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Nelson Rodrigues completaria 100 anos de amor pelo Fluminense nesta quinta

23 ago 2012 - 08h09
(atualizado às 11h48)
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BRUNO BONSANTI
Direto de São Paulo

Nelson Rodrigues é o personagem da semana. O cronista esportivo, apenas uma das muitas facetas do também escritor e dramaturgo, completaria um século de vida nesta quinta-feira se não tivesse sido vítima de trombose e insuficiência cardíaca e respiratória em 21 de dezembro de 1980. Ao longo dos seus 68 anos, cunhou frases antológicas sobre o futebol e nunca escondeu a paixão pelo Fluminense.

O primeiro Fla-Flu de Nelson não começou 15 minutos antes do nada, mas assim que nasceu. Era irmão do flamenguista não declarado Mário Filho, cujo nome batiza o Estádio do Maracanã. Começou no jornalismo em 1925, como repórter policial do A Manhã.

Escreveu sobre futebol em diversas publicações, como o O Globo e a Manchete Esportiva, na qual tinha o costume de destacar o personagem da semana, não necessariamente o que melhor jogou, mas o que tinha a história mais interessante.

"Ele era um cara diferente da época, não tinha compromisso com o politicamente correto que hoje preocupa muita gente, o que é uma grande bobagem. Ele falava o que pensava e com frases que viraram verdadeiras pérolas", contou ao Terra o ex-jogador e treinador Mário Sérgio, meia do Fluminense de 1975 a 1976.

Nelson Rodrigues não aproveitava suas credenciais de jornalista e escritor famoso para ter contato com os jogadores do clube ou acompanhar treinamentos, mas recebeu de um setorista (jornalista que trabalha cobrindo o dia a dia dos clubes) as informações sobre uma das primeiras atividades de Mário Sérgio e perguntou em sua coluna: "será que está nascendo um craque?".

Mário lembra com carinho essa crônica e lamenta nunca ter tido contato pessoal com ele. Na realidade, não se recorda de nenhum companheiro ter comentado que o conheceu, e nem de vê-lo nas Laranjeiras.

"Ele era torcedor de arquibancada. Não tive esse prazer (de conhecê-lo pessoalmente). O que realmente repercutia era a inteligência dele, uma visão diferente, que ninguém tinha das coisas da vida. Falava sobre todos os assuntos", lembrou.

A última crônica de Nelson Rodrigues

Nelson Rodrigues morreu 21 dias depois de o zagueiro Edinho marcar o gol do título carioca do Fluminense contra o Vasco, no Maracanã. Com a saúde muito debilitada, não poderia ter grandes emoções e estava proibido de assistir aos jogos do clube do seu coração.

Seu filho e homônimo contou à TV Globo que acompanhou a partida pelo rádio e teve todo cuidado do mundo para contar ao pai que o Fluminense era campeão estadual pela 24ª vez na história. Nelson comemorou sentando novamente em sua máquina de escrever e tentando digitar a última coluna da vida. Eventualmente desistiu e a ditou para o filho.

"Foi muito legal isso. Fiquei sabendo dessa história depois. É um motivo de orgulho e me emociona. Um cara tão importante e me tinha como ídolo", celebrou Edinho, atualmente comentarista, após uma longa carreira como técnico, ao Terra.

No texto que teve o título "Fluminense campeão demais", publicado no jornal O Globo, o escritor escreveu que o elenco do seu time é "fabuloso do goleiro ao ponta-esquerda" e apenas os "lorpas e pascácios não veem que o futebol brasileiro está encarnado nos craques tricolores". Acreditou até o fim que o Fluminense era o melhor time do mundo, apesar de os fatos provarem o contrário.

Veja frases famosas de Nelson Rodrigues:

O Fla-Flu nasceu 15 minutos antes do nada

Eu vos digo que o Fluminense é o melhor time do mundo. E podem me dizer que os fatos provam o contrário, que eu vos respondo: pior para os fatos

Se o Fluminense jogasse no céu, morreria para vê-lo jogar

O Flamengo tem mais torcida, o Fluminense tem mais gente

O Fluminense é o único time tricolor do mundo. O resto são só times de três cores

Nas situações de rotina, um "pó-de-arroz" pode ficar em casa abanando-se com a Revista do Rádio. Mas quando o Fluminense precisa do número, acontece o suave milagre: os tricolores vivos, doentes e mortos aparecem. Os vivos saem de suas casas, os doentes de suas camas e os mortos de suas tumbas

Sou tricolor, sempre fui tricolor. Eu diria que já era Fluminense em vidas passadas, muito antes de presente encarnação

Pode-se identificar um tricolor entre milhares, entre milhões. Ele se distingue dos demais por uma irradiação específica e deslumbradora

Grande são os outros, o Fluminense é enorme

O Fluminense nasceu com a vocação da eternidade. Tudo pode passar, só o tricolor não passará jamais

Foto: Agência Estado
Fonte: Terra
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