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O melhor e o pior de Neymar afloram no empate com a Venezuela

Lado psicólogo de Fernando Diniz precisa convencer camisa 10 da seleção a deixar de lado sua versão que atrapalha o time

13 out 2023 - 08h16
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Neymar teve atuação abaixo da média contra a Venezuela
Neymar teve atuação abaixo da média contra a Venezuela
Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Quase ninguém se destacou tecnicamente no empate da seleção brasileira com a Venezuela, em Cuiabá. Menção honrosa ao estreante Yan Couto, de 21 anos, que mostrou personalidade ao substituir Danilo ainda no primeiro tempo, não é exagero afirmar que o Brasil teve uma atuação coletiva – e sobretudo individual – bem abaixo do que deve apresentar.

A avaliação se estende a Neymar, que, em três atos, até chegou a indicar que poderia destoar da noite pouco inspirada dos companheiros. No começo do jogo, uma caneta seguida de um drible de letra em Rincón, que o parou com falta. No segundo tempo, uma pedalada diante do capitão venezuelano que precedeu a arrancada para receber passe de Yan dentro da área e a finalização para fora. Por fim, a cobrança de escanteio para o gol de cabeça de Gabriel Magalhães.

Três atos que resumem a importância do camisa 10 para a seleção, ainda que sem o mesmo brilho habitual. Neymar continua sendo protagonista, e tende a ser cada vez mais, justamente pela falta de concorrentes ao posto. Tal qual Tite, o técnico Fernando Diniz mantém a base “europeia” da equipe, mas poucos jogadores conseguem reproduzir o protagonismo exercido em seus clubes vestindo a camisa amarela, a exemplo de Vinicius Jr. e Rodrygo.

Naturalmente, Neymar, que sempre conservou ou até mesmo elevou o nível demonstrado em clubes atuando pela seleção, acabou assumindo o papel de articulador e liderança técnica do time, o que remete ao lado negativo de sua influência. O “pior” do craque também aflorou contra a Venezuela, principalmente no aspecto comportamental.

Considerado um dos capitães da seleção, ao lado de Casemiro e Marquinhos, o atacante de 31 anos voltou a se irritar com faltas e provocações de adversários. Reclamou em demasia com a arbitragem e esteve à beira de tomar o cartão amarelo que o suspenderia do próximo jogo, contra o Uruguai.

Em relação ao aspecto técnico, Neymar deixou a desejar por erros incomuns nas tomadas de decisão. Perdeu 26 bolas, 13 delas em passes errados, lembrando o mau aproveitamento apresentado na vitória diante do Peru. Apesar da assistência para o gol em escanteio, o pacote do comportamento somado ao baixo rendimento com a bola nos pés comprometeu sua atuação.

Nada justifica a agressão que sofreu no fim do jogo, quando um torcedor arremessou um pacote de pipoca na cabeça do camisa 10. Esse tipo de violência não pode ser normalizado no futebol, assim como ofensas e xingamentos desproporcionais que atletas recebem das arquibancadas.

De qualquer forma, Diniz precisa usar sua formação como psicólogo para sensibilizar o craque da equipe sobre a necessidade de mais equilíbrio emocional em campo. Atuações ruins, independentemente de disputar a Premier League ou a turbinada Liga Saudita, fazem parte da rotina de todo jogador. Mas um atacante calejado em seleção como Neymar não pode ser desestabilizado por um jogo de Eliminatórias contra a Venezuela.

Os venezuelanos entraram na cabeça de Neymar a ponto de celebrarem, além do empate, o princípio de confusão ao fim da partida, como um recibo de que cumpriram o plano traçado para segurar a seleção brasileira a partir do enfrentamento mental. Cenário que deve ser semelhante ao do estádio Centenario na próxima terça, em duelo com os uruguaios.

A falta de controle psicológico misturada com individualismo em excesso já minaram o camisa 10 em outras ocasiões, e o comportamento que já havia ensaiado nos primeiros dois compromissos pela competição que vale vaga na Copa do Mundo agora ficou latente no tropeço em casa.

Confundir protagonismo com preciosismo é a receita pronta para o fracasso de Neymar sob o comando de Diniz, que depende da fluidez do jogo para enraizar seu estilo. O craque tem tudo para ser ainda mais protagonista, desde que coloque o talento a serviço do coletivo e não se perca com tanta frequência na pilha dos adversários.

Fonte: Breiller Pires Breiller Pires é jornalista esportivo e, além de ser colunista do Terra, é comentarista no canal ESPN Brasil. As visões do colunista não representam a visão do Terra.
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