Com cavalo de R$ 480 mil, brasileira mira top 10 olímpico
- Thiago Bordini Tufano
- Direto de São Paulo
A amazona Luiza Almeida é a grande promessa do Brasil para os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara 2011, Olimpíada de Londres 2012 e, principalmente, para Rio de Janeiro 2016. Em entrevista ao Terra, a brasileira de apenas 19 anos mostra todo seu amadurecimento depois da participação de Pequim 2008, quando tornou-se a mais nova atleta a participar de uma prova olímpica de hipismo, com 16 anos, e aposta em um grande resultado para a competição na capital britânica do ano que vem: o top 10 do Brasil.
Mas essa missão não será nada fácil. Apesar da experiência de seu cavalo, o Samba, que segundo Luiza vale cerca de US$ 300 mil (aproximadamente R$ 480 mil) e já esteve em grandes competições, como a própria Olimpíada de Pequim, a classificação para Londres será bem complicada. A maneira menos difícil de carimbar o passaporte para Inglaterra é através do Pan de Guadalajara. Um pódio na cidade mexicana garante a amazona na Olimpíada. Caso contrário, a outra seletiva se dá através de um ranking, porém, apenas o melhor atleta de toda a América Latina, poderá competir na Inglaterra.
A ideia de Luiza é competir com Samba na Olimpíada, já que seu melhor cavalo já participou de uma competição desse porte e não pode ¿descer¿ de categoria para disputar o Pan. Para a competição em Guadalajara, a amazona treina com Pastor, um cavalo de 1,75 m e cerca de 800 kg, adquirido pela atleta no fim do ano passado. Samba, por sua vez, está com Luiza desde que tinha 5 anos. Hoje o animal tem 12 anos e está em seu auge.
Confira a entrevista com Luiza Almeida ma íntegra:
Terra: Como iniciou no hipismo e porque escolheu o adestramento?
Luiza Almeida: Desde muito pequena tive uma relação muito grande com cavalos porque meus pais têm uma fazenda no interior de São Paulo. Então todas as férias, finais de semana, a gente montava e minha mãe saltava. Comecei no salto, mas eu era muito ruim, caía sempre. Então minha mãe falou para eu ir para o adestramento corrigir minha postura. Ia ser temporário, mas acabei ficando e gostando.
Terra: Qual a maior dificuldade que você encontra no hipismo?
Luiza Almeida: O adestramento é muito detalhe. Cada centímetro da pista conta e você pode perder a prova por causa disso. Você tem que alcançar a perfeição. Esse é o ponto mais difícil do hipismo de adestramento. Tem que ser bem detalhista e o mais perfeccionista possível.
Terra: Você foi a mais jovem amazona a disputar uma Olimpíada. Quando competiu em Pequim, o que passou pela sua cabeça? Qual foi a sensação?
Luiza Almeida: Foi a maior experiência da minha vida é o sonho de qualquer atleta. Tinha um público muito grande, cerca de 13 mil pessoas e normalmente nas provas aqui na hípica tem 20 assistindo. Fiquei ansiosa, mas depois que você entra na prova sempre aproveita o máximo. Porque em Pequim não estava entrando para competir, estava para participar, mas agora é diferente. Estamos com os melhores cavaleiros e estamos recebendo investimento para ter melhores condições, melhores técnicos, então quem sabe não surpreendemos.
Terra: Quais são as expectativas para os Jogos Pan-Americanos? E para as Olimpíadas de Londres?
Luiza Almeida: O Pan eu acho que, se mantivermos nossa média, dá para brigar por uma prata, sonhando alto. Mas na Olimpíada se conseguirmos chegar entre as 10 já é muito bom. Será uma super vitória.
Terra: Como é a rotina de treinos?
Luiza Almeida: No hipismo, monto duas vezes por dia. Das 8h às 10h30 e depois à tarde das 14h às 16h30. Mos cavalos têm mais um treino na esteira todos os dias, então eles treinam três vezes e eu duas. Mas isso porque a preparação do cavalo é muito mais pesada do que a nossa. O verdadeiro atleta é o cavalo.
Terra: Por ser muito nova, precisou abrir mão de coisas como estudos ou conseguiu conciliar aos treinos?
Luiza Almeida: Até o Pan eu estava conseguindo levar, porque como o cavalo cansa não exige muitas horas de treinamentos. Não precisava ser uma super atleta, então sempre consegui levar. Mas quando você começa a levar a sério, um único treino não basta, e tive que parar de estudar por um ano, quando fui morar fora, na Alemanha. Mas acho super importante estudar, então voltei e estou na faculdade, fazendo administração.
Terra: Quanto custa ser um atleta de adestramento? Qual o valor do cavalo, equipamentos, manutenção, local de treinos, etc?
Luiza Almeida: Não é nada barato, mas depende muito. Meu pai é criador de cavalo lusitano, então o custo desse cavalo eu não tive. Tem o custo da hípica, veterinário, ração, mas não é nada barato. E quanto mais alta performance mais caro fica. O custo gira em torno de R$ 1,3 mil. O Pastor foi comprado, mas o Samba nasceu com a gente. O Samba para mim não tem preço, mas ele vale uns US$ 300 mil. É um preço bem alto para um cavalo, mas o melhor do mundo foi vendido por 14 milhões de euros. O samba é um cavalo olímpico, mas não é o top do olímpico. O melhor do mundo seria esse de 14 milhões. É um mercado que vive disso, se o cavalo é reprodutor aumenta o preço. É uma super indústria. E eu, por mais que seja profissional, tenho um carinho, um sentimento pelo cavalo. Não faço comércio e graças a Deus não preciso vender o Samba. Se eu tivesse nessa indústria, como esses caras que vendem, eu já teria que ter vendido porque passou a Olimpíada e ele tem 12 anos. O rendimento pode cair e tem que ser vendido no auge.
Terra: Existe uma maneira de tornar esse esporte mais popular?
Luiza Almeida: Se você quer ser um atleta de alto rendimento o preço é esse. Mas em qualquer esporte de alto rendimento é assim. Porém existem aulas de montaria por R$ 150 mensais. Estamos trabalhando para tornar mais acessível.