F1: FIA planeja volta do reabastecimento e fabricante independente para motores V8
Discussões lideradas pela FIA envolvem redução de custos, maior neutralidade entre equipes e revisão de conceitos passados da categoria
Tanto a FIA quanto a direção da Fórmula 1 têm trabalhado com a possibilidade de retorno dos motores V8, em substituição aos atuais V6 turbo híbridos, considerados caros e complexos. O plano inclui ainda a criação de um fornecedor independente de unidades de potência, sem vínculo com as montadoras atuais, além da reavaliação do retorno do reabastecimento na categoria.
Com a nova geração de regulamentos prevista para 2031, o projeto ainda está em fase de discussão. Durante o GP da Grã-Bretanha, o presidente Mohammed Ben Sulayem revelou que o plano inclui medidas para reduzir a influência das montadoras sobre as equipes clientes, além de avaliar o retorno do reabastecimento, ausente da categoria desde 2009.
Entre as propostas, está a criação de um fornecedor independente responsável por um motor V8 padronizado e de baixo custo, disponível a equipes interessadas. A ideia é reduzir a dependência das equipes clientes em relação às fabricantes.
"Não haverá controle sobre as equipes, a equipe A sobre a equipe B, que receberá seus próprios motores. Se for viável financeiramente, teremos um motor para as outras equipes B, assim ninguém poderá pressioná-las e dizer: 'Votem desta forma ou não lhes daremos um bom motor'".
O fornecedor seria escolhido pela FIA e teria como objetivo garantir neutralidade no fornecimento e controle de custos. A redução de despesas também abriria espaço para que equipes pudessem, futuramente, desenvolver suas próprias unidades de potência, como McLaren e Alpine.
Ben Sulayem acredita que a mudança poderá aumentar o número de fornecedores na F1, no entanto, ainda há dúvidas sobre a aplicação do modelo em estruturas com equipes relacionadas, como Red Bull e Racing Bulls. "Estamos discutindo o que é uma segunda equipe e o que é outra equipe. Depende da propriedade", acrescentou.
Zak Brown, CEO da McLaren, já afirmou neste ano que, se fosse financeiramente viável para a equipe de Woking desenvolver seu próprio motor para a categoria, essa seria uma possibilidade a ser considerada. Mas, do ponto de vista da Renault, proprietária da Alpine, não parece ser muito interessante no momento, embora o CEO da marca, François Provost, apoie a diretriz dos motores V8.
Para Ben Sulayem, a adoção dos V8 tornaria a Fórmula 1 mais simples e menos custosa. Ele criticou o atual V6 turbo híbrido por ser excessivamente complexo, caro e não entregar o som esperado pelos fãs, além de afirmar que a mudança também poderia reduzir em cerca de 50% os custos de pesquisa e desenvolvimento.
Isso seria possível pois os novos motores dispensariam as pesadas baterias de reserva e parte dos atuais sistemas de recuperação de energia, tornando o conjunto mecânico mais leve e menos complexo. "Nosso objetivo é reduzir o peso do carro em 100 kg", explicou. "Não se trata do negócio [da F1], mas sim da vida dos pilotos, que é o mais importante".
O presidente da FIA afirmou que a nova geração de motores continuará com sistema híbrido, mas com participação muito menor do que a atual. A eletrificação deve representar entre 10% e 15% da potência total, contra cerca de 46% nos modelos atuais. Ele destacou que a Fórmula 1 aprendeu com os problemas do regulamento de 2026 e pretende evitar situações em que os pilotos precisem tirar o pé do acelerador nas retas para economizar energia.
Outro tópico em debate tem sido se os motores V8 serão de aspiração natural ou se terão turbocompressores. Ben Sulayem indicou que os fabricantes devem ter de escolher entre o uso do turbo ou um sistema híbrido, mas defende que a FIA lidere a decisão para evitar que as discussões avancem sem definição clara.
A possibilidade de retorno do reabastecimento também entrou em discussão dentro do projeto dos motores V8, com o objetivo de reduzir o peso dos carros em até 100 kg. O ponto de atenção, no entanto, está no consumo de combustível, visto que motores naturalmente aspirados tendem a demandar mais para completar as corridas em comparação aos atuais V6 turbo híbridos, utilizados desde 2014.
Parte do paddock questiona se a redução de peso faria sentido caso as regras exijam volumes de combustível próximos aos atuais, o que limitaria parte do ganho esperado. Na era dos V8, até 2009, o reabastecimento era permitido e influenciava diretamente o tamanho dos tanques, em torno de 90 a 100 litros. A proibição a partir de 2010 elevou essa capacidade para cerca de 200 litros, enquanto com os híbridos o limite passou a girar em torno de 100 kg, chegando a aproximadamente 105 kg no regulamento previsto para 2026.
Diante desse cenário, Mohammed Ben Sulayem solicitou um relatório para avaliar os impactos técnicos, esportivos e financeiros de uma eventual volta do reabastecimento. O estudo inclui desde a viabilidade estratégica nas corridas até custos operacionais, estimados em cerca de US$ 4 milhões por equipe por ano, além de questões de segurança. "Não é um problema se for feito da maneira correta", disse Ben Sulayem. "Estamos estudando isso e nada foi feito ainda".
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.