Raça e estrela: Sheik levanta torcida e lembra herói de 2012
Que Emerson Sheik é um ídolo eternizado no coração do torcedor do Corinthians não é novidade. Fazer dois gols na final da Libertadores de 2012 contra o Boca Juniors é algo que o jogador levará para sempre no currículo. Mas também é fato que, desde então, o atacante raramente fez uma partida de destaque – produzindo pouco e perdendo gols em 2013, foi escorraçado por Mano Menezes em 2014. Nesta quarta, porém, diante do Once Caldas, ele teve novamente lampejos do herói que a fiel torcida idolatra há dois anos e meio.
Autor do primeiro gol e responsável por ganhar o escanteio que gerou o segundo, Emerson se destacou na catimbada vitória por 4 a 0 diante dos colombianos, no estilo Libertadores: mais na base da raça e da estrela do que por grandes jogadas. Escalado aberto pela esquerda no ataque corintiano, ele fez o torcedor respirar aliviado logo no primeiro minuto em um jogo que tinha tudo para começar com tensão – tentou cruzar e acabou mandando a bola dentro da rede do goleiro Cuadrado.
A explosão de alegria com o gol logo começou a dar lugar a alguns erros técnicos de Sheik. Um passe errado na ponta, uma tentativa de toque de letra que saiu pela lateral... mas tudo era esquecido a cada desarme, a cada momento de entrega do camisa 11. Responsável pela marcação do lateral direito Piedrahita (aquele que era reserva do Tolima), Emerson se dedicou à tarefa defensiva, ajudou muito Fábio Santos e fez a arquibancada vibrar a cada desarme ou dividida.
A malandragem, outra marca registrada do atacante, também não faltou na Arena Corinthians. Sempre provocando e falando qualquer coisa no ouvido dos colombianos a cada lance, Emerson aproveitou uma falta sofrida no fim do primeiro tempo para sair rolando exageradamente no chão, rendendo um cartão amarelo para Murillo – que depois seria expulso pela segunda advertência. Ainda deu tempo para um raro lance de beleza plástica, um chute colocado no travessão que quase aumentou o placar.
Após a expulsão infantil de Guerrero, Emerson teve ainda mais tarefas defensivas, com o Corinthians recuado e explorando o contra-ataque. E tanto na defesa como no ataque, ele infernizou Piedrahita pela esquerda, enervando o lateral colombiano a cada lance. Quando o Once Caldas vivia seu melhor momento no jogo, Sheik ganhou um escanteio na base da experiência; na cobrança de Jadson, Felipe testou para fazer 2 a 0.
Quando o camisa 11 foi substituído por Mendoza nos minutos finais, a torcida entendeu o recado e ovacionou o ídolo: "o Sheik vem aí e o bicho vai pegar". Elias e Fagner ainda marcaram golaços no fim para fechar o marcador, mas o personagem da partida já estava definido: Emerson, o herói de 2012 que há tanto tempo não convencia dentro de campo, mostrou que jogo decisivo e catimbado ainda pode ser com ele.