Stefan Koblitz Flejs analisa os desafios técnicos para superar os 300 km/h em provas de aceleração e arrancada
Como a física, a aerodinâmica e o gerenciamento eletrônico de motores se integram na preparação de veículos de alta performance para competições em linha reta
Diferente das competições em circuitos fechados tradicionais, onde a dinâmica veicular prioriza contornos de curva e frenagens constantes, as provas de aceleração em linha reta (como as competições de Arrancada e os eventos de Meia Milha (Half-Mile)) submetem os veículos a condições extremas de estresse mecânico, térmico e aerodinâmico em curtos intervalos de tempo.
Alcançar velocidades elevadas em pista exige um trabalho meticuloso de preparação de motores, calibração eletrônica e dimensionamento do trem de força. Nessas condições, a transferência de potência para o solo sem a perda de aderência e a neutralização da sustentação aerodinâmica (lift) são determinantes para a segurança do piloto e para o resultado no cronômetro. Em regimes de carga máxima sustentada (Wide Open Throttle), manter a estabilidade do conjunto demanda soluções de engenharia que vão muito além do simples aumento de potência bruta.
"Quando atingimos patamares elevados de velocidade em linha reta, a potência bruta deixa de ser o único fator decisivo. O verdadeiro desafio passa a ser a gestão térmica e a eficiência da transferência de torque para o asfalto, garantindo que o motor opere no limite sem comprometer a integridade dos componentes mecânicos ou a segurança aerodinâmica do veículo", destaca o especialista Stefan Flejs.
Com mais de 20 anos de experiência profissional no setor automotivo, Stefan atua diretamente no desenvolvimento de motores e projetos de alta performance. O especialista acumula marcas oficiais e conquistas expressivas no automobilismo de velocidade, destacando-se como responsável pelo desenvolvimento integral do projeto Gol 4×4 (uma das primeiras conversões da plataforma no país) e pela preparação de modelos Audi 4×4 voltados para provas de arrancada.
Entre suas marcas em eventos da ½ Milha FullPower, registrou o 1º lugar na categoria 4×4 ao atingir a velocidade final de 301 km/h com um Audi S2 Coupé, além de títulos na categoria Dianteira com velocidades terminadas em 279 km/h (Fiat Marea Sedan Turbo), 271 km/h (Fiat Marea Turbo) e 249 km/h (Fiat Marea Weekend), além de ter sido campeão da 2ª Edição do evento Armageddon em Campo Grande/MS.
Entre os principais vetores técnicos analisados na preparação de veículos para esse tipo de prova está a aerodinâmica em altas velocidades. Quando um veículo ultrapassa marcas como 250 km/h e se aproxima dos 300 km/h, o arrasto do ar aumenta exponencialmente, exigindo acertos de pressão descendente (downforce) para impedir a perda de direcionamento do eixo dianteiro.
Paralelamente, os sistemas de tração integral (4×4) enfrentam o desafio de absorver a carga de choque (shock load) nas largadas sem comprometer eixos, diferenciais ou homocinéticas, enquanto a calibração de ECUs programáveis atua para corrigir a estequiometria e controlar a pressão de turbo, preservando a integridade interna do motor sob estresse térmico contínuo.
Como desdobramento de sua atuação profissional e técnica no setor automobilístico, Stefan Flejs planeja para o futuro a expansão de suas atividades no mercado norte-americano por meio da Booster Performance.
A empresa será voltada para prestação de serviços técnicos em engenharia de motores, calibração avançada e projetos de alta performance, além do desenvolvimento de programas de capacitação e treinamento profissional para auxiliar na formação de mão de obra especializada frente à escassez de técnicos qualificados no setor automotivo dos Estados Unidos.
*Por Yuri Donegate
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