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Fórmula 1

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F1: O que está por trás das proibições aerodinâmicas para 2027?

FIA busca evitar novas brechas no regulamento e preservar equilíbrio entre desempenho e disputa nas pistas

3 ago 2026 - 15h15
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Foto: f1/ divulgação

A FIA quer evitar que a mesma história de 2022 se repita em 2027. Após ver as equipes recuperarem rapidamente o downforce perdido com o regulamento anterior, a entidade decidiu restringir algumas das principais brechas aerodinâmicas antes da entrada das novas regras. A expectativa é reduzir a escalada de desenvolvimento ao longo das próximas temporadas e conter os gastos das equipes com as atualizações.

Para isso, a FIA proibiu algumas soluções aerodinâmicas que ganharam espaço ao longo da temporada, como as aletas de escape, extensões de suporte da asa traseira, e limitou as aletas de carenagem do atuador, que apareceram pela primeira vez nos carros no GP de Mônaco. Segundo Nikolas Tombazis, diretor de monopostos, os carros de 2026 possuem níveis de perda de downforce parecidos aos observados no início de 2022.

No entanto, desta vez, a FIA acredita ter conseguido impedir que as equipes explorassem brechas do regulamento capazes de prejudicar o fluxo de ar e dificultar que os carros corressem próximos uns dos outros. Em 2022, essas soluções fizeram a perda de downforce aumentar de cerca de 15% para 35% a 10 metros de distância entre os carros e de 5% para 15% a 20 metros.

Com base na experiência adquirida nos últimos anos, Tombazis acredita que a FIA está mais preparada para evitar esse tipo de desenvolvimento. Para ele, as diferentes soluções aerodinâmicas desenvolvidas pelas equipes não comprometeram o conceito criado, reforçando a expectativa de que os carros mantenham a capacidade de correr próximos uns dos outros em 2027.

“Nos regulamentos anteriores, havia alguns elementos que de fato comprometiam significativamente o conceito, principalmente a placa lateral da asa dianteira, as bordas do assoalho e todos os componentes da roda dianteira. Todos esses fatores pioraram significativamente as características da esteira de vento. Aprendemos com isso e espero que não haja nenhum problema semelhante no futuro”.

Tombazis também reconheceu que algumas das principais áreas de desenvolvimento aerodinâmico de 2026 pegaram a FIA de surpresa. O diretor de monopostos destacou que as medidas tomadas para encerrar esses debates no próximo ano ajudarão a manter a situação sob controle, além de permitir que as equipes tenham liberdade suficiente em seus projetos.

Um exemplo é o atuador da asa traseira, explorado pelas equipes a partir do GP de Mônaco, com a instalação de aletas adicionais. Apesar da restrição para 2027, a FIA ainda pretende manter espaço para soluções dentro das margens do regulamento. Tombazis admitiu que não esperava algumas interpretações desenvolvidas pelas equipes em 2026. “No geral, tentamos fazer com que o desenvolvimento dos carros continuasse sendo um desafio interessante para as equipes”.

Na visão de Tombazis, a FIA evitou adotar um regulamento com muitas restrições, preservando a liberdade de desenvolvimento das equipes sem comprometer o equilíbrio técnico. O dirigente ainda crê que existe uma diferença considerável de desempenho entre os carros, mas que essa vantagem deve diminuir gradualmente ao longo dos próximos seis meses.

Embora houvesse críticas dos pilotos às unidades de potência introduzidas em 2026, o comportamento dos carros recebeu avaliações positivas. O novo regulamento eliminou a rigidez excessiva e a baixa altura em relação ao solo que marcaram a primeira geração do efeito solo, enquanto a redução da carga aerodinâmica tornou os carros mais desafiadores nas curvas. Para Tombazis, a FIA conseguiu encontrar um equilíbrio entre desempenho e dirigibilidade, evitando aspectos que mais desagradavam aos pilotos.

O diretor de monopostos explicou que o objetivo não era criar carros fáceis de pilotar e que eles continuassem exigindo o máximo dos pilotos. Algumas limitações impostas pelas regras impedem que as equipes ajustem todos os aspectos do carro ao mesmo tempo, gerando novos desafios durante uma volta. Ele também ressaltou que o aumento da altura da suspensão ajudou a tornar o comportamento dos carros menos agressivo do que na geração anterior, algo bem recebido pelos pilotos.

Tombazis declarou satisfação com o atual conceito das regras para carros, mas deixou claro que deseja uma mudança radical para o próximo regulamento. “Estamos onde eu gostaria que estivéssemos? Não”, disse ele. “Eu gostaria que fôssemos 80 quilos mais leves, e talvez um pouco mais baixos, um pouco menores”. O dirigente ressaltou que a meta da FIA é dar um novo grande passo no futuro, indo além dos limites que foram possíveis alcançar com o regulamento atual.

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