeram com que o time tivesse uma intensidade nos primeiros minutos que não foi exibida em outras partidas deste Mundial.
Os visitantes fizeram os anfitriões provarem de seu próprio veneno. A pressão resultou em gol, aos 9 minutos. De Ketelaere recebeu cruzamento de Raskin na pequena área e concluiu para colocar a Bélgica em vantagem.
O bom momento da Bélgica parecia estancado após uma lesão sofrida por Onana, que deixou o campo chorando e acompanhou o restante do jogo de muletas. Os Estados Unidos reagiram e empataram em cobrança de falta batida por Tillman, aos 31. Mas um minuto depois, em jogada novamente tramada pelo lado esquerdo, dessa vez De Ketelaere tocou de cabeça na entrada da pequena área para recolocar os belgas à frente.
Na volta do intervalo, os norte-americanos desenhavam uma reação. A lesão de Pulisic jogou um balde de água fria, mas um erro crasso do goleiro Freese colocou a última pá de terra sobre as pretensões dos donos da casa. O arqueiro saiu do gol e, por pressão de Ketelaere, se embananou no momento de dar um chutão para frente, acertou o chão e viu Vanaken bater de longe, com gol vazio, para marcar o terceiro da Bélgica, aos 12.
Depois da pausa para hidratação, os Estados Unidos partiram para o tudo ou nada e trouxeram um pouco mais de emoção para o duelo. Balogun apareceu no mano a mano com Courtois, mas o goleiro se agigantou e impediu que a bola entrasse.
O atacante, que se tornou pivô de uma controvérsia política e esportiva, deixou o jogo no acréscimo e viu do banco de reservar o centroavante belga Lukaku fazer mais um e transformar em goleada a eliminação dos EUA.
ESTADOS UNIDOS 1 x 4 BÉLGICA
- ESTADOS UNIDOS: Freese; Freeman, Richards e Ream; Dest (Reyna), Adams (Pepi), McKennie, Tillman e Antonee Robinson (Arfsten); Pulisic (Berhalter) e Balogun (Wright). Técnico: Mauricio Pochettino.
- BÉLGICA: Courtois; Castagne, Mechele, Ngoy e De Cuyper; Tielemans, Raskin (Witsel) e Onana (Vanaken); Lukébakio (Doku), De Ketelaere (Lukaku) e Trossard (Saelemaekers). Técnico: Rudi Garcia.
- GOLS: De Ketelaere, aos 9 e aos 32, Tillman aos 31 minutos do 1º tempo; Vanaken, aos 12, Lukaku, aos 47 minutos do 2º tempo.
- CARTÕES AMARELOS: McKennie e Tillman.
- ÁRBITRO: Adham Makhadmeh (Jordânia).
- PÚBLICO: 66.925 torcedores.
- LOCAL: Lumen Field, em Seattle.
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