EUA eliminados pela Bélgica: qual foi o impacto de cartão vermelho anulado a pedido de Trump?
Técnico dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino, disse após a partida que a polêmica 'não afetou o nosso desempenho. Não é uma desculpa. Não era o nosso dia'.
Tudo começou com o alvoroço que nos habituamos a ver nos jogos dos Estados Unidos pela Copa do Mundo da Fifa de Futebol Masculino de 2026: torcedores fanáticos e impetuosos, fogos de artifício, muita fumaça e um sobrevoo de aeronaves militares.
Mas o sonho americano de vencer o torneio pela primeira vez se desfez na terça-feira com a derrota de 4 a 1 para a Bélgica — a maior desde 1990.
Com isso, a animada atmosfera que caracterizou suas partidas anteriores se desvaneceu muito antes do apito final, levando muitos torcedores a deixar o estádio em Seattle antes do fim do jogo.
A desclassificação americana nas oitavas de final veio após dois dias turbulentos. As manchetes foram dominadas pela polêmica decisão da Fifa de suspender o cartão vermelho de Folarin Balogun, mostrado na partida anterior contra a Bósnia-Herzegovina, e permitir que ele jogasse contra a Bélgica.
A campanha da seleção dos Estados Unidos até esta fase parecia ter chamado a atenção do país. Mas toda aquela positividade parece ter sido abalada pela saga de Balogun, o que não passou despercebido pelos belgas antes da partida.
"É ótimo ter o mundo ao nosso lado contra os Estados Unidos", declarou o lateral belga Timothy Castagne, antes do jogo.
A suspensão do cartão contraria regras da própria Fifa, que teria tomado a decisão após um pedido pessoal do presidente americano, Donald Trump, ao presidente da entidade, Gianni Infantino.
Balogun afirmou não ter ficado surpreso com a "controvérsia" da decisão. "Aceitei a decisão quando recebi o cartão vermelho e também aceitei a decisão quando me disseram que eu poderia jogar", declarou. "Realmente, não tenho muito mais a dizer a este respeito."
Mas será que toda essa polêmica decisão da Fifa teve algum impacto no desempenho da seleção americana?
Qual foi o impacto do caso Balogun para a equipe americana?
Houve algo de diferente no desempenho da seleção americana, além do placar adverso.
O técnico, Mauricio Pochettino, havia desfeito com sucesso a ideia de que a equipe era um azarão da Copa.
Eles jogaram até com um pouco de arrogância no início do torneio, atacando as demais seleções de forma impressionante. Tanto que os torcedores passaram a acreditar que sua equipe poderia contrariar as expectativas desta vez.
"Vamos ganhar a Copa do Mundo", previu um torcedor antes da partida. E ele não era o único a ter essa confiança entre o público que se reunia fora do Estádio de Seattle, nas horas que antecederam o início do jogo.
Muitos também mostraram grande satisfação quando seu atacante Balogun foi liberado para jogar, mesmo depois de receber um cartão vermelho direto por uma falta sobre o zagueiro bósnio Tarik Muharemovic, no jogo anterior.
A Fifa tomou a surpreendente decisão de postergar por 12 meses a suspensão automática do jogador por uma partida, gerando críticas generalizadas, incluindo da Uefa, da Bélgica e do técnico inglês Thomas Tuchel.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia declarado na segunda-feira (6/7) ter pedido à Fifa que revisasse a decisão de expulsão do jogador pois ele "não achava que tivesse sido falta".
Balogun marcou três gols nesta Copa do Mundo. Ele começou jogando contra a Bélgica, mas enfrentou dificuldades para fazer a diferença.
Questionado após a partida, Pochettino respondeu que a polêmica "não afetou o nosso desempenho. Não é uma desculpa. Não era o nosso dia."
"Mas, do lado pessoal, qual o propósito dos insultos ou de recebermos tantas mensagens ruins?", questionou o técnico.
"É norma da federação solicitar e tentar [impedir a suspensão]. Minha posição foi de treinar a equipe. Se Balogun estava disponível porque a Fifa permitiu que tivéssemos o jogador, não é um problema."
