A Copa do Mundo está à venda? Entenda movimento da Fifa para capitalização da entidade e federações
Ideia, que prevê R$ 51,1 bilhões a cada associação que aprová-la, é criticada pela Uefa e gera ameaças de boicote de seleções europeias ao Mundial
A Fifa não recebe investimentos privados para gerir o futebol mundial. A nova ideia da gestão Infantino é criar a Fifa Forward Enterprise, uma empresa que teria esse papel. O projeto ainda depende de aprovação, mas já é visto com maus olhos pela Uefa, cujas integrantes já falam até em boicote à Copa do Mundo caso o plano se concretize.
O que é a Fifa Forward Enterprise?
A FFE seria uma empresa privada controlada pela Fifa. Participações minoritárias seriam vendidas ao mercado privado, podendo gerar US$ 4,2 bilhões (R$ 21,4 bilhões). Segundo a entidade, como ela continuaria como sócia majoritária, permaneceria com o controle de governança do futebol.
Por que a Uefa critica a ideia?
A entidade europeia já se mostrou contra. A Uefa já vive em rota de colisão com o presidente da Fifa, Gianni Infantino. "A alma e a governança do futebol não são ativos para negociar — especialmente com zero transparência quanto a quem ganha financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo", disse em comunicado.
Algumas federações europeias discutem um boicote à Copa do Mundo de 2030 caso a proposta seja aprovada, segundo a emissora britânica Sky News. Uma reunião de emergência vai debater a articulação da oposição à ideia.
Como tudo ainda depende de aprovação, não há oficialmente interessados em investir na FFE. A Fifa, porém, já coloca a Thrive Eternal, uma holding de capital permanente, como líder do grupo de investidores. A companhia é de Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente americano Donald Trump.
No primeiro ano, três empresas ingressaram como parceiras de franquias da liga, incluindo a Ares Management. Essa possibilidade, porém, também aqueceu as propostas feitas por pessoas físicas e grupos familiares. Na época, os New York Giants valorizaram 34%, saltando da quarta para a terceira franquia mais valiosa, atingindo US$ 10,5 bilhões, sem private equity.
O rúgbi também serve como paralelo ao projeto da Fifa. O Six Nations, principal torneio da modalidade, tem suas ações divididas em sete partes. As federações de Inglaterra, França, Irlanda, Itália, Escócia e País de Gales têm, juntas, 6/7. A última participação é da CVC, gestora de private equity, que pagou, em 2021, 365 milhões de libras pelo negócio.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.