Saiu a tabela dos clubes que vão disputar a Copa do Brasil deste ano. São 64 clubes de todo o país. Até aí nada demais, se fora da competição não estivesse o Bandeirante, da cidade de Birigüi.
Ora bolas, direi. E daí? Quem se importa com esse time dessa cidade tão distante, no interior de São Paulo? Acontece que o Bandeirante foi o campeão da Copa Coca-Cola, que reuniu 16 times: 2 da capital paulista (Nacional e Juventus) e 14 clubes do interior.
Lá pela metade do mês de agosto do ano passado essas agremiações se reuniram no hotel Della Volpe, em São Paulo, onde pernoitaram. No outro dia, durante um lauto café da manhã, todos os dirigentes ouviram do presidente Eduardo José Farah, que o campeão da Copa Coca-Cola seria convidado da FPF, por direito adquirido, a disputar a Copa do Brasil.
Além disso, Farah ressaltou que o prêmio destinado ao campeão seria de R$ 150 mil. Para o vice seria de R$ 50 mil. Pois bem, o modesto Bandeirante ganhou com todos os méritos o campeonato. Agora sai a tabela, o clube está fora.
A cidade não acredita em tamanho desrespeito. Claro, a Federação Paulista pode alegar que o estádio não comporta uns tantos mil torcedores. Mentira. Essa não é a razão. O time poderia mandar seus jogos em Araçatuba, distante 30km de Birigüi. A vistoria da Federação só foi feita na terça-feira (15/01).
Para o lugar do Bandeirante entrou o Bragantino, do vice-presidente da CBF, Nabi Abi Chedid. Tudo armado, planejado, sorrateiramente. Escrevo revoltado porque fui o comentarista da Rede de Televisão que transmitiu o campeonato. Em todos os dezesseis jogos afirmei que o campeão jogaria a Copa do Brasil. Ninguém, jamais, contestou.
Agora a FPF, ao invés de pagar o prêmio de R$ 150 mil, baixou para R$ 100 mil na maior cara de pau. O presidente do Bandeirante, de Birigüi, Wellington de Oliveira, reclamou da palavra que a Federação Paulista não honrou. Ele sabe que vai pagar caro porque foi injustiçado.
Aliás, já começou a pagar. O jogo do seu time contra o São José pela série A2 do campeonato paulista já foi cancelado. Seria domingo. Se serve de consolo ao presidente Ademir, quem transmitiu os jogos também não recebeu os salários de quem deveria pagar. Os jornalistas levaram o maior calote. Como se vê, comentarista também sofre.
Pobre futebol brasileiro, onde o que os dirigentes falam sentados, não sustentam em pé.