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Corinthians tem problemas ainda maiores que a perda de patrocinador para resolver

Início de gestão desastrado de Augusto Melo expõe sequelas profundas de vários anos sob má administração

7 jun 2024 - 16h30
(atualizado em 8/6/2024 às 09h34)
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Augusto Melo, ao lado de Lucas Veríssimo, em apresentação de patrocinador
Augusto Melo, ao lado de Lucas Veríssimo, em apresentação de patrocinador
Foto: Meu Timão

“Foi de Bet”. Com esse trocadilho, em alusão ao rompimento de contrato entre o Corinthians e a VaideBet, casa de apostas que acionou cláusula anticorrupção para interromper o alardeado maior acordo de patrocínio da história do clube, torcedores rivais debocham de uma situação rocambolesca e, ao mesmo tempo, trágica para os corintianos.

Depois de considerar os esclarecimentos prestados pela diretoria alvinegra como insuficientes, a empresa, incomodada com a abertura de investigação na Polícia Civil, que apura repasses de comissão a uma suposta empresa laranja, decidiu rescindir de forma unilateral o contrato que renderia cerca de 370 milhões de reais ao Corinthians até 2026.

A perda do patrocinador máster se soma a uma sucessão de trapalhadas da gestão de Augusto Melo em menos de seis meses. Entretanto, para desespero da Fiel Torcida, o distrato comercial é só a ponta de um iceberg que esconde problemas ainda maiores no explosivo campo minado dos bastidores corintianos.

Encerrando uma dinastia de 16 anos no poder da chapa Renovação e Transparência, a antiga gestão, capitaneada por Duílio Monteiro Alves, deixou várias bombas armadas para seus sucessores. E, ao menos até aqui, Augusto Melo tem se mostrado incapaz de desativá-las, a ponto de afundar o pé em cada uma delas com admirável imperícia.

Não bastasse ter perdido para o Cruzeiro o ídolo Cássio, que já vinha sendo fritado desde o ano passado, o atual presidente agora está prestes a observar, impotentemente, a partida de Carlos Miguel, que assumiu a posição e tem propostas de clubes da Inglaterra. Em janeiro, a multa rescisória do goleiro de 25 anos caiu de 50 milhões para 4 milhões de euros (menos de 25 milhões de reais), em acordo amarrado pela diretoria anterior.

Em mais um descuido imperdoável da gestão Augusto Melo, o clube promoveu o jogador a titular sem ajustar o contrato, brecha que pode ser decisiva para sua saída por um valor relativamente baixo, sobretudo diante do poderio financeiro de equipes europeias. Por imprudência semelhante, o Corinthians perdeu o zagueiro Lucas Veríssimo no início do ano.

Melo, pouco calejado no meio do futebol, tem exposto o Corinthians a diversos vexames institucionais e mudanças bruscas de rota. O cenário se torna ainda mais preocupante com o time na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, aturdido por um elenco reformulado e que se desfez de lideranças importantes, como Cássio, Gil, Renato Augusto e Paulinho.

A falta de líderes durante o permanente estado de crise é reflexo de um presidente que perdeu sustentação política e a base de apoio interna antes mesmo de completar o primeiro ano de mandato. O rompimento de contrato pela VaideBet fez com que Rozallah Santoro e Fernando Alba, diretores de finanças e de futebol, respectivamente, entregassem seus cargos nesta sexta-feira.

Com isso, o Corinthians passa a ter sete diretorias vagas neste momento, incluindo o futebol, carro-chefe do clube que já havia protagonizado o desembarque de Rubens Gomes, o Rubão, ex-fiador político da campanha de Augusto Melo à presidência. Para se ter uma ideia do tamanho do estrago, uma instituição que precisa urgentemente equacionar a dívida superior a 1 bilhão de reais está acéfala no marketing e nas finanças.

Se em 2023 o risco de queda para a Série B do Brasileiro acirrou os ânimos em um ano eleitoral no clube, a campanha desta temporada se desenha para um roteiro repetido, dessa vez com um presidente cada vez mais desgastado e ameaçado de impeachment. Quem pensa que os problemas se resumem ao time treinado por António Oliveira, despreza o empenho do Corinthians de 2024 em confirmar a máxima de que “nada é tão ruim que não possa piorar”.

Fonte: Breiller Pires Breiller Pires é jornalista esportivo e, além de ser colunista do Terra, é comentarista no canal ESPN Brasil. As visões do colunista não representam a visão do Terra.
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