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Clubes sofrem para pagar em dia e ninguém "nada em dinheiro"

13 set 2014 - 10h03
(atualizado às 17h16)
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O problema financeiro vivido no futebol brasileiro fica cada dia mais exposto. Os noticiários, quase semanalmente, mostram esse problema que atinge a maioria dos clubes, tanto na Série A e B quanto na Série C e D. Apesar de o futebol paranaense ter esse assunto debatido com maior frequência devido ao Paraná, o Coritiba também possui atrasos salariais, mas que são tratados em sua maioria internamente. E essa não é uma proeza apenas do Estado, pois um grande número de times brasileiros passa pela mesma situação.

Atualmente, na Série A, três clubes confessam que não tem cumprido com as obrigações salariais aos seus funcionários no prazo certo. Na Série B, o número cresce e chega a quase metade dos participantes: oito.

Apesar de parecer que não seja algo tão assustador, apenas Cruzeiro, Grêmio, Palmeiras, Chapecoense, Figueirense, Criciúma, Vitória e Sport não tiveram nada relacionado ao problema salarial neste ano. Mas há notícias desse histórico em um passado recente e "nadar em dinheiro" é uma realidade muito distante.

Confira abaixo um panorama feito pelo Terra com as principais equipes do país:

Paraná
O Atlético-PR é o único do trio com as finanças em dia. Pelo menos na questão do futebol profissional, excluindo as obras da Arena da Baixada. Até pela política da gestão rubro-negra, os jogadores evitam expor algum problema do clube com medo de uma possível repreensão.

<p>Zé Love desabafa nas redes sociais com atraso no pagamento do Coritiba</p>
Zé Love desabafa nas redes sociais com atraso no pagamento do Coritiba
Foto: Instagram / Reprodução

No Coritiba, o atacante Zé Love e o zagueiro Leandro Almeida expuseram o atraso salarial de três meses no Instagram – algo já feito pelo próprio zagueiro no ano passado, por meio do Twitter. A diretoria alviverde alega que o débito chega a dois, mas não existe uma promessa de pagamento.

O Paraná é o que tem o pior cenário. Desde 2008, quando estava na Série B, o noticiário em relação aos salários atrasados é frequente pelos lados da Vila Capanema. No momento, o débito é de dois meses e constantes promessas de pagamento não cumpridas, fora greves feitas – como não treinar – na temporada.

Rio de Janeiro

O Fluminense, com apoio da Unimed, dificilmente vive esse dilema. Ano passado, até chegou a atrasar dois meses de salário no segundo semestre. Em 2014, direitos de imagem de atletas mais experientes atrasaram em abril, sendo resolvido sem alarde. O Vasco está passando a crise que vem desde o primeiro semestre aos poucos. Na metade do mês passado, a direção recebeu luvas de sua nova fornecedora de material esportivo e pagou o mês de junho.

O time rubro-negro carioca teve que se virar nesse quesito em janeiro e a partir de maio. Apesar disso, o atraso que acontece na Gávea é de poucos dias, não estendendo a um mês completo – o que é constantemente valorizado pela atual diretoria.

Crítica é a situação do Botafogo. Exposto nacionalmente por seus atletas, o time alvinegro parece não ter uma luz no fim do túnel tão cedo. A pendência, atualmente, está em dois meses de salários e seis de direitos de imagem.

<p>Flamengo tem se equilibrado dentro do possível para não atrasar salários</p>
Flamengo tem se equilibrado dentro do possível para não atrasar salários
Foto: Buda Mendes / Getty Images

Rio Grande do Sul
A dupla Internacional e Grêmio está rigorosamente em dia. Semana passada, surgiu a informação de que os direitos de imagens da equipe colocaram estavam atrasadas em três meses. A direção nega.

O problema de fato acontece no interior. O Juventude quase completou três meses de atrasos, pagando um mês somente no dia 29 de agosto. A direção alega que o atraso é de um mês e não dois. O Caxias, da mesma cidade, não apresenta problemas nesse sentido.

São Paulo
Nos quatro grandes de São Paulo, a questão é rara. O Santos, no litoral paulista, viveu o problema salarial de dois meses em abril, além de premiações e reclamação do volante Cícero, agora no Fluminense. No mesmo mês, a direção conseguiu quitar o débito e nega que existiu outra dívida em junho com seus atletas.

O Corinthians passou pelo problema logo em janeiro e, após quitar dívidas fiscais, projeta que possa existir um novo atraso em novembro. Para isso não acontecer, o clube pode vender um de seus atletas para aliviar o caixa.

