Faltam poucas horas para acabar o ano. Toda vez, nesta época, me recordo de uma história singela.
Um menino da roça andava pela primeira vez de trem. Ao lado do pai, olhava pela janela. As coisas na janela, na paisagem, passavam rápidas demais; pastagens, bois, vacas, casebres, plantações, árvores, tudo voava.
Espantado o menino perguntou ao pai: “Onde estas coisas vão com tanta pressa?” Todos no trem riram menos um senhor ao lado não sorriu. E não riu porque era um poeta e argumentou: “Do que vocês estão rindo? Todos nós nos enganamos quando dizemos, todos os dias, como o tempo passa depressa e somos nós que passamos”.
Assim é. Não é o ano que está passando, a gente passa, o tempo fica. Na fieira dos dias, o melhor é aproveitar cada vez que nasce o sol, que desponta a lua. Na conta do nosso tempo “não adianta saldo médio”, dizia o poeta Jaime Caetano Braun.
O que isso tem a ver com esporte, com futebol? Tem nada a ver. Diz respeito só ao fim do ano. Hoje não é dia de falar em quem perdeu ou ganhou. Tudo isso é tão passageiro....
Aproveito para dizer que leio os e-mails que me são enviados. Aproveito as críticas, aprendo com elas, às vezes até me divirto. Raramente, me sinto ofendido. Claro, fico alegre com os elogios, quem não ficaria? Até mesmo um cara como eu que se julga imune a vaidades e futilidades inúteis, coisas passageiras.
No ano que vem estaremos juntos de novo. Se possível, todos os dias. Ser comentarista é andar em cima do fio da navalha. Ainda mais quando as tentações para os mais fracos podem manchar a missão quase santa do jornalismo.
Comentarista não foi parido para ganhar concurso de simpatia. Se uma proposta, um pensamento, uma idéia, obriga o leitor a refletir, discordar, pensar, a missão estará cumprida. A ética no jornalismo é a verdade, ou a busca incessante dela. E a verdade dói.
Filosofia caipira à parte, nessa época sempre me lembro de um verso da música que todos cantamos. É o que desejo de coração: “Muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender”.