Flamengo usará frase contra MP das bets em jogo com Santos: "proibir não é proteger"
Flamengo estampará "Proibir não é proteger" no uniforme contra o Santos, em protesto contra a MP que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil.
O Flamengo estampará "Proibir não é proteger" na camisa contra o Santos em protesto contra a MP que baniu as apostas esportivas no país. A medida afeta contratos de patrocínio e pode custar R$ 430 milhões ao clube, que acionou o STF. Clubes e entidades do setor defendem a regulação em vez do veto, alegando risco de migração para o mercado ilegal, enquanto o governo sustenta que a proibição visa frear o endividamento familiar.
O Flamengo entrará em campo contra o Santos, nesta quinta-feira (8), com uma mensagem de protesto contra a Medida Provisória que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil. O Rubro-Negro estampará no uniforme a frase "Proibir não é proteger" durante o confronto pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro.
A manifestação acontece em meio à reação de clubes e entidades do setor à MP nº 1.394/2026, editada em 25 de setembro. A medida proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país, atingindo diretamente o mercado de apostas esportivas e os contratos de patrocínio mantidos com clubes brasileiros.
O que está por trás da frase usada pelo Flamengo
A mensagem "Proibir não é proteger" faz parte de um manifesto elaborado pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), entidades que se posicionam contra a proibição das plataformas regulamentadas.
O argumento apresentado pelas associações é de que a retirada das empresas legalizadas não acabaria com o hábito de apostar. Na avaliação do setor, a medida poderia fazer com que usuários migrassem para plataformas clandestinas, que não estão submetidas aos mesmos mecanismos de fiscalização e proteção ao consumidor.
Entre os mecanismos citados pelas entidades estão a verificação de idade e CPF, ferramentas de autoexclusão e restrições para beneficiários de programas sociais. A defesa do setor é pela manutenção de um mercado regulado, com fiscalização e regras mais rígidas, em vez da proibição.
A frase já havia aparecido em ações publicitárias durante partidas do Brasileirão, incluindo o clássico entre São Paulo e Santos, no Morumbis, e o confronto entre Atlético-MG e Bragantino.
Flamengo é um dos clubes mais afetados pela MP
A posição do Flamengo tem relação direta com o impacto financeiro provocado pela medida. O clube tinha a Betano como patrocinadora máster e considera que a mudança pode representar uma perda significativa de receitas.
O acordo com a empresa é estimado em R$ 268,5 milhões por temporada. Segundo informações divulgadas pelo próprio clube em sua contestação, o impacto financeiro da MP pode chegar a aproximadamente R$ 430 milhões para os cofres rubro-negros.
O Flamengo também acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar os efeitos da medida. O clube argumenta que a nova regra interfere em contratos de patrocínio que foram firmados quando as apostas de quota fixa eram permitidas e regulamentadas no país.
MP também atinge outros clubes do futebol brasileiro
O problema não é exclusivo do Flamengo. Quando a medida foi publicada, 14 dos 20 clubes que disputavam a Série A tinham empresas do segmento de apostas como patrocinadoras máster.
Com a entrada em vigor das novas regras, as equipes passaram a ter que retirar as marcas relacionadas às bets dos uniformes dentro do prazo determinado pela MP. A medida tem força de lei, mas ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional.
O governo federal defende que a proibição faz parte de uma estratégia para combater o endividamento das famílias e os problemas provocados pelo uso excessivo de plataformas de apostas.
Do outro lado, clubes e entidades do setor afirmam que a medida pode prejudicar financeiramente o esporte brasileiro e fortalecer o mercado ilegal. O Flamengo, portanto, levará essa disputa para dentro de campo no duelo contra o Santos.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.