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A estranha experiência de não ver torcedores apoiando atletas na Olimpíada de Tóquio; leia análise

Brasil bate Alemanha no silencioso estádio de Yokohama, que já recebeu milhares de fãs tanto na conquista do penta, em 2002, quanto no Mundial de Clubes do Corinthians, em 2012

23 jul 2021 00h01
| atualizado às 00h01
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Estive pela primeira vez no belo Estádio Internacional de Yokohama em 16 de dezembro de 2012, dia em que o Corinthians bateu o Chelsea por 1 a 0 e conquistou o Mundial de Clubes da Fifa. Foi uma experiência ímpar fazer a cobertura in loco da saga de mais de 30 mil corintianos de várias partes do mundo, que "invadiram" o Japão para acompanhar o time do coração (exagerado, Mário Gobbi, presidente do clube à época, chegou a dizer que nem se uma pessoa reencarnasse cem mil vezes iria ver aquela cena se repetir).

Neste 22 de julho de 2021, voltei ao Estádio Internacional de Yokohama nos Jogos Olímpicos de Tóquio. E a diferença de ambiente em relação a nove anos atrás foi abissal. Nas gigantescas arquibancadas com capacidade para receber até 72 mil pessoas não havia um único torcedor.

Por causa da pandemia do novo coronavírus, o maior de todos os estádios no Japão esteve vazio para a estreia da seleção brasileira diante da Alemanha. Foi também um contraste colossal com a noite de domingo, 30 de junho de 2002, quando no mesmo local, contra a mesma Alemanha, o Brasil sagrou-se pentacampeão mundial com dois gols de Ronaldo Fenômeno e sob os olhares de nada menos do que 69.029 torcedores.

Entre o penta do Brasil, o Mundial do Corinthians e os Jogos Olímpicos de Tóquio, muita coisa mudou. Mas nada como uma pandemia que obriga as pessoas a se manterem distantes umas das outras, um contrassenso ao espírito olímpico, de união dos povos.

A partida desta quinta-feira foi uma mostra de como será essa Olimpíada sem público até o dia 8 de agosto. É tão estranho não ver torcedores apoiando os atletas nas arquibancadas, que isso nunca havia acontecido na centenária história olímpica até esta edição dos Jogos no Japão. Nesta quinta-feira, jornalistas, funcionários e voluntários que estiveram trabalhando no Estádio Internacional de Yokohama puderam ouvir com clareza o som da batida na bola a cada cobrança de escanteio, falta ou cruzamento dos jogadores de Brasil e Alemanha.

O vazio também realçou os aplausos dos jogadores reservas quando um companheiro que estava em campo fazia uma boa jogada. O que falar, então, do estrilar do apito do juiz salvadorenho Iván Barton? Parecia ter a força de uma bateria de escola de samba.

Durante os 90 minutos, o sistema do som do estádio emitiu um contínuo (e por vezes irritante) barulho imitando a presença de torcedores. O zumbido só era interrompido a cada gol, quando saía das caixas de som em volume bastante alto uma música de gosto duvidoso para celebrar o lance.

Mas, graças ao vazio do estádio, foi possível também notar melhor a liderança de Daniel Alves, aos 38 anos, dentro desse grupo de garotos em busca do segundo ouro olímpico do Brasil. Com ou sem a bola, o jogador do São Paulo gesticulou e falou muito para orientar o posicionamento dos companheiros. Funcionou em boa parte do jogo.

Estadão
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