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Osasco pede à CBV regra de transição para Tifanny jogar a Superliga; oposta admite ir à Justiça

1 out 2026 - 18h20
(atualizado às 18h20)
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Resumo
O Osasco tenta junto à CBV uma regra de transição para que a oposta Tifanny dispute a Superliga 2026/27 e encerre sua carreira em quadra, após a entidade adotar novos critérios de elegibilidade que barram a atleta. Embora o clube busque um acordo amigável pelo fato de o contrato ter sido renovado antes da mudança nas normas, a CBV resiste em alterar a decisão. Diante do impasse, Tifanny, que completou dez anos no vôlei feminino, afirmou que pretende recorrer à Justiça caso não haja consenso.

O Osasco São Cristóvão Saúde tenta junto à Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) uma regra de transição que permita a Tifanny Abreu disputar a Superliga 2026/27. A informação foi apurada pelo Web Vôlei nesta quinta-feira (1/10), durante o evento de lançamento da nova temporada da competição, em São Paulo.

Foto: Jogada10

A proposta busca uma solução para que a oposta possa concluir sua trajetória como atleta, dentro de quadra. A CBV, no entanto, disse que, no  momento, não  admite mudar a decisão.  Tifanny renovou contrato com o Osasco antes da mudança na política de elegibilidade da CBV e fazia parte do planejamento do clube para a temporada, incluindo a disputa da Superliga.

Presente no lançamento da competição nesta quinta, Tifanny falou sobre o momento que atravessa. Emocionada, deixou claro que espera uma solução por meio do diálogo, mas afirmou que poderá recorrer à Justiça caso não haja um acordo.

"Quero terminar minha temporada. Dez anos atuando. Dez anos que eu inspirei muitas pessoas. Atletas que me viram jogar, compartilharam comigo, falando que eu fui inspiração para elas. E eu quero poder terminar essa minha carreira de atleta com o pé direito", disse Tifanny.

"Se não for com uma boa conversa, que seja na Justiça"

A oposta também falou sobre a forma como gostaria de encerrar a trajetória nas quadras.

"Não assim, na sarjeta, como se nada tivesse acontecido. Não. Espero que algo possa mudar. Se não for numa boa conversa, de bom acordo, que seja na Justiça, para que a Justiça possa ser realizada", afirmou.

A situação de Tifanny mudou em agosto. No dia 14 daquele mês, a CBV anunciou uma nova política de elegibilidade para as competições da categoria feminina. A entidade passou a adotar critérios alinhados às políticas do Comitê Olímpico Internacional (COI), da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e da Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV).

A nova norma estabelece critérios de elegibilidade para a categoria feminina e prevê a testagem e triagem do gene SRY, com as exceções descritas na própria política. As regras passam a valer para competições nacionais organizadas pela CBV, entre elas as Superligas A e B 2026/27, a Supercopa 2026 e a Copa Brasil 2027.

A decisão atingiu diretamente Tifanny

Pouco menos de um mês antes, em julho, o Osasco havia anunciado a renovação da jogadora para a temporada 2026/27. Na ocasião, o próprio planejamento divulgado pelo clube previa Tifanny nas principais competições do calendário, entre elas Campeonato Paulista, Copa Brasil e Superliga.

Tifanny defende o Osasco desde 2021 e tornou-se uma das atletas mais identificadas com o clube. Na temporada 2024/25, fez parte do elenco campeão da Superliga, do Campeonato Paulista e da Copa Brasil. No ciclo seguinte, conquistou novamente a Copa Brasil e também a Supercopa.

A oposta continua podendo disputar o Campeonato Paulista de 2026. A competição estadual começou antes da divulgação da nova política da CBV e a Federação Paulista de Voleibol decidiu manter as normas que estavam vigentes no início do torneio.

Osasco quer regra de transição para que Tifanny tenha despedida digna

É justamente neste ponto que entra a tentativa do Osasco de construir uma regra de transição. O clube busca uma alternativa que permita à atleta concluir a temporada para a qual já havia renovado contrato antes da mudança dos critérios.

Para Tifanny, a discussão vai além de disputar ou não mais uma competição. Aos 41 anos, ela relaciona a tentativa de permanecer em quadra ao desejo de encerrar de maneira digna uma trajetória que começou no vôlei feminino brasileiro em 2017.

No evento desta quinta-feira, ela também falou sobre o significado de estar presente justamente no lançamento de uma Superliga que, pela regra atual, não poderá disputar.

"Aqui estou presente para mostrar que eu existo e que eu também tenho o direito de estar aqui", afirmou.

Tifanny destacou ainda o acolhimento recebido por outros atletas durante o evento e lembrou o impacto que acredita ter causado ao longo da carreira.

"Foram dez anos em que inspirei muitas pessoas, atletas que me viram jogar, compartilharam a quadra comigo e falam que eu fui inspiração para elas. Eu quero poder terminar essa minha carreira de atleta com o pé direito".

Jogada10
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