Script = https://s1.trrsf.com/update-1784725509/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Fórmula 1

Publicidade

F1: Como os motores com inteligência artificial estão confundindo as equipes

Complexidade dos motores de 2026 e cálculos em tempo real da IA deixam engenheiros e pilotos sem respostas exatas

22 jul 2026 - 11h29
Compartilhar
Exibir comentários
Foto: F1 / Reprodução

A introdução das novas unidades de potência de 2026 na Fórmula 1, integradas com inteligência artificial e aprendizado de máquina, está gerando uma dor de cabeça inédita no panteão do automobilismo. Mesmo as mentes da engenharia mais brilhantes do grid enfrentam dificuldades para compreender de onde vem ou para onde vai o rendimento dos carros, em um cenário onde pequenas variações climáticas ou de pilotagem provocam reações imprevisíveis no sistema elétrico.

O grande nó cego da temporada envolve a distribuição da energia elétrica e os chamados problemas de entrega de potência. A situação varia desde acionamentos em momentos inadequados até situações em que a própria IA se confunde ao tentar preencher lacunas de potência, distribuindo a carga de maneira inesperada na pista.

Para o chefe de equipe da McLaren, Andrea Stella, a grande questão reside na incapacidade dos modelos virtuais em prever com exatidão o comportamento real dessas máquinas complexas. Em declarações concedidas ao portal britânico The Race, o dirigente explicou que a equipe sofreu no início do ano por não ter simulações avançadas o suficiente para programar os motores antes do aprendizado da IA no circuito.

"Quando você opera uma unidade de potência tão complicada, e isso acontece por causa do regulamento, você precisa de modelos do próprio motor para testar diferentes parâmetros e ver como ele responderia", afirmou Stella ao The Race. "Isso serve para otimizar a entrega de energia, a pilotagem e as trocas de marcha."

Stella ressaltou que a representação computacional da física automotiva ainda tenta acompanhar a realidade. "Os modelos são uma representação do mundo físico na engenharia, mas essas máquinas possuem um nível de complicação que às vezes não é capturado totalmente na modelagem", destacou o italiano, ponderando que todas as fabricantes do grid estão em um processo contínuo de aprendizado.

O problema se agrava porque os novos motores são extremamente sensíveis a variáveis imperceptíveis. Fatores como a direção do vento, a aderência do asfalto e a intensidade no pedal do acelerador alteram completamente a resposta dos sistemas elétricos. Um vento de frente em uma reta, por exemplo, aumenta o tempo do carro no trecho e altera a equação do motor, que calcula a entrega de energia com base na distância.

"Isso não seria um problema se as unidades de potência não fossem tão sensíveis à falta de fidelidade. Uma pequena mudança na pilotagem gera uma grande alteração no resultado final, assim como uma leve variação no comportamento físico das peças", explicou o chefe da McLaren.

Essa oscilação afeta diretamente a vida dos pilotos dentro do cockpit. Quando o sistema decide regenerar energia de forma agressiva antes de uma curva, o carro pode se aproximar do ponto de frenagem até 10 km/h mais devagar do que no trecho anterior, alterando totalmente as referências do piloto na pista.

A pilotagem em 2026 exige um malabarismo técnico constante. Como os carros têm menor pressão aerodinâmica e os novos pneus Pirelli oferecem menos aderência dianteira, a tendência ao sobesterço é constante. Para manter a bateria carregada e a rotação do turbo elevada, evitando atrasos no acelerador, os pilotos precisam reduzir marchas adicionais nas frenagens, o que gera um efeito de freio de motor instável.

Segundo Stella, essa imprevisibilidade ocorre porque o sistema elétrico toma decisões dinâmicas a cada instante. "Essas unidades de potência não funcionam de forma fixa. Existe uma grande parte do controlador do motor que faz cálculos em tempo real. A unidade de potência meio que pensa e calcula com antecedência o que precisa fazer", detalhou.

Diante disso, mesmo que pilotos e engenheiros julguem ter feito tudo de forma correta, o sistema central pode tomar um rumo diferente entre uma volta e outra. A Fórmula 1 vive assim uma era em que a tecnologia, criada para maximizar a eficiência, transformou a busca pelo ajuste perfeito em um quebra-cabeça diário para as equipes.

Parabólica
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra