CBV segue política do COI e proíbe participação de mulheres trans em competições femininas
Nova regra passa a exigir teste do gene SRY e terá impacto direto sobre Tifanny Abreu, campeã da última Superliga pelo Osasco
A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou nesta sexta-feira (14) uma nova política de elegibilidade para atletas das competições femininas. A entidade decidiu seguir os critérios estabelecidos pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em março deste ano e pelas regras adotadas pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e pela Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV).
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Na prática, a nova regulamentação “limita a elegibilidade nessa categoria exclusivamente às atletas do sexo biológico feminino”, aponta a CBV. Assim, Tiffany, oposta do Osasco, ficaria proibida de atuar.
De acordo com a CBV, a elegibilidade será verificada por meio da triagem do gene SRY, localizado apenas no cromossomo Y, com exceções para situações específicas previstas na própria política. A regulamentação da FIVB determina que a categorização inicial seja baseada no resultado do teste: a presença do cromossomo Y direciona a atleta à categoria masculina, enquanto a ausência permite a participação na categoria feminina.
A política do COI foi publicada em 26 de março de 2026. Agora, a CBV segue a entidade internacional, com a justificativa de estabelecer “critérios e fundamentos da Política de Proteção da Categoria Feminina do COI”.
"Com a mudança dos parâmetros internacionais e da responsabilidade institucional, a CBV buscou manter o alinhamento entre as regras que regem as competições nacionais com as hoje vigentes para as competições internacionais", afirmou Radamés Lattari, presidente da confederação. Segundo ele, a mudança deixa os campeonatos brasileiros equiparados às competições internacionais.
Para João Olyntho, presidente do Conselho de Saúde do Voleibol da CBV, o procedimento para coleta do material utilizado na análise do SRY é "pouco intrusivo e altamente preciso".
Quais competições serão afetadas
A nova política entra em vigor imediatamente para as competições indicadas pela CBV. Entre elas estão a Superliga A e B da temporada 2026/27, a Supercopa 2026, a Copa Brasil 2027, o Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027, na categoria adulta, e o CBVP Challenger 2027.
Impacto direto sobre Tifanny Abreu
A mudança atinge diretamente Tifanny Abreu, atleta do Osasco São Cristóvão Saúde e primeira mulher trans a atuar na elite do vôlei feminino brasileiro. A jogadora defende o clube paulista desde 2021 e renovou seu contrato até 2026/2027.
A nova política, porém, não impede imediatamente a participação de Tifanny em todas as competições. O Campeonato Paulista, por exemplo, não aparece entre os torneios listados pela CBV para a aplicação da regra. A jogadora poderá, portanto, disputar o Estadual, em estreia contra o Pinheiros, neste sábado (15) , às 21h30. Enquanto aguarda, visto que sua situação para a próxima Superliga passa a depender dos novos critérios de elegibilidade.
Tifanny fez história na temporada 2024/25 ao conquistar a Superliga pelo Osasco. O título também marcou a primeira vez que uma atleta trans venceu a principal competição nacional de vôlei feminino. Na campanha, ela terminou como a quarta maior pontuadora da Superliga, com 442 pontos.
Manifestação do Osasco
O Osasco afirmou ter sido surpreendido pela publicação da política e disse que a decisão foi tomada sem participação ou consulta prévia com o clube. Em nota, a equipe declarou todo seu apoio a Tifanny neste momento, destacando seu compromisso permanente com o respeito e valorização de todas as pessoas que fazem parte da história do clube. Ainda informou que seu departamento jurídico está analisando a normativa para definir os próximos passos.
Veja a nota oficial do Osasco Voleibol Clube:
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