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CBV segue política do COI e proíbe participação de mulheres trans em competições femininas

Nova regra passa a exigir teste do gene SRY e terá impacto direto sobre Tifanny Abreu, campeã da última Superliga pelo Osasco

14 ago 2026 - 22h10
(atualizado às 22h15)
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Tifanny Abreu será impactada pela nova política da CBV que proíbe mulheres trans de competirem na categoria feminina.
Tifanny Abreu será impactada pela nova política da CBV que proíbe mulheres trans de competirem na categoria feminina.
Foto: Jogada10

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou nesta sexta-feira (14) uma nova política de elegibilidade para atletas das competições femininas. A entidade decidiu seguir os critérios estabelecidos pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em março deste ano e pelas regras adotadas pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e pela Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV). 

Na prática, a nova regulamentação “limita a elegibilidade nessa categoria exclusivamente às atletas do sexo biológico feminino”, aponta a CBV.  Assim, Tiffany, oposta do Osasco, ficaria proibida de atuar.

De acordo com a CBV, a elegibilidade será verificada por meio da triagem do gene SRY, localizado apenas no cromossomo Y, com exceções para situações específicas previstas na própria política. A regulamentação da FIVB determina que a categorização inicial seja baseada no resultado do teste: a presença do cromossomo Y direciona a atleta à categoria masculina, enquanto a ausência permite a participação na categoria feminina.

A política do COI foi publicada em 26 de março de 2026. Agora, a CBV segue a entidade internacional, com a justificativa de estabelecer “critérios e fundamentos da Política de Proteção da Categoria Feminina do COI”.

"Com a mudança dos parâmetros internacionais e da responsabilidade institucional, a CBV buscou manter o alinhamento entre as regras que regem as competições nacionais com as hoje vigentes para as competições internacionais", afirmou Radamés Lattari, presidente da confederação. Segundo ele, a mudança deixa os campeonatos brasileiros equiparados às competições internacionais.

Para João Olyntho, presidente do Conselho de Saúde do Voleibol da CBV, o procedimento para coleta do material utilizado na análise do SRY é "pouco intrusivo e altamente preciso".

Quais competições serão afetadas

A nova política entra em vigor imediatamente para as competições indicadas pela CBV. Entre elas estão a Superliga A e B da temporada 2026/27, a Supercopa 2026, a Copa Brasil 2027, o Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027, na categoria adulta, e o CBVP Challenger 2027.

Impacto direto sobre Tifanny Abreu

A mudança atinge diretamente Tifanny Abreu, atleta do Osasco São Cristóvão Saúde e primeira mulher trans a atuar na elite do vôlei feminino brasileiro. A jogadora defende o clube paulista desde 2021 e renovou seu contrato até 2026/2027.

A nova política, porém, não impede imediatamente a participação de Tifanny em todas as competições. O Campeonato Paulista, por exemplo, não aparece entre os torneios listados pela CBV para a aplicação da regra. A jogadora poderá, portanto, disputar o Estadual, em estreia contra o Pinheiros, neste sábado (15) , às 21h30. Enquanto aguarda, visto que sua situação para a próxima Superliga passa a depender dos novos critérios de elegibilidade.

Tifanny Abreu ainda poderá jogar o Campeonato Paulista pelo Osasco, com estreia contra o Pinheiros, neste sábado (15) às 21h30.
Tifanny Abreu ainda poderá jogar o Campeonato Paulista pelo Osasco, com estreia contra o Pinheiros, neste sábado (15) às 21h30.
Foto: Jogada10

Tifanny fez história na temporada 2024/25 ao conquistar a Superliga pelo Osasco. O título também marcou a primeira vez que uma atleta trans venceu a principal competição nacional de vôlei feminino. Na campanha, ela terminou como a quarta maior pontuadora da Superliga, com 442 pontos.

Manifestação do Osasco

O Osasco afirmou ter sido surpreendido pela publicação da política e disse que a decisão foi tomada sem participação ou consulta prévia com o clube. Em nota, a equipe declarou todo seu apoio a Tifanny neste momento, destacando seu compromisso permanente com o respeito e valorização de todas as pessoas que fazem parte da história do clube. Ainda informou que seu departamento jurídico está analisando a normativa para definir os próximos passos.

Veja a nota oficial do Osasco Voleibol Clube:

Fonte: Portal Terra
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