Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1986
Seleção passou por várias oscilações ao longo do ciclo, conseguiu ir bem nos primeiros jogos, mas caiu nos pênaltis nas quartas de final
Depois da decepção da campanha de 82, o Brasil chegou ao palco do tri para tentar se reerguer na Copa do Mundo. Entretanto, a Seleção passou por um ciclo muito conturbado, com quatro treinadores, alguns cortes, craque contundido e uma eliminação nas quartas de final, pela primeira vez, nos pênaltis.
Após a Tragédia do Sarriá, uma enorme pressão popular pedia renovação na Seleção. Com isso, Telê Santana deixou o comando da equipe e Carlos Alberto Parreira assumiu o cargo. Entretanto, sua primeira passagem na equipe não durou muito. Afinal, o treinador foi demitido após o vice-campeonato na Copa América de 83, para o Uruguai. Em seu lugar veio Edu Coimbra, que dirigiu o time em três amistosos.
Por fim, o nome escolhido para a vaga foi de Evaristo de Macedo. Entretanto, a CBF demitiu o técnico antes das Eliminatórias, por conta do desempenho nos amistosos contra Colômbia e Chile. Na época, Evaristo afirmou que foi derrubado pelas lideranças do grupo, como Sócrates. Com isso, a vaga ficou para ser definida na eleição da entidade. Octávio Pinto de Andrade queria o retorno de Telê Santana, enquanto Medrado Dias apostava em Zagallo. Contudo, Andrade venceu e Telê estava de volta.
Nas Eliminatórias, o Brasil venceu Bolívia e Paraguai por 2 a 0, fora de casa. Entretanto, como mandante, empatou em 1 a 1 com ambos. Mesmo assim, a Seleção garantiu a vaga na Copa, com uma campanha mais fraca do que nas outras edições.
Entretanto, os problemas começaram a aparecer na preparação. Telê deu folga aos jogadores, que deveriam retornar à concen
tração em um horário combinado. Porém, diversos atletas foram a uma churrascaria e retornaram apenas às quatro horas da manhã, pulando o muro do hotel. No entanto, Leandro estava em uma condição ruim e não conseguiu pular, entrando pela porta da frente com Renato Gaúcho. Inicialmente, o treinador não faria nenhum corte por questão disciplinar, mas mudou de ideia e dispensou o atacante. Em apoio ao colega, o lateral se recusou a viajar para o México e não disputou a Copa.
Outro problema era Zico. Afinal, o meia do Flamengo ainda não estava recuperado de uma lesão no ligamento cruzado do joelho esquerdo que teve em agosto de 85, em uma partida contra o Bangu, no Campeonato Carioca. Entretanto, os médicos convenceram o jogador, que disputou a Copa no sacrifíco.
Por fim, a convocação contou com sete remanescentes de 82: Carlos, Oscar, Edinho, Zico, Junior, Falcão e Sócrates. Os quatro primeiros também estiveram em 78, chegando ao terceiro Mundial. Inclusive, além deles, Leão retornava, sendo o único campeão do torneio no elenco e indo para sua quarta Copa, se igualando com Castilho, Djalma Santos, Nilton Santos e Pelé.
100% de aproveitamento na fase de grupos
Na estreia, a Seleção encarou a Espanha, em um jogo que ficou abaixo do esperado. Os espanhóis reclamaram de gol em chute de Michel, que bateu no travessão e pingou próximo da linha. Na sequência, o Brasil teve um gol anulado, marcado por Edinho. Ainda no primeiro tempo, Sócrates pegou rebote em chute de Careca e marcou o único gol do jogo, com muita reclamação espanhola por conta de um impedimento do Doutor.
Na segunda rodada, a adversária era a Argélia e, mais uma vez, o desempenho não saiu como esperado. A Seleção até conseguiu pressionar, mas perdeu diversas oportunidades de gol, parando no goleiro Nassir Drid e na trave. Contudo, Careca aproveitou um vacilo da defesa argelina e marcou o único gol do jogo, aos 21 minutos do segundo tempo. Porém, o pós-jogo acabou rendendo mais. Afinal, Casagrande, Édson e Alemão foram flagrados bebendo cerveja em um circo, em um episódio que afetou a Seleção.
