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Atraso, tumulto e desorganização marcam a chegada de Ziyech ao Rio

Facção se antecipa ao Botafogo, "comanda" ritual da aparição do atacante e impede o trabalho dos profissionais da imprensa

8 set 2026 - 22h52
(atualizado às 23h28)
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Resumo
Novo reforço do Botafogo, o atacante marroquino Ziyech desembarcou no Rio sob forte tumulto e três horas de atraso. Membros de uma torcida organizada monopolizaram a recepção no aeroporto, impedindo a cobertura da imprensa e fazendo o atleta vestir sua camisa. O evento teve cânticos xenofóbicos entoados por presentes. Desejo antigo do clube, o jogador rescindiu com o Wydad Casablanca para assinar com o Alvinegro, trazendo no currículo passagens de destaque pelo futebol europeu, como Ajax e Chelsea.
Gangue tem protagonismo forte na chegada de Ziyech da imprensa –
Gangue tem protagonismo forte na chegada de Ziyech da imprensa –
Foto: Leonardo Pereira/J10 - Legenda: Ziyech chega "escoltado" por gangue. Trabalho dos jornalistas foi resrespeitado / Jogada10

Um tumulto generalizado marcou a chegada do atacante Ziyech ao Rio de Janeiro na noite desta terça-feira (8). Após três horas de atraso, o novo reforço do Botafogo apareceu, enfim, no saguão do Aeroporto Antônio Carlos Jobim. Além deste contratempo, o desembarque do marroquino não ocorreu conforme o planejado pelo clube.

Posicionada à frente dos profissionais de imprensa, a principal facção da torcida do Botafogo "conduziu" Ziyech a alguns seguidores que esperavam na grade, retirando dos jornalistas o direito de ouvir a nova contratação do Mais Tradicional e do astro transmitir uma palavra aos quatro milhões de torcedores alvinegros espalhados pelo planeta.

As cenas de desrespeito à imprensa e afronta à liberdade de expressão durante o ritual da chegada do atacante marroquino mostram a força e a influência política do grupo na atual gestão da SAF Botafogo. Afinal, Ziyech recebeu e vestiu uma camisa da facção. Em seguida, meio sem jeito, acabou "forçado" a fazer o símbolo da gangue.

Gangue tem protagonismo forte na chegada de Ziyech da imprensa –
Gangue tem protagonismo forte na chegada de Ziyech da imprensa –
Foto: Leonardo Pereira/Jogada10 / Jogada10

Maomé no candomblé

Na prévia da chegada do astro marroquino, a festa das facções do Botafogo começou com alguns cânticos bem-humorados para o novo reforço alvinegro. Cerca de 150 pessoas estiveram presentes na área de acesso ao salão nobre.

"Ô, Maomé, ô, Maomé, veio para o Rio e terminou no candomblé…"

No entanto, na sequência, houve manifestações xenofóbicas e canções politicamente incorretas.

"Ah, é homem-bomba, ah, é homem-bomba", gritavam alguns presentes no Galeão.

Namoro vira casamento

Ziyech era um desejo antigo do Botafogo. O clube carioca, aliás, já havia se acertado com o marroquino anteriormente, mas o jogador demonstrou preocupação com a qualidade dos gramados do Brasil. Assim, recuou na negociação. Porém, a história mudou nos últimos dias. Dessa forma, as conversas voltaram a avançar após o jogador rescindir com o Wydad Casablanca, do Marrocos.

Filho de pais marroquinos, Ziyech nasceu na Holanda e iniciou sua carreira no país. Revelado no Heerenveen, o atacante jogou nos holandeses Twente e Ajax, onde se destacou na campanha semifinalista da Liga dos Campeões na temporada 2018/19. Dessa forma, o bom desempenho chamou a atenção do Chelsea. No clube inglês, no entanto, oscilou, mas conquistou a Liga dos Campeões de 2020/21.

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Jogada10
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