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Juarez Soares
Domingo, 20 Janeiro de 2002, 20h00
terraesportes@terra.com.br

Vavá, o artilheiro da Copa


O futebol está de luto, triste, órfão. Perdeu Edvaldo Ezidio Neto, o Vavá, segundo maior artilheiro do Brasil em Copas do Mundo, com nove gols. Como Pelé não conta, porque é de outro planeta, ele foi o maior artilheiro de todas as Copas.

Com sua cara séria, de poucos sorrisos, disse adeus meio esquecido. Conheci Vavá mais de perto quando ele jogava no Palmeiras. Uma vez, terminado o treino, os jornalistas estavam a porta dos vestiários, no Parque Antártica.

Os jogadores passavam suados, pensando no banho, e depois, talvez, na cerveja gelada. Foi aí que pedi uma entrevista para Vavá. Ele me olhou carrancudo e foi direto: “Agora não”. Eu, garoto, recém- iniciado na profissão de repórter, pensei comigo: “Cara mascarado”.

Dali a pouco os atletas (banho tomado), um a um iam embora. De repente aparece Vavá perfumado, cabelo penteado. Olhou, procurou, chegou perto de mim e perguntou: “Você queria uma entrevista? Estou às ordens”. Pensei comigo: “Cara legal”. A vida foi me ensinando que quem vê cara, não vê coração.

Djalma Santos era um dos poucos colegas de Vavá que arriscava uma brincadeira. Dizia que ele não era o “leão” por causa da valentia, mas sim, por causa do tamanho da cabeça. E acrescentava que, quando Vavá num lance caía de quatro, assustava pelo tamanho da “juba”. Era a maneira irreverente de demonstrar a amizade que unia o time de craques do Palmeiras, campeão de 63.

A morte é como a velhice. Ninguém pergunta se você quer morrer ou ficar velho. Você envelhece e morre. Que Vavá descanse em paz.

Há os que morrem sem envelhecer, como Celso José Daniel, prefeito de Santo André, assassinado neste domingo, aos 50 anos. Convivi com ele mais do que com Vavá. Celso sempre foi ligado ao esporte. O nome do estádio de futebol de sua cidade, Bruno José Daniel, tem o nome de sua família. Hoje, era para ser um domingo de alegria, gols, ligas de futebol espalhadas pelo Brasil. Isso se todos não fôssemos órfãos, desprotegidos. Vivemos sentindo o sabor amargo do desamparo, dentro e fora do campo. Um domingo triste para o futebol.

 

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