Para a última partida da primeira fase, Telê promoveu a entrada de Josimar na lateral e o Brasil melhorou. Logo no começo do jogo, Müller cruzou na área e Careca abriu o marcador. Depois, Josimar acertou um belo chute de fora da área e marcou um golaço. Por fim, na segunda etapa, Careca tabelou com Zico e marcou o terceiro. Inclusive, com o resultado, a Seleção garantia a classificação com 100% de aproveitamento.
Goleada e decepção
Para essa edição, a Fifa voltou a adotar o formato de mata-mata, com a estreia das oitavas de final. Nesta fase, o Brasil encarou a Polônia, semifinalista em 82. Apesar do susto no começo do jogo, com uma bola na trave, a Seleção começou bem e abriu o marcador. Careca sofreu pênalti e Sócrates cobrou para marcar. Na segunda etapa, Josimar invadiu a área, ganhou da marcação e chutou cruzado no ângulo, marcando o segundo. Depois, Junior deu passe de calcanhar para Edinho, que apareceu na área, driblou o goleiro e fez o terceiro. Por fim, Zico sofreu pênalti e Careca marcou o quarto, na melhor atuação brasileira naquela Copa.
Para tentar voltar a ficar entre os quatro melhores, o Brasil reencontrava a França, 28 anos depois da semifinal de 58. Os Bleus eram os atuais campeões da Europa e vinham com força. Contudo, em uma partida muito equlibrada, a Seleção começou melhor e, aos 18 minutos, Júnior tabelou com Müller e rolou para Careca abrir o marcador. Porém, após cruzamento, a bola atravessou a área e Platini apareceu para deixar tudo igual.
Na segunda etapa, o equilibrio se manteve com boas chances para os dois lados. Porém, o Brasil teve a melhor oportunidade quando Branco foi derrubado pelo goleiro Bats. Pênalti, que Zico cobrou e parou no arqueiro francês. Sem gols na prorrogação, a decisão foi para as penalidades, inédita na trajetória brasileira no torneio. Na primeira cobrança, Sócrates parou em Bats. Todos os jogadores marcaram, inclusive Zico, até Platini mandar a penúltima cobrança para fora. Porém, Júlio Cesar mandou na trave e Fernández confirmou a classificação francesa.
O resultado trouxe muita contestação pela participação de Zico no Mundial. Aliás, mais uma vez, a Seleção era eliminada sem perder um jogo, assim como em 78. No torneio, Maradona brilhou, e com "La mano de Dios" e seu futebol extraordinário conduziu a Argentina para o bicampeonato. Por fim , oBrasil terminou na quinta colocação, com quatro vitórias e um empate, com dez gols marcados e um sofrido, tendo Careca como artilheiro, com cinco gols.
Jogadores convocados
Goleiros:
Carlos - Corinthians
Paulo Victor - Fluminense
Leão - Palmeiras
Laterais
Junior - Flamengo
Josimar - Botafogo
Branco - Fluminense
Zagueiros
Oscar - São Paulo
Edinho - Udinese (ITA)
Édson Boaro - Corinthians
Mauro Galvão - Internacional
Júlio César - Guarani
Meias:
Falcão - São Paulo
Zico - Flamengo
Sócrates - Flamengo
Elzo - Atlético Mineiro
Silas - São Paulo
Valdo - Grêmio
Atacantes:
Müller - São Paulo
Casagrande - Corinthians
Careca - São Paulo
Edivaldo - Atlético Mineiro
Ficha técnica
Campeão: Argentina
Vice-campeã: Alemanha Ocidental
Final: Argentina 3 x 2 Alemanha Ocidental
Artilheiros: Gary Lineker (Inglaterra) - seis gols
Colocação do Brasil: 5º lugar (eliminado nas quartas de final)
Artilheiros do Brasil: Careca - cinco gols
Resultados do Brasil: Brasil 1 x 0 Espanha | Brasil 1 x 0 Argélia | Brasil 3 x 0 Irlanda do Norte | Brasil 4 x 0 Polônia | Brasil 1 (3) x 1 (4) França
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