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Juarez Soares
Quinta-feira, 17 Janeiro de 2002, 22h56
terraesportes@terra.com.br

A renúncia de Ricardo Teixeira


No meu tempo de criança, quando alguém queria ilustrar ainda mais o carnaval, dizia que estava próximo o reinado de Momo. É o que acontece o próximo mês de fevereiro. O Brasil é realmente o país do carnaval, do futebol e da impunidade.

Com raras exceções, só quando o criminoso, o bandido, o político corrupto aparecem na primeira página dos jornais por dias e semanas a fio, a justiça toma alguma providência.

Lembrei-me do fato porque a noticia da propalada e combinada renúncia de Ricardo Teixeira vai ficando cada dia mais distante. Dizem que o advogado geral da república, Gilmar Mendes, até agora não deu seu parecer favorável para que seja editada a medida provisória, e baseada nela, aconteça a intervenção na CBF.

Nunca vi coisa tão demorada. É o vacilo, o medo, a indecisão, a pressão política. O coração de Ricardo Teixeira que já andou batendo fora do compasso está rígido e pulsando mais forte do que nunca. Tanto assim que os presidentes de federações de todo o Brasil já marcaram um encontro com Teixeira, o peito de aço, para a próxima semana, no Rio de Janeiro.

O paladino que trombeteou a transformação do futebol brasileiro, Ministro Carlos Melles, anda jururú, apagado, meio esquecido. Ele mesmo, que um dia disse ter acertado a renúncia de Ricardo Teixeira, está agora acabrunhado, caindo pelas tabelas, sem a arrogância e a valentia de meses atrás.

Já admite que será editada, sim, uma medida provisória, mas ele duvida da intervenção na CBF. Ainda tenta dizer que tudo vai mudar porque os clubes serão fiscalizados e blá, blá, blá. Tudo lorota! Os clubes empresas e o fim do passe foram elaborados pela Lei Pelé, que tentam agora descaracterizar.

Está acertado que Carlos Melles em breve deixará o Ministério para se candidatar a deputado federal.

Ao que tudo indica Ricardo Teixeira será um sucesso nesse carnaval: continuará na CBF e chefiará o Brasil na Copa do Mundo. Depois da comédia que foi a CPI da Nike, agora o fiasco da CPI dos senadores. Só falta Carlos Melles se eleger deputado, sairemos então todos cantando na avenida: “E o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais...”. Será o fim da picada.

 

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