Esgrima italiana fica sem ouro pela primeira vez em 40 anos
Time azzurro sai de Tóquio com três pratas e dois bronzes
A esgrima italiana encerrou sua participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio com uma frustrante eliminação para o Japão nas quartas de final do florete masculino por equipes e ficou sem ouros pela primeira vez desde as Olimpíadas de 1980, em Moscou.
O time formado por Alessio Foconi, Daniele Garozzo e Giorgio Avola perdeu por 45 a 43 e sequer teve a chance de brigar por medalha, em um resultado definido como "clamoroso" e "desastroso" pela imprensa italiana.
A Itália fechou sua participação na esgrima com o segundo maior número de medalhas no esporte (cinco), empatada com a França e atrás apenas do Comitê Olímpico Russo (sete), mas a falta de ouros virou motivo de questionamentos, sobretudo pelo fato de o país ter competido em todas as modalidades.
Ao todo, a equipe azzurra conquistou três pratas (Garozzo no florete masculino, Luigi Samele no sabre masculino e sabre masculino por equipes) e dois bronzes (feminino por equipes na espada e no florete), saldo que ficou aquém do esperado.
"Com a premissa de que o esporte italiano deve ser eternamente grato à esgrima, os resultados em Tóquio foram profundamente decepcionantes. Esperávamos algo muito diferente", disse à ANSA neste domingo (1º) o presidente do Comitê Olímpico Nacional Italiano (Coni), Giovanni Malagò.
Citando uma "grandíssima amargura" pelo rendimento do esporte mais vitorioso da história olímpica da Itália, Malagò afirmou que é necessário fazer uma "profunda reflexão" para as Olimpíadas de 2024, em Paris. "A partir de amanhã é preciso trabalhar para reconstruir o ambiente", acrescentou.
Já o presidente da Federação Italiana de Esgrima, Paolo Azzi, também admitiu que o balanço "não pode ser satisfatório", especialmente após a eliminação do florete masculino por equipes. "Faltou o ouro, e isso pesa, e também faltaram medalhas em modalidades nas quais era lícito esperá-las", disse.
Dominante
A Itália lidera o ranking histórico de medalhas na esgrima olímpica, com 130 no total (49 ouros, 46 pratas e 35 bronzes). Esse esporte também é a principal fonte de pódios para o país nas Olimpíadas, com mais do que o segundo e o terceiro colocados (ciclismo e atletismo, ambos com 60) somados.
A esgrima olímpica era historicamente dominada por um pequeno grupo de países, como Itália, França, Hungria e Rússia/União Soviética, mas tem se democratizado para lugares com menos tradição, como Estônia e Hong Kong, que venceram em Tóquio suas primeiras medalhas de ouro no esporte.
"O nível está altíssimo. Ficou evidente nestas Olimpíadas que agora o mundo nos alcançou", reconheceu o esgrimista Giorgio Avola após a eliminação para o Japão neste domingo. "Precisamos fazer uma análise para entender o que aconteceu", disse.
Ao todo, 13 bandeiras diferentes subiram ao pódio da esgrima em Tóquio, sendo nove no lugar mais alto: Comitê Olímpico Russo, com três, e China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Estônia, França, Hungria, Hong Kong e Japão, com um ouro cada.
Para efeito de comparação, as Olimpíadas de Londres e do Rio de Janeiro tiveram, cada uma, seis países como medalhistas de ouro.
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