Bicampeã olímpica, Fabi Claudino critica atitude da CBV em excluir mulheres trans
Determinação adere à política do COI e gera repercussão
Após a alteração dos critérios de elegibilidade para a categoria feminina pela Confedração Brasileira de Voleibol (CBV), que afetou diretamente a oposta Tifanny Abreu, do Osasco, a ex-jogadora Fabi Claudino reagiu à decisão.
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Em publicação no Instagram, a bicampeã olímpica defendeu a colega e levantou discussões sobre o desdobramento da alteração da regra.
“O debate sobre critérios esportivos é legítimo e precisa ser conduzido com evidências, responsabilidade e pelas entidades competentes. O PONTO QUE EU QUERO LEVANTAR É OUTRO. O que acontece com o ser humano depois que uma decisão como essa é tomada?”, questiona.
“Porque existe uma pergunta que não sai da minha cabeça: QUE CAMINHO O ESPORTE VAI OFERECER ÀS MULHERES TRANS QUE VIVEM DELE? Estabelecer critérios para uma categoria é uma coisa. Excluir uma pessoa do esporte, apagar sua trajetória ou transformar uma regra em justificativa para humilhação, preconceito e ataques é outra completamente diferente”, afirma.
“Para mim, o esporte sempre foi muito maior do que ganhar ou perder. O ESPORTE É UMA DAS FERRAMENTAS MAIS PODEROSAS DE TRANSFORMAÇÃO E INCLUSÃO. [...] Por isso, independentemente das regras estabelecidas para cada categoria, acredito que existe uma segunda discussão que também precisa acontecer: QUAIS CAMINHOS SERÃO CRIADOS? [...] QUE ESPAÇO O ESPORTE VAI CONSTRUIR PARA QUE ELAS CONTINUEM PERTENCENDO A ELE?”, continua.
“No final, minha reflexão não é apenas sobre a Tifanny. É sobre todas as pessoas que estão assistindo em silêncio. É sobre como conseguimos estabelecer limites sem transformar pessoas em inimigas”, conclui.
Entenda o caso
Na tarde de sexta-feira, 14, a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou que adotaria, em suas competições nacionais de quadra e praia, a política do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a elegibilidade de atletas na categoria feminina. De acordo com a nova regra, as jogadoras deverão apresentar teste genético com resultado negativo para o gene SRY, associado ao desenvolvimento masculino.
Segundo a CBV, os novos critérios passam a valer para todas as atletas da Superliga A e B a partir da temporada 2026/2027, além da Supercopa 2026, da Copa Brasil 2027, do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 (adulto) e do CBVP Challenger 2027.
O anúncio gerou dúvidas em relação à participação da oposta Tifanny, do Osasco, no Campeonato Paulista, por ser uma mulher trans. Entretanto, no dia seguinte, a Federação Paulista de Voleibol (FPV) afirmou que a competição, iniciada na sexta-feira, segue as regras que estavam vigentes antes da determinação da CBV.
A Federação informou que a nova política foi publicada com o Estadual em andamento e, por isso, não estava em vigor no início do torneio. Dessa forma, Tifanny estaria liberada para disputar esta edição do Paulista.
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