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Entre compostos, performance e comida de verdade, Arnold Sports revela outro lado do mercado fitness

Arnold reúne mais de 105 mil visitantes e cerca de 250 expositores.

26 abr 2026 - 16h30
(atualizado às 16h30)
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Foto: Savaget | Divulgação / Esporte News Mundo

Nos corredores do Arnold Sports Festival South America 2026, em São Paulo, a cena se repete: estandes lotados, filas para degustação, consumidores disputando espaço para ver ídolos e uma avalanche de lançamentos que transformam a feira em um retrato fiel de um setor em expansão — mas também em transição.

Se, por um lado, a chamada "proteinização" do consumo domina o ambiente, por outro, o evento escancara um movimento mais amplo: a busca por saúde, longevidade e equilíbrio metabólico.

Realizado no Expo Center Norte, na capital paulista, o Arnold reúne mais de 105 mil visitantes, cerca de 250 expositores e mais de 200 marcas, com expectativa de movimentar aproximadamente R$ 1 bilhão em negócios.

Esse novo cenário convive com a rápida popularização dos medicamentos para controle de peso, conhecidos como "canetas emagrecedoras".

Esses fármacos, como a semaglutida (Ozempic/Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro), atuam reduzindo o apetite e alterando o padrão alimentar — o que tem impacto direto na ingestão de nutrientes. Jaime Azevedo, presidente da Under Labz, afirma que esse movimento já gera efeitos colaterais no comportamento alimentar.

"Hoje, quando a gente fala de saudabilidade, a proteína é o produto mais consumido e mais buscado. Mas, com o fenômeno das canetas emagrecedoras, muita gente está entrando em déficit de vitaminas e minerais."

Segundo Jaime Azevedo, o foco exclusivo em macronutrientes começa a mostrar limitações. "Não adianta querer emagrecer ou buscar performance ingerindo só macronutrientes. Os reguladores são fundamentais. Suplemento não substitui refeição."

A resposta da indústria aparece nos próprios estandes do Arnold. Além dos produtos tradicionais, cresce a presença de uma nova geração de soluções voltadas à regulação do organismo — incluindo vitaminas, minerais, ômega 3, coenzima Q10, antioxidantes e compostos manipulados.

Foto: Savaget | Divulgação / Esporte News Mundo

Também ganham espaço fitoterápicos e fórmulas voltadas à modulação hormonal natural, especialmente para consumidores que buscam alternativas à hormonização.

Esse movimento amplia o debate dentro do setor, trazendo temas como posologia, biodisponibilidade e qualidade das fórmulas para o centro da discussão. "Tudo que foge muito do preço das marcas tradicionais precisa gerar desconfiança. Tem muito produto falsificado sendo vendido em marketplace."

A volta da base: comida de verdade

Em meio à sofisticação da suplementação, um movimento chama atenção pela simplicidade: o retorno da alimentação baseada em comida de verdade. Empresas de marmitas fitness ganham espaço ao oferecer soluções práticas para consumidores que buscam manter a base alimentar em meio à rotina acelerada.

O CEO da 3FIT, Nailton Nascimento, empresa que atua no segmento de marmitas fitness com foco em comida de verdade, reforça esse ponto. "Hoje a gente sabe que 80% do resultado de quem está buscando performance é a alimentação. Você pode treinar, até suplementar, mas se não tiver a base, que é o alimento de verdade, não vai ter resultado."

Segundo Nascimento, a demanda cresce especialmente nos grandes centros urbanos. "Principalmente em cidades como São Paulo, cada vez mais a gente tem menos tempo. Então a 3FIT vem para suprir essa demanda, para quem não consegue cozinhar conseguir manter uma alimentação adequada."

Foto: Flávio Perez | on Board / Esporte News Mundo

"Hoje nós somos a única marca que trabalha com grandes influenciadores no nicho de marmitas fitness, como Sardinha e Léo Stronda. Eles agregam valor à marca e aproximam o público desse tipo de alimentação."

Entre medicamentos, compostos bioativos, suplementação e alimentação estruturada, o fitness passa a operar em uma lógica mais integrada — onde estética, saúde e ciência caminham juntas.

Esse deslocamento de foco ajuda a explicar a evolução do mercado. O especialista em ciência e saúde da FTW Rafael Barlezi, com experiência em clubes de futebol, afirma que o conceito de performance está sendo substituído por uma lógica mais duradoura.

"A gente não consegue mudar a idade cronológica, mas consegue atuar na idade biológica com treino, alimentação e sono. Essa abordagem nasceu no esporte de alto rendimento e agora se expande para a população geral".

"O que a gente fazia com atleta de alto rendimento hoje está sendo aplicado na população geral. O objetivo agora é manter o corpo funcional ao longo da vida".

Esse rearranjo do consumo não se limita aos produtos — começa a se refletir também no comportamento social e na forma como o público se relaciona com saúde e lazer. A mudança, perceptível nos corredores do próprio Arnold, acompanha uma nova dinâmica fora das academias, com hábitos mais alinhados ao bem-estar e à rotina diurna.

O influenciador Leo Stronda, um dos nomes populares do universo fitness, observa que essa transformação já impacta até a forma como as pessoas se encontram.

"A gente teve uma diminuição de mais ou menos 20% a 30% de casas noturnas no Brasil. Começou a ter um movimento que é o 'café party', em que as pessoas se encontram durante o dia numa cafeteria."

O Arnold Sports Festival South America 2026 é organizado pela Savaget Group. Em paralelo à área de exposição, feiraa abriga mais de 20 modalidades esportivas — com o fisiculturismo como principal destaque — reunindo cerca de 8,4 mil atletas.

Esporte News Mundo
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