<p>Presidente do São Paulo, Aidar admite que tem se virado para não atrasar</p>
Presidente do São Paulo, Aidar admite que tem se virado para não atrasar
Foto: Allan Farina / Terra

No Palmeiras, o débito aconteceu em 2013, na disputa da Série B. Neste ano, tudo corre normalmente. O São Paulo, que sempre teve a fama de bom pagador, deve premiações a seus jogadores e nega que exista qualquer tipo de atraso durante o ano, tanto para atletas quanto para o técnico Muricy Ramalho. Também há rumores de atraso nos direitos de imagem, o que o presidente Carlos Miguel Aidar nega. 

No ano passado, o elenco da Portuguesa fez greve em dezembro por não receber. Na semana passada, os zagueiros Valdomiro e meia Coutinho saíram do clube através da Justiça por conta dos atrasos no FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). A diretoria afirma que apenas julho está em atraso nesse quesito, com os salários sendo pagos.

No interior, a Ponte Preta está em dia. O combinado é sempre pagar no dia 25 do mês seguinte. Durante a Série B, na pausa para a Copa do Mundo, chegou a ter um mês e meio de atraso, mas depois que a competição voltou e, com o dinheiro da venda do César para o Benfica-POR, a Ponte conseguiu colocar as contas em dia. Mesmo assim, em alguns meses, atrasa alguns dias.

O Guarani, por outro lado, vive um drama. A diretoria combinou com os jogadores de pagar os salários sempre no dia 20 do mês seguinte. Na semana passada, depois que o presidente Álvaro Negrão renunciou, o clube contou com a ajuda de uma empresa (Magnum Relógios), pagou a metade de junho que estava faltando e prometeu pagar julho até o fim da semana. Se cumprir, coloca os salários em dia, pois o mês de agosto vence apenas dia 20 de setembro.

Na semana passada, os jogadores chegaram até a ameaçar greve caso os salários de junho não fossem quitados. Os funcionários estão com mais de quatro meses atrasados e a diretoria prometeu pagar um mês e meio também até o final da semana. A possibilidade do leilão do Brinco de Ouro, sempre volta à tona no “Bugre” para solucionar esse cenário.

Oeste e Bragantino, também do interior paulista, possuem cenários sem sustos. Os dois clubes possuem a folha em dia desde o início deste ano.

Minas Gerais
O Atlético-MG estava devendo a seus jogadores os salários referentes aos meses de junho e julho, mas conseguiu pagar o débito no final do mês passado e agosto está programado para receber na data estipulada. O rival Cruzeiro manteve a folha rigorosamente em dia por toda a temporada. O mesmo acontece com o América-MG e Boa Esporte, na Série B.

<p>Kalil já recorreu até a carta para Dilma  </p>
Kalil já recorreu até a carta para Dilma
Foto: Bruno Cantini/Atlético Mineiro / Divulgação

Santa Catarina
No estado vizinho, o panorama é bem tranquilo. Apenas um time tem problemas financeiros. Pela primeira vez na elite do futebol brasileiro, a Chapecoense tem uma política de não fazer loucura justamente para manter as obrigações em dia. Mesmo com o acesso, segue a linha e cumpre com o combinado.

Atualmente, o Avaí está com o vencimento de julho em atraso, com agosto vencendo agora – além de três premiações. Durante o ano, é o quarto atraso em nove meses. Pela terceira vez, os atletas adotaram a lei do silêncio, que consiste em não dar entrevista coletiva.

Já Figueirense, Joinville e Criciúma seguem o padrão do estreante na Série A. Apenas o JEC chegou a dever o 13º de 2013, tendo rápida solução. Na temporada, não há notícias de que algum time chegou a atrasar algum vencimento com seus funcionários.

Goiás
Atlético-GO está com dois meses de salários atrasados. Essa situação, inclusive, é rotineira e vem desde o início do ano, com o pagamento acontecendo sempre antes de fechar o terceiro mês – o que deixa o jogador livre para procurar a Justiça e deixar o clube. Assim como no Paraná, os atletas chegaram a recusar a fazer um jogo-treino em forma de protesto.

Já o Vila Nova teve um pequeno atraso no primeiro semestre, mas acabou pagando e vem mantendo o salário em dia no decorrer do ano. O Goiás é o único em Goiânia que não conviveu com o problema na temporada e paga pontualmente ao elenco.

