Assistentes da CBF e jornalista sofrem ataques misóginos durante partida; veja
A partida entre CSE e CSA, pela Série D do Campeonato Brasileiro, foi marcada por episódios de misoginia no Estádio Juca Sampaio, em Palmeira dos Índios.
A partida entre CSE e CSA, válida pela Série D do Campeonato Brasileiro e disputada no último domingo (17), em Palmeira dos Índios, foi marcada por episódios de violência de gênero contra profissionais que trabalhavam no confronto. As assistentes de arbitragem Maria de Fátima Mendonça e Fernanda Félix, além da repórter Nathália Máximo, da TV Gazeta/Metrópolis, foram alvo de ataques misóginos e agressões verbais vindas de um grupo de torcedores do time mandante no Estádio Juca Sampaio.
As ofensas aconteceram durante a realização da partida e, segundo relatos, os torcedores direcionaram frases como "futebol não é lugar pra mulher", "vai pra cozinha" e "vai lavar roupa" contra as profissionais. A situação gerou revolta e obrigou a intervenção da Polícia Militar, acionada para conter os agressores.
A jornalista Nathália Máximo denunciou o caso ao vivo durante a transmissão, expondo os ataques sofridos enquanto exercia sua função profissional no estádio.
Na última segunda-feira (18), entidades ligadas ao jornalismo e ao futebol se manifestaram oficialmente sobre o episódio. Em nota conjunta, o Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Comissão Nacional das Mulheres repudiaram os ataques e classificaram as agressões como reflexo de uma cultura de intolerância e violência de gênero ainda presente no ambiente esportivo.
"As agressões, além de inaceitáveis, revelam uma cultura de intolerância e violência de gênero que precisa ser combatida dentro do futebol e em toda a sociedade", diz um trecho da nota.
As entidades também destacaram a postura da repórter durante a cobertura da partida.
"A jornalista Nathalia Máximo relatou o ocorrido ao vivo, demonstrando coragem e compromisso com a informação", afirmaram.
A nota ainda cobra medidas efetivas das autoridades e das entidades esportivas.
"Nenhuma mulher deve ser constrangida, intimidada ou desrespeitada por exercer sua profissão ou ocupar espaços historicamente marcados pelo machismo", acrescenta o posicionamento oficial.
A Federação Alagoana de Futebol (FAF) também publicou nota de repúdio ao caso e informou que está cobrando a identificação dos envolvidos e a apuração dos fatos junto às autoridades competentes.
"É inadmissível qualquer tipo de ofensa ou discriminação contra mulheres no ambiente esportivo. O futebol deve ser um espaço de respeito e profissionalismo", declarou a entidade.
O episódio reacende o debate sobre a violência de gênero no futebol brasileiro e a hostilidade enfrentada por mulheres em funções de arbitragem, cobertura esportiva e demais cargos dentro do esporte. Casos semelhantes seguem ocorrendo em estádios do país mesmo diante de campanhas de conscientização e discursos institucionais de combate ao machismo no futebol.
Veja na íntegra a nota de repúdio divulgada pela Fenaj e Sindjornal:
"A Federação Nacional dos Jornalistas e o Sindicato dos Jornalistas de Alagoas manifestam seu mais veemente repúdio aos atos de misoginia e violência verbal sofridos pela jornalista Nathalia Máximo e pelas árbitras da partida realizada neste domingo, durante o jogo CSE X CSA, em Palmeira dos Índios.
Elas foram hostilizadas e desrespeitadas no exercício profissional por um grupo de torcedores, que proferiu ofensas machistas e discriminatórias como "futebol não é lugar pra mulher", "vai pra cozinha" e "vai lavar roupa". Tais agressões, além de inaceitáveis, revelam uma cultura de intolerância e violência de gênero que precisa ser combatida dentro do futebol e em toda a sociedade.
A jornalista Nathalia Máximo relatou o ocorrido ao vivo, demonstrando coragem e compromisso com a informação, enquanto a Polícia Militar precisou ser acionada para conter a situação. Toda solidariedade à profissional e às árbitras que, no exercício de suas funções, foram vítimas de ataques que atentam contra a dignidade das mulheres.
Ao lado da Comissão Nacional das Mulheres da Fenaj, o Sindjornal reafirma que o esporte, o jornalismo e todos os espaços da sociedade devem ser ambientes de respeito, igualdade e inclusão. Nenhuma mulher deve ser constrangida, intimidada ou desrespeitada por exercer sua profissão ou ocupar espaços historicamente marcados pelo machismo.
Também cobramos das autoridades competentes, das entidades esportivas e dos clubes envolvidos a devida apuração dos fatos e a adoção de medidas educativas e punitivas para que situações como essa não se repitam.
A luta contra a misoginia, o preconceito e qualquer forma de violência é responsabilidade coletiva. O silêncio diante dessas práticas apenas fortalece a intolerância. Toda solidariedade à jornalista Nathalia Máximo, às árbitras da partida e a todas as mulheres que diariamente enfrentam o machismo em seus ambientes de trabalho e na sociedade."
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