"Fico decepcionado com muitas pessoas", lamentou Pochettino. "Eles colocam a política e a manipulação, falam de ética e integridade [em primeiro lugar]."
"Se falarmos da história deste jogo, estou pessoalmente decepcionado."
O técnico da Bélgica, Rudi Garcia, revelou que Balogun o procurou logo depois da partida.
"Não é culpa dele, não é a ele que devemos culpar", declarou Garcia. "Foi o que eu disse a ele."
O custo das falhas da defesa
O ataque não foi o principal problema dos Estados Unidos contra a Bélgica. As falhas da defesa foram as grandes responsáveis pela goleada.
O belga Charles De Ketelaere estava sem marcação dentro da área quando abriu o placar. Depois, ele conseguiu levar a melhor sobre dois zagueiros para marcar de cabeça o segundo gol da Bélgica, momentos depois do empate dos Estados Unidos.
Mas o terceiro gol foi uma calamidade. De Ketelaere confrontou o hesitante goleiro americano Matt Freese, que havia saído da área para tentar tocar a bola. O goleiro entregou a bola de presente para Hans Vanaken, que chutou de fora da grande área, no canto inferior.
O placar de 3x1 fez a confiança dos torcedores americanos desabar. Eles começaram a sair do estádio nos 10 minutos finais, antes mesmo que Romelu Lukaku fechasse o placar, já nos acréscimos.
"Eles não tinham disposição para lutar pela bola", disse um torcedor americano decepcionado. "Não havia nada. Não havia vontade, o time estava morto hoje."
Outro torcedor destacou que "os Estados Unidos erraram sozinhos, o tempo inteiro."
"Não foi o melhor jogo deles, mas a Bélgica jogou o necessário para vencer a partida. Para silenciar a torcida, como eles fizeram, eles se colocaram em uma ótima posição para vencer."
Pochettino aceitou que seu time simplesmente não jogou o suficiente, desde o apito inicial.
"Em nenhum momento estivemos no jogo. Mesmo quando marcamos o gol de empate, entregamos o lance seguinte. Foi muito difícil desde o princípio."
Qual a influência da derrota para o legado da Copa nos EUA?
Após uma lenta preparação para a Copa do Mundo, poucos duvidam que os americanos tenham se engajado totalmente após o início do torneio.
Zonas de torcedores e bares em todo o país ficaram lotados e o uniforme da seleção do país era visto em toda parte.
A boa campanha até o mata-mata e o estilo da equipe, jogando no ataque, certamente ajudaram a aumentar o interesse das pessoas.
Agora, a questão é o que vem em seguida, com a seleção americana saindo do torneio nas oitavas de final, ao lado dos outros anfitriões, o México e o Canadá.
"Este não pode ser um reflexo direto do que estávamos tentando conquistar", declarou o meio-campista americano Tyler Adams.
"Você tem dias bons e dias ruins e este foi um mau dia. Não fomos até onde gostaríamos. Mas, se inspirarmos alguns meninos nesta jornada, teremos feito alguma coisa certa."
Alguns dos torcedores que conversaram com a BBC imediatamente após a derrota também achavam que, quando a poeira baixar, as últimas semanas acabarão sendo recordadas como positivas. Mas ainda há um longo caminho para que os Estados Unidos se consolidem como um país futebolístico.
"Organizamos um evento incrível e estamos muito animados com o futuro do futebol no país", disse um torcedor. "Todos estão falando sobre a Copa do Mundo por aqui."
Outro destacou que "a longo prazo, temos muito a fazer pela frente. Existe uma cultura estabelecida em torno do futebol e simplesmente ainda não chegamos lá."
Outra incerteza é o futuro de Pochettino.
O contrato do ex-técnico do clube inglês Tottenham vence no final da Copa do Mundo. E, após a partida, ele não forneceu nenhuma indicação sobre o que o futuro reserva para ele.
"Agora é hora de descansar um pouco, pensar, conversar e ver qual será a decisão, nossa e da federação", declarou ele.
"Estou muito feliz por termos construído boas relações, mas agora não é o momento. Nas próximas semanas, podemos começar a conversar, se a federação quiser."
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