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Com 'forcinha' do pai, Edmundo Júnior ganha chance no Figueirense

Filho do ex-atacante de Palmeiras e Corinthians, jogador de 20 anos vai disputar a Copa Santa Catarina

3 set 2019
09h12
atualizado às 10h05
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Depois de passar uma temporada de dois anos de treinos em Portugal, um dos filhos do ex-craque e atual comentarista da FOX Sports, Edmundo, conta nos dedos os dias para estrear no futebol brasileiro. Contratado pelo Figueirense, Juninho, de 20 anos, será anunciado oficialmente nos próximos dias e vai disputar a Copa Santa Catarina, com a equipe sub-23, mas já de olho no time principal. A primeira partida da competição está marcada para o dia 9 de setembro, em Florianópolis.

Edmundo Júnior desembarcou em Santa Catarina sem alarde há dois meses. Vizinho do estádio Orlando Scarpelli, participa regularmente dos treinos com a equipe sub-23, arrisca uma ou outra partida de futevôlei na orla da Beira-Mar de Florianópolis e só. Diz estar focado no futebol. "Meu pai até falou que a cidade é maravilhosa, mas que é para eu me cuidar, senão acabo perdendo o foco. Fui muito bem recebido aqui na cidade, o clima é bom", disse o garoto ao Estado.

O pai passou pelo Figueirense em 2005, quando foi destaque da campanha que livrou o time do rebaixamento, e, em junho deste ano retornou ao clube, desta vez para fechar parceria para a nova campanha de marketing. Da negociação surgiu a proposta e Juninho foi apresentado. Segundo o empresário Bruno Araujo, não houve negociação com outra equipe no Brasil. "Ele estava fora do País e não tinha muita expectativa para voltar agora. Eu o trouxe para uma avaliação e ele ficou", conta.

Em Portugal, Edmundo Jr. treinou no Quarteirense e no Perafita, neste último chegou a atuar pelo time profissional, na chamada divisão de honra. Antes de partir para o Velho Continente, o meia trabalhou nas categorias de base do Audax Rio, mas sem muitas expectativas em se tornar profissional. "Estava bastante desanimado aqui no Brasil. Passar esse tempo treinando em Portugal me ajudou bastante, principalmente na questão da confiança. Queria jogar no Brasil e voltar agora foi uma questão de oportunidade", garante o atleta que foi negociado com o Figueirense sem custos pela transação, apenas pelo salário mensal, não revelado. O Figueirense passa por um momento difícil de falta de pagamentos de suas dívidas. Enfrentou greve de jogadores e até um W.O. O clube continua negociando com seus atletas.

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O garoto não esconde a vontade de se destacar na equipe e ascender no futebol, seguindo os caminhos do pai. "Eu já treinei umas duas vezes com o time profissional. Claro que eu quero estar na equipe principal". A oportunidade será a Copa Santa Catarina, competição oficial do calendário da Federação Catarinense disputada entre times profissionais. No caso do Figueirense, que disputa a Série B do Brasileiro, a equipe que entra em campo no torneio é majoritariamente formada por atletas do sub-23. O filho de Edmundo é um deles.

Questionado sobre o momento que o Figueirense atravessa, principalmente fora de campo com atraso de salários e uma crise com a empresa que administra o clube, ele diz que tenta não deixar isso atrapalhar seus planos. no futebol. "É uma situação que acaba afetando todo mundo, mas o que percebo é que o grupo está fechado e unido. Eu estou focado e tento não deixar isso me afetar".

Na semana passada, o Figueirense perdeu duas partidas por W.O. por causa da recusa dos atletas de entrar em campo. Uma na Série B do Brasileiro contra o Goiás e outra no Campeonato Brasileiro de Aspirantes (sub-23), diante do Santos. Foi a maneira encontrada pelo elenco para protestar contra a diretoria e a holding que comanda o clube.

Sobre a relação com o pai, o menino diz que é inevitável uma associação direta ou até mesmo uma expectativa maior dentro de campo. Edmundo foi um dos melhores jogadores que Palmeiras e Vasco já tiveram. Ele disputou a Copa do Mundo de 1998, na França. "Nossa relação era bem difícil antigamente, mas melhorou bastante. Nos falamos direto por mensagens. Cresci vendo meu pai jogar, ao vivo ou em vídeos, e é claro que ele é uma inspiração para mim", disse ao Estado.

No entanto, Juninho afirma que o pai, às vezes, pega no seu pé. "Principalmente quando jogamos bola juntos, ele fica falando muito e às vezes chega a ser chato com isso", reclama. A última vez que se viram pessoalmente foi no Dia dos Pais, em agosto. "Quero poder ir mais ao Rio de Janeiro, onde ele mora".

De fala mansa e semblante tranquilo, Juninho, na verdade, queria ser menos comparado a Edmundo e diz que dentro de campo "ser filho dele nunca ajudou muito, pelo contrário." O apelido Animal, dado ao pai pelo narrador Osmar Santos tanto por seu futebol habilidoso quanto pelo temperamento forte e indisciplinado, parece um traço que Juninho, neste momento, prefere manter distância. Ele tem alguns traços físicos de Edmundo, mas também da mãe Adriana Sorrentino, com quem Edmundo teve outra filha, Ana Carolina.

Estadão
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