F1: Aston Martin revela dificuldades com motor da Honda e admite risco de não largar no GP da Austrália
Adrian Newey afirma que equipe descobriu tardiamente falta de experiência no projeto de motores da Honda para a nova era da Fórmula 1
A equipe Aston Martin enfrenