WEC: Toyota #8 vence em casa nas 6 Horas de Fuji e Augusto Farfus garante vitória na classe LMGT3
Em corrida marcada por neblina, punições e intervenções do safety car, Ryō Hirakawa assegura o triunfo da Toyota entre os Hypercars no Japão
As três horas iniciais das 6 Horas de Fuji, etapa do campeonato do WEC (World Endurance Championship), foram marcadas por fortes emoções e intervenções na pista, começando com um Big One na largada que exigiu a entrada imediata do safety-car. A Alpine impôs um ritmo constante com o Alpine #36, pilotado por Jules Gounon e depois por Victor Martins. A dobradinha ficou completa com o Alpine #35 de Ferdinand Habsburg acompanhando o companheiro de equipe.
Enquanto nos Hypercars o domínio da Alpine predominava, o pelotão intermediário e a classe LMGT3 entregaram disputas acirradas, com ultrapassagens no limite nas curvas do traçado japonês.
A dinâmica da corrida mudou ao entrar na segunda metade da prova com parte pista declarada como molhada. Nesse cenário, a BMW M Team WRT #33 aproveitou para fazer seu pit stop, mas acabou perdendo algumas posições. A disputa pela liderança esquentou quando Ferdinand Habsburg assumiu a ponta ao ultrapassar Victor Martins no Alpine #36.
Mais atrás, o Cadillac Hertz Team JOTA #12 e a Ferrari AF Corse #50 batalhavam intensamente pela nona posição, com Miguel Molina. O Aston Martin THOR Team #007 de Tom Gamble e o Alpine #36 de Martins travavam uma breve disputa, mas logo em seguida o #007 precisou ir aos boxes devido ao baixo nível de combustível, a equipe optou por não trocar o piloto. O Alpine #36 também parou, promovendo a saída de Martins e a entrada de Jules Gounon para o próximo stint.
Nos boxes, a Ferrari #50 proporcionou emoção e desespero ao levar mais de 1 minuto para solucionar um problema de pit, visto que o carro não levantava do chão, gerando muita dificuldade para os mecânicos liberarem o veículo. Já a Ferrari AF Corse #51, que parou pouco depois, teve um pit-stop limpo e eficaz.
A janela de paradas seguiu movimentada com Kamui Kobayashi assumindo o Toyota Gazoo Racing #7, além de uma nova troca de pilotos no Alpine #35. A BMW M Team WRT #15 perdeu tempo na troca de pneus, com um pequeno problema no pneu dianteiro esquerdo e retornou em quarto lugar, momento em que o Aston Martin #007 já assumia sua posição. Duas punições seguidas de +5 segundos foram aplicadas à Ferrari #51 infringir o procedimento de FCY (Full Course Yellow).
A disputa na LMGT3 foi intensa com Sean Gelael ultrapassando o carro #33 de Josh Edgar com uma bela manobra em X. O cenário da prova começou a se transformar e reduzir a visibilidade, com a chegada intensa de neblina no circuito, embora ainda sem chuva caindo direto na pista.
Com Augusto Farfus assumindo o comando do BMW #32, um novo FCY foi acionado para a limpeza de detritos. O pelotão da frente dos Hypercars era formado pelo Alpine #36, o Alpine #35 e o Aston Martin #007.
Pouco depois, a Ferrari #50 saiu da pista de forma definitiva. Apesar das tentativas da equipe para religar o carro, foi necessária a retirada do protótipo da pista, com auxílio de um VSC.
A tensão continuou quando o Toyota #8 rodou sozinho após um toque com o Aston Martin #007, mas conseguiu retornar sem danos aparentes. O Cadillac #12 entrou sob investigação. Durante o VSC, a Ferrari #51 colocou Antonio Giovinazzi no carro e no Toyota #8, Ryō Hirakawa assumiu o volante. Em seguida, Victor Martins reassumiu o Alpine #36 e o Safety Car entrou para realinhar todo o pelotão, garantindo uma relargada limpa e sem sustos.
O top 3 Hypercar estabilizou com o Alpine #36, o Alpine #35 e o Aston Martin #009, enquanto o #69 assumia a ponta da LMGT3. A direção de prova puniu o Toyota #7 e o Cadillac #12 com drive-through por desrespeitarem as regras sob regime de FCY.
Mesmo com o autódromo sofrendo com a visibilidade muito baixa causada pela neblina alta em algumas áreas, Farfus cravou a melhor volta da sessão com o tempo de 1:40.999. O brasileiro ganhava ritmo diante de seus adversários.
Na reta final, houve uma disputa intensa do Cadillac #12 de Will Stevens contra o Toyota #7 de Kobayashi. Ao mesmo tempo, Farfus avançava buscando uma ultrapassagem para conquistar o terceiro lugar, enquanto o Genesis #19 de Jaminet e o Toyota #8 de Hirakawa reduziram a diferença tentando roubar a quinta posição.
Na LMGT3, o #10 tentou abrir frente, mas acabou sendo ultrapassado pelo #69. Ao mesmo tempo, a McLaren #59 tentou ultrapassar o carro #27 de Mattia Drudi numa manobra em X, manobra acirrada que iniciava uma série de momentos improváveis para a reta final da prova. O Aston Martin #007 tomou bandeira preta e branca devido aos contatos na pista.
Momentos de tensão se instauraram quando um toque lateral na tentativa de ultrapassagem da McLaren #58 em cima do carro #27 quebrou a roda e arrancou o pneu traseiro esquerdo de Drudi. O incidente espalhou muita sujeira na pista e acionou imediatamente o Safety Car. O carro #27 ainda lutou para se arrastar até os boxes para avaliar se a equipe conseguiria retomar a prova.
Com a visibilidade caindo criticamente por conta da névoa, várias equipes aproveitaram o SC para parar, utilizando estratégias bem distintas, já que nem todos utilizaram a janela para encher completamente o tanque de combustível. A chuva se fez presente, molhando o asfalto, mas ainda sem água suficiente para justificar a troca para compostos de chuva.
O Genesis de Pipo Derani decidiu arriscar e foi aos boxes para colocar os pneus de chuva, enquanto o Alpine #35 preferiu a estratégia oposta de manter o aquecimento dos pneus no asfalto atrás do SC.
O longo procedimento de segurança precisou da recomposição total da barreira de pneus e contou até com a troca do próprio carro do Safety Car, fundamental para manter os níveis de segurança geral da corrida. Atrás dele, as posições gerais mantiveram o Toyota #8, a BMW #15 e o Alpine #35 no topo dos Hypercars, e o #34, o #33 e o #10 puxando a fila da LMGT3.
Na relargada, o Alpine #36 atacou e ultrapassou o #009, enquanto a BMW #15 tentou dar o bote no líder. O nível de ousadia resultou em um toque lateral na disputa pelo segundo lugar entre o Alpine #35 e o carro #10.
O desfecho da prova reservou momentos emocioanntes para os minutos finais. Augusto Farfus assumiu a terceira posição na classe LMGT3 e, logo em seguida, ultrapassou para assumir o segundo lugar. Farfus continuou escalando rumo à primeira posição. A recompensa veio com a liderança da categoria após executar uma bela ultrapassagem dura e arriscada, enquanto o carro #27 aproveitou a manobra e subiu para a segunda posição.
No pelotão dos Hypercars, a classificação garantiu o Toyota #8 na ponta, seguido pelo Alpine #36 e pela BMW #15. Hirakawa cruzou a linha de chegada para vencer em casa, enquanto Augusto Farfus confirmou a sua grande corrida e levou a vitória na classe LMGT3.
A etapa japonesa contou com um público oficial de 72.400 espectadores e encerrou a sétima rodada do WEC em 2026.
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