<p>Sport paga em dia e ainda abriu o bolso por Ibson e Diego Souza</p>
Sport paga em dia e ainda abriu o bolso por Ibson e Diego Souza
Foto: Direto do Recife (PE) / Brisa Comunicação e Arte - Especial para o Terra
Pernambuco
No estado pernambucano, apenas o Sport faz o seu papel com os funcionários. O Santa Cruz chegou a dois meses de atrasos e pagou junho no final de agosto. Agora, restam julho e agosto que vence neste mês. Em 2013, o clube também conviveu com o problema na Série C.

No Náutico, os atrasos começaram a ser noticiados em junho. Atletas afirmam que o débito chegou há três meses. No dia 28 do mês passado, a direção pagou 70% do salário de julho e agora deve o restante, além de dois meses de direitos de imagem.

Bahia
Lanterna da Série A, o Vitória convive com protestos. Mas não dos atletas e sim da torcida. Semana passada, integrantes de uma organizada protestaram no Estádio Barradão com a seguinte faixa: “salários em dia, futebol atrasado”. As finanças do clube, durante o ano, não apontaram nenhum atraso salarial.

No Bahia, os atrasos possuem certa frequência. No início do ano, a equipe entrou devendo o mês de dezembro e o 13º salário. Em abril aconteceu novos rumores de três meses de atrasos nos salários dos atletas. Já agora em setembro, um atleta falou em uma rádio local que os vencimentos voltaram a atrasar em dois meses.

Rio Grande do Norte
Em Natal, o ABC conviveu com problemas salariais em 2013 e com ameaças de greve no final do ano. Nesta temporada, apenas funcionários ficaram com os vencimentos atrasados, em meados de abril. O futebol profissional, por outro lado, recebe em dia desde janeiro. O América-RN mantém o mesmo rumo e não possui pendências salariais.

Ceará
O único que ainda não teve problemas financeiros foi o Ceará. O Fortaleza passou por esse cenário em abril deste ano, quando ficou devendo o mês anterior. O pagamento acontece no mês seguinte e, desde lá, não aconteceu de novo.

O Icasa é o que mais vive problemas com o pagamento. Recentemente, o está com dois meses sem pagar seus jogadores. O elenco realizou greve e jogadores também deixaram a equipe. A promessa da quitação de uma parte está para este mês e, assim, a greve parou. Contra o Paraná, na 17ª rodada, os atletas entraram com uma faixa de protesto.

Série A

Atlético-MG: em dia
Atlético-PR: em dia
Bahia: dois meses
Botafogo: dois meses e seis de direitos de imagem
Chapecoense: em dia
Corinthians: em dia
Coritiba: dois meses
Criciúma: em dia
Cruzeiro: em dia
Figueirense: em dia
Flamengo: em dia
Fluminense: em dia
Goiás: em dia
Grêmio: em dia
Internacional: em dia
Palmeiras: em dia
Santos: em dia
São Paulo: em dia
Sport: em dia
Vitória: em dia

Série B

ABC: em dia
Atlético-GO: dois meses
América-MG: em dia
América-RN: em dia
Avaí: um mês e bicho
Boa Esporte: em dia
Bragantino: em dia
Ceará: em dia
Icasa: dois meses
Joinville: em dia
Luverdense: em dia
Náutico: um mês
Oeste: em dia
Paraná: dois meses
Ponte Preta: em dia
Portuguesa: um mês
Sampaio Corrêa: em dia
Santa Cruz: um mês
Vasco da Gama: um mês
Vila Nova: em dia


W.O como protesto em campo

Jogadores do Operário se deitaram no gramado em apoio ao protesto do Barueri
Jogadores do Operário se deitaram no gramado em apoio ao protesto do Barueri
Foto: Marcos Bezerra / Futura Press

No dia 15 de agosto deste ano, os jogadores do Grêmio Barueri inovaram e na moderna Arena, diante do Operário-MT, protestaram contra os atrasos salariais. Os jogadores do time paulista desistiram do jogo e não entraram em campo. O incidente premiou o adversário com o placar de 3 a 0.

Os jogadores do Barueri admitiram na época que não estavam em greve, mas cumprindo o artigo 32 da Lei 9.615/98, que diz: "É lícito ao atleta profissional recusar competir por entidade de prática desportiva quando seus salários, no todo ou em parte, estiverem atrasados em dois ou mais meses”.

Colaboraram André Esmeriz, João Paulo di Medeiros, Klaus Richmond e Marcellus Madureira.

Fonte: PGTM Comunicação - Especial para o Terra PGTM Comunicação - Especial para o Terra
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