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Presidente do Flamengo defende encontro com Bolsonaro e critica intolerância política

Em carta, Rodolfo Landim diz que pelo cargo que ocupa, precisa ser plural e dialogar com várias autoridades

25 mai 2020
15h07
atualizado às 16h07
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O presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, publicou nesta segunda-feira uma carta à torcida em que abordou a relação do clube com autoridades políticas. Dias depois de se reunir com o presidente Jair Bolsonaro em Brasília para discutir o possível retorno do time aos treinos em meio à pandemia, o dirigente afirmou que o Brasil enfrenta a intolerância política como problema ainda pior do que o coronavírus .

Embora sem citar o nome de Bolsonaro no texto, Landim explica que pelo cargo que ocupa, precisa se relacionar com variadas autoridades e representar a pluralidade do Flamengo, independentemente de qual seja o partido político dos envolvidos. "Infelizmente, nosso país anda doente. Não falo da covid-19, mas dessa intolerância política de parte a parte que separa até mesmo famílias e que, infelizmente, alguns pretendem implantar também no nosso clube. O sentimento que nos une é amor e não ódio", afirmou.

Landim esteve acompanhado do presidente do Vasco, Alexandre Campello, em encontro com Bolsonaro em Brasília para se discutir a possibilidade de os times cariocas utilizarem a capital federal para treinar. A presença deles, seguida por uma reunião no último domingo com o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, motivaram críticas principalmente dos rivais, Fluminense e Botafogo, assim como alguns torcedores questionaram e até picharam a sede da Gávea para atacar a proximidade entre Flamengo e Bolsonaro.

"É impensável para mim, na posição de líder de uma instituição democrática como o nosso clube, deixar de discutir problemas e interesses dela com o presidente eleito democraticamente do país", escreveu Landim. "Entendo que meu papel como presidente do clube é o de defender seus interesses e para isso é necessário me relacionar com autoridades. Para mim, não importa a orientação política delas. Busco a todas no sentido de conseguir os apoios que precisamos para melhorar continuamente o nosso Flamengo", completou.

Para exemplificar a imparcialidade, o presidente do clube citou que no evento da inauguração de uma das novas piscinas da sede, o Flamengo reuniu o vice-governador Claudio Castro (PSC) e o líder da oposição no Congresso Nacional, o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ). Landim explicou que apesar de ter as convicções políticas pessoais, isso jamais vai interferir nos rumos do clube.

Pouco depois, o dirigente voltou a defender o retorno dos jogadores rubro-negros aos treinamentos em meio à pandemia do novo coronavírus, apesar de ainda não ter autorização da prefeitura e governo estadual do Rio de Janeiro.

O dirigente explicou que o clube está seguindo à risca o protocolo médico elaborado pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) para "conceder a biossegurança necessária no departamento de futebol", conforme o próprio clube ressaltou ao informar que jogadores e comissão técnica testaram negativo para a covid-19, em teste semanal, realizado nesta segunda-feira.

"Pelo Flamengo estar treinando, seguindo um protocolo super correto, seria algo para vocês (imprensa) falarem assim: 'Olha que legal o que o Flamengo está fazendo, o exemplo do esporte poderia ser um padrão a ser seguido por outras atividades no país'", afirmou Landim em entrevista ao canal FOX Sports. "Por que não voltar o futebol? Só porque a curva da pandemia é ascendente? Mas está ascendente porque outras atividades não estão usando o nosso protocolo. Qual o protocolo das lojas de construção? O futebol tá dando exemplo".

O presidente do Flamengo explica as razões da volta dos jogadores aos treinamentos antes do prazo estipulado pelas autoridades. "Nós vamos ter uma volta horrorosa esse ano em termos de calendário e a gente precisa preparar os nossos jogadores para uma série de campeonatos que vamos disputar com espaço de tempo muito curto para poder jogar. Todas as informações que tínhamos dos nossos jogadores é que eles estavam loucos para voltar a praticar a profissão deles. A saúde não é só ausência da doença, ela fala por uma série de coisas", prosseguiu.

Landim ainda respondeu às críticas feitas por Carlos Augusto Montenegro, membro do Comitê Executivo de futebol do Botafogo, por conta da volta aos treinos do Flamengo. "O Botafogo é uma instituição que tem uma história linda no futebol brasileiro, grandes momentos que o futebol brasileiro teve foram quando o Botafogo estava no auge, contribuiu muito. E, quando a gente vê a história e o período que essa pessoa (Montenegro) passou à frente do clube, e vamos vendo o comportamento esportivo, administrativo e financeiro que vem tendo, além do tamanho e da importância que o Botafogo hoje tem, é um indicador que, se eles (Botafogo) discordam, é uma indicação muito forte que estamos no caminho certo", completou.

Estadão
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