Botafogo aciona Lyon na Justiça e cobra dívida superior a R$ 745 milhões
SAF do alvinegro carioca afirma ter realizado sucessivos empréstimos ao clube francês, que pertence ao mesmo grupo comandado pelo empresário americano John Textor
O Botafogo entrou com uma ação contra o Lyon na Justiça do Rio, nesta sexta-feira, cobrando uma dívida superior a R$ 745 milhões. O clube francês faz parte da Eagle Football, rede multiclubes liderada pelo empresário americano John Textor, dono da SAF do alvinegro carioca.
Em nota, o Botafogo afirmou que a ação tem por objetivo assegurar o retorno de valores devidos pelo Lyon, bem como resguardar o patrimônio do clube e garantir o o fortalecimento do projeto esportivo do time alvinegro. A diretoria afirma que vai tomar todas as medidas judiciais cabíveis para reaver o dinheiro.
No comunicado, os cariocas afirmam ter realizados sucessivos empréstimos ao clube francês, adquirido em 2022 pela Eagle em "em situação de insolvência", com a expectativa de reembolso dos valores em condições previamente estabelecida entre as partes.
"Posteriormente, em meio a conflitos internos entre sócios do Grupo Eagle, a nova presidente do Olympique Lyonnais rompeu unilateralmente o acordo de colaboração. Apesar de ter se beneficiado dos recursos recebidos, o clube francês deixou de cumprir as obrigações assumidas, recusando-se a efetuar o pagamento da dívida aos clubes do Grupo Eagle de R$745 milhões ao Botafogo, e outros 12 milhões de euros ao RWDM Brussels", diz trecho da nota.
"A inadimplência gerou impactos diretos na operação do Botafogo, comprometendo o planejamento financeiro e afetando a capacidade de renovação e contratação de atletas. Como consequência, o Clube foi, inclusive, alvo da aplicação de um transferban pela Fifa no final de 2025?, continua.
Textor adotou um caixa único entre os clubes da Eagle como estratégia competitiva. O modelo permitiu ao Botafogo realizar contratações de altos valores, como o atacante da seleção brasileira Luiz Henrique (atualmente no Zenit) e o argentino Thiago Almada (no Atlético de Madrid). O clube carioca montou um time competitivo o bastante para conquistar a Libertadores e o Brasileirão em 2024.
Pelo lado do Lyon, o jornal francês L'Équipe revelou recentemente que o clube foi surpreendido por cobranças de "transferências fantasmas" envolvendo jogadores que atuaram no Botafogo e abriu investigação para apurar as ocorrências.
O Lyon recebeu cobranças da empresa de investimentos "MCCP Investment Partners", que antecipou receitas relativas às negociações de cinco jogadores: Igor Jesus, Luiz Henrique, Savarino, Thiago Almada e Jair Cunha, que nunca jogaram pelo time francês.
As transferências nunca foram registradas pela Liga Profissional de Futebol da França. Dos cinco jogadores, apenas Almada chegou a ser inscrito no elenco do Lyon. Com as negociações, a "dívida declarada" do Lyon atingiu cerca de 120 milhões de euros.
Textor enfrentou problemas políticos e financeiros na França. O Lyon chegou a ser rebaixado administrativamente por infringir regulamentos financeiros da Ligue 1 e o americano precisou renunciar ao comando do clube após disputas com acionistas. Ao mesmo tempo, Textor viu a Ares Management e a Iconic Sports — fundos de investimento que financiaram a compra do time francês, estimada em US$ 940 milhões (R$ 5,2 bi) — tentarem tirá-lo do comando da Eagle pela falta de pagamento.
O americano também enfrenta problemas com o clube associativo do Botafogo, que trava guerra judicial com dono da SAF alvinegra por suposta gestão temerária. A Justiça mantém Textor no comando do futebol botafoguense, mas com restrições. O balanço da SAF deve apontar uma dívida de R$ 2,7 bi.