Perto do adeus, Barrichello faz pior temporada na Fórmula 1
28 nov2011 - 15h00
(atualizado às 15h06)
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A temporada que pode ter sido a última de Rubens Barrichello na Fórmula 1 entrará para a história de uma forma negativa para o piloto. Em toda a carreira, o brasileiro jamais havia colecionado resultados tão ruins ao longo de um campeonato quanto em 2011, quando marcou apenas quatro pontos com a Williams.
Em quantidade de pontos, os anos de 1993, quando Barrichello estreava na categoria com uma Jordan 193, e de 2007, quando utilizou uma Honda RA107, seguem sendo piores, com dois e zero respectivamente.
Porém, caso o regulamento atual, que ampliou a zona de pontuação para dez pilotos, já estivesse em vigor naquela época, Barrichello teria obtido números melhores. Em 1993, com uma Jordan verde, azul e vermelha, conseguiu o quinto lugar no Grande Prêmio do Japão, o sétimo na França, o nono em Mônaco e o décimo na Inglaterra - o que totalizaria 19 unidades segundo as regras desta temporada em apenas 16 etapas disputadas.
Em 2007, a bordo de uma Honda verde, azul e preta que ficou conhecida como "carro ecológico", ele participou de 17 provas e foi o nono colocado no GP da Inglaterra e o décimo na Espanha, em Mônaco, na Itália e no Japão - seis pontos de acordo com o regulamento atual.
Neste ano, é verdade que a Williams FW33 não ajudou. Em um veículo de fraco rendimento, Barrichello só figurou na zona pontuação em duas das 19 corridas: em Mônaco e no Canadá, sempre com o nono lugar. Pelo menos conseguiu superar o companheiro de equipe, o venezuelano Pastor Maldonado, que em sua temporada de estreia na F1 pontuou somente graças ao décimo posto na Bélgica.
O brasileiro, que ainda negocia a permanência para participar de sua 20ª temporada na elite do automobilismo, completou o recém-finalizado Mundial de Pilotos na 17ª posição da classificação geral. O resultado foi superior ao de 1993 (18º)e a o de 2007 (20º).
Com a Jordan, ele venceu a disputa interna do time, batendo os muitos parceiros que teve naquele campeonato - o belga Thierry Boutsen, o irlandês Eddie Irvine e os italianos Ivan Capelli, Marco Apicella e Emanuele Naspetti. Com a Honda, ficou atrás do inglês Jenson Button, que usando o mesmo equipamento somou seis pontos - ou 18 segundo as regras atuais.
Mônaco (2011), WilliamsEm 2011, rebatendo mais uma vez os boatos de aposentadoria, renova com a Williams; seu companheiro é o venezuelano Pastor Maldonado
Rubens Barrichello, 39 anos, chega ao GP do Brasil para a 326ª prova da carreira na Fórmula 1 sem ter um contrato assinado para a temporada 2012. Embora negocie com algumas equipes - Williams e Lotus Renault -, ele pode se ver em uma aposentadoria forçada. Nesse caso, o Terra preparou dez opções para o brasileiro: seja ainda envolvido com as pistas (na Stock Car), com outro esporte (o golfe) ou mais dedicado à família. Saiba mais nas próximas páginas:
Tornar-se jogador de pôquer Após o GP do Canadá, Barrichello disse que tentou aproveitar o período de paralisação da prova pela chuva para jogar pôquer. A internet não funcionou, porém. Ele também costuma se reunir com colegas como Felipe Massa no motorhome para se divertir com as cartas. Utilizar óculos escuros para ludibriar os adversários e profissionalizar-se no pôquer seria uma opção. Ex-tenista, o russo Yevgeny Kafelnikov fez isso e disputou a World Series
Foto: Getty Images
Virar jogador de golfe Outro hobby conhecido do brasileiro é jogar golfe. Em setembro, ele participou do Aberto Damha Golf Club, em São Carlos, e terminou na sexta posição, precisando de apenas dez tacadas a mais para acertar os 18 buracos que o campeão do evento. O corredor da Williams, que já idealizou também a Feira Brasileira de Golfe, foi chamado em 2008 pela revista Caras de "padrinho" da modalidade no País e poderia se dedicar a mais atividades nesse sentido
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Dedicar-se mais à família Esta é a opção mais provável para Rubinho. Em entrevista publicada nesta semana pelo jornal O Estado de S. Paulo, ele disse que, quando parar, poderá ser "ainda mais útil" para os filhos, "que estão crescendo". São eles Eduardo, 10 anos, e Fernando, 6. O piloto é casado com Silvana desde 1997
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Assinar como piloto de testes Se Barrichello não quiser se desligar do ambiente da categoria a qual disputa desde 1993, ele poderia pleitear uma vaga como piloto de testes. Embora os trabalhos dos reservas esteja muito limitado atualmente na Fórmula 1, sua experiência provavelmente seria útil na evolução de uma equipe. O espanhol Pedro de La Rosa, 40 anos, por exemplo, foi testador da McLaren entre 2003 e 2009
Foto: Getty Images
Competir na Fórmula Indy Caso Barrichello não queira abandonar a adrenalina das corridas, uma boa opção é a Fórmula Indy. Muito amigo de Tony Kanaan (à esq.), o veterano acompanhou a etapa do Brasil da categoria, em São Paulo, em abril passado, quando elogiou também Raphael Matos, Vitor Meira e Helio Castroneves e se mostrou muito animado com a categoria. "Se esses carros fossem movidos a uma chavezinha, certamente eu pegaria um capacete para dar uma volta", brincou
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Virar comentarista Esta é uma trajetória comum para ex-pilotos da Fórmula 1. Atualmente, Luciano Burti comenta para a TV Globo, que de forma esporádica já convidou também Lucas di Grassi e Emerson Fittipaldi para a função. Na Europa isso também é normal acontecer, sendo que a rede britânica BBC emprega atualmente Martin Brundle e David Coulthard. Rubinho poderia utilizar a experiência em falar diante das câmeras para se destacar na nova função
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Competir na Stock Car Uma mudança para os carros de turismo também é normal em se tratando de antigos corredores da F1. Atualmente, Antônio Pizzonia (ex-Williams e Jaguar), Tarso Marques (ex-Minardi), Ricardo Zonta (ex-Toyota, Jordan e BAR) e Luciano Burti (ex-Jaguar e Prost) participam da categoria brasileira. Neste ano, Rubinho criou um carro personalizado da Stock Car em um jogo e publicou uma foto no Twitter, anunciando: "galera, vou correr de Stock Car... virtual"
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Abrir uma equipe de Fórmula 1 A família de Barrichello tem experiência em dirigir equipes. Seu tio, Dárcio dos Santos, tem uma tradicional na F3 Sul-Americana, a PropCar Racing. O sobrinho poderia fazer o mesmo na F1, que só teve uma escuderia nacional até aqui: de 1975 a 1982, competiu a Copersucar Fittipaldi. Nesse caso, Rubinho repetiria a atitude do escocês Jackie Stewart (à dir.), tricampeão mundial que foi chefe do próprio brasileiro na Stewart entre 1997 e 1999
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Escrever uma autobiografia Em 2008, o brasileiro ventilou a hipótese ao dizer que "as pessoas não conhecem metade da história" sobre o que viveu na Ferrari entre 2000 e 2005 e que "talvez" elas poderiam "saber da verdade algum dia em um livro". Aposentado, Barrichello teria tempo livre para escrever e dar detalhes sobre o polêmico GP da Áustria de 2002, quando cedeu a vitória ao companheiro Michael Schumacher nos metros finais da prova
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Pilotar na Nascar Outro caminho normalmente tomado por pilotos que deixam a elite do automobilismo é a Nascar. Barrichello é amigo do colombiano Juan Pablo Montoya, a quem costuma desejar sorte nas corridas via Twitter com um carinhoso apelido: "Gordo". Além do ex-piloto da Williams, 36 anos, terceiro melhor piloto da F1 em 2002 e 2003, a categoria americana conta com o brasileiro Nelsinho Piquet (ex-Renault) e já teve Christian Fittipaldi (ex-Minardi e Footwork)