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'É um enorme retrocesso', diz Tifanny sobre banimento de mulheres trans pela CBV

Oposta do Osasco criticou nova política de elegibilidade para competições feminina e afirmou que decisão afeta todas as pessoas trans

16 ago 2026 - 10h22
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Tifanny Abreu se pronuncia pela primeira vez após CBV excluir atletas trans de suas competições femininas.
Tifanny Abreu se pronuncia pela primeira vez após CBV excluir atletas trans de suas competições femininas.
Foto: Reprodução/ ge

Tifanny Abreu se pronunciou pela primeira vez sobre a decisão da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) de adotar uma nova política de elegibilidade para atletas da categoria feminina. Após a derrota por 3 sets a 2 para o Pinheiros, neste sábado (15), pela estreia no Campeonato Paulista, a jogadora classificou a medida como um “enorme retrocesso” e afirmou que a decisão pode comprometer sua carreira no esporte.

“O voleibol é minha vida, meu trabalho. A CBV está tirando de mim tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que venho exercendo todos esses anos. São 10 anos no voleibol feminino. Não comecei ontem”, declarou Tifanny.

A atleta também destacou que os efeitos da nova política também têm impacto coletivo e estrutural.

“Isso não afeta somente a mim. Afeta meu clube, a torcida, patrocinadores, as pessoas que se inspiram em mim, o direito de todas as pessoas trans”, afirmou.

Tifanny ainda demonstrou sua tristeza e indignação com a norma ao sinalizar que estamos caminhando para o passado.

“É um enorme retrocesso na luta pelo reconhecimento e inclusão de todas as pessoas no esporte. Voltamos para uma forma vexatória, como se testavam as atletas nos anos 60 e 70. Estamos em 2026. Não podemos ter esse retrocesso jamais”, finalizou.

Tifanny tem 41 anos e esta pode ser a última temporada de sua carreira. A jogadora entrou para a história do voleibol brasileiro ao se tornar a primeira atleta trans a atuar na Superliga feminina, em 2017. Desde então, defende sua permanência no esporte e já disputou diversas temporadas da principal competição nacional.

Entenda a nova regra da CBV

Na sexta-feira (14), a CBV anunciou que passará a adotar, nas competições nacionais de vôlei de quadra e de praia, uma política de elegibilidade baseada nas novas diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Entre os critérios estabelecidos está a exigência de uma triagem genética para verificar a presença do gene SRY, associado ao cromossomo Y e as características sexuais e biológicas masculinas. De acordo com a CBV, a atleta que não comprovar a elegibilidade não poderá participar das competições abrangidas pela nova política.

A medida será aplicada a partir da Superliga A e B da temporada 2026/27, além da Supercopa 2026, da Copa Brasil 2027, do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027, na categoria adulta, e do CBVP Challenger 2027.

A entidade afirmou ainda que a recusa em realizar a triagem não será considerada uma infração disciplinar. No entanto, a atleta que não apresentar a comprovação exigida ficará impedida de disputar as competições.

Tifanny poderá disputar o Paulista

Apesar da nova determinação nacional, Tifanny está liberada para defender o Osasco no Campeonato Paulista. Isso ocorre porque o Estadual começou antes da publicação da nova política da CBV.

A Federação Paulista de Vôlei (FPV) informou que a competição seguirá as regras que estavam vigentes quando teve início, em 13 de agosto. Considerando que a determinação da CBV ocorreu depois, em 14 de agosto. Por esse motivo, a nova política não será aplicada imediatamente ao torneio.

Tifanny ainda poderá disputar o Campeonato Paulista pelo Osasco pelo fato da nova determinação ter sido lançada um dia após o início da competição.
Tifanny ainda poderá disputar o Campeonato Paulista pelo Osasco pelo fato da nova determinação ter sido lançada um dia após o início da competição.
Foto: Jogada10

A entidade paulista afirmou que eventuais mudanças futuras serão analisadas pelas áreas jurídica e de saúde.

Com isso, Tifanny poderá continuar atuando normalmente pelo Osasco no Estadual. A situação, porém, é diferente em relação às competições organizadas pela CBV: caso a política permaneça nos termos anunciados, a jogadora ficará impedida de disputar a Superliga 2026/27, a Supercopa e a Copa Brasil.

Osasco acionou departamento jurídico

O Osasco também se manifestou sobre a decisão e afirmou ter sido surpreendido pela mudança anunciada pela CBV e declarou apoio à Tifanny. O clube acionou seu departamento jurídico para analisar os impactos da nova política e declarou apoio à atleta.

Tifanny integra o elenco do Osasco desde 2021. A equipe é uma das principais forças do voleibol feminino brasileiro e disputa regularmente as principais competições nacionais.

*Com informações do Estadão Conteúdo.

Fonte: Portal Terra
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