Morre ídolo da Seleção Brasileira e ex-jogador do Flamengo
O esporte brasileiro amanhece de luto após a morte de um dos grandes nomes de sua história.
O basquete brasileiro encerra este domingo (22) em silêncio e reverência. Ídolo da Seleção Brasileira de Basquete e com passagens marcantes por clubes como Sírio, Flamengo, Fluminense e Bradesco, além das experiências internacionais no basquete italiano e universitário dos Estados Unidos, Marquinhos Abdalla morreu aos 73 anos, deixando um vazio irreparável em uma das gerações mais simbólicas do esporte nacional.
Carioca, nascido em 1952, Marquinhos foi mais do que um grande pivô. Foi um símbolo de uma era em que talento e compromisso com a camisa do Brasil caminhavam lado a lado. A Confederação Brasileira de Basketball lamentou a perda e definiu o ex-jogador como uma "referência técnica e humana" que já faz falta.
Em 1976, ele entrou para a história ao se tornar o primeiro brasileiro selecionado no Draft da NBA, escolhido pelo Portland Trail Blazers. Mas o capítulo mais emblemático dessa conquista veio logo depois. Diante de um contrato de três anos, sendo um garantido, Marquinhos tomou uma decisão que atravessaria décadas. Recusou a oportunidade de atuar na maior liga do mundo para não abrir mão de defender a Seleção Brasileira, já que, na época, jogadores da NBA não podiam disputar competições internacionais por seus países.
Com a camisa do Brasil, construiu uma trajetória sólida e respeitada. Disputou três edições dos Jogos Olímpicos, em Munique 1972, Moscou 1980 e Los Angeles 1984, foi vice-campeão mundial em 1970 e conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Cali, em 1971, além de títulos sul-americanos.
Nos clubes, também escreveu capítulos importantes. Foi ídolo do Sírio, onde conquistou o Mundial Interclubes de 1979, e teve passagens relevantes por Flamengo, Fluminense e Bradesco. No exterior, atuou na Itália e também brilhou no basquete universitário dos Estados Unidos, defendendo a Pepperdine University, ajudando a abrir portas para atletas estrangeiros na NCAA.
A morte de Marquinhos Abdalla encerra a vida de um personagem que ajudou a moldar o basquete brasileiro dentro e fora de quadra. Sua história, marcada pela escolha rara de priorizar a Seleção em detrimento da NBA, permanece como um testemunho de um tempo em que o amor à camisa falava mais alto que qualquer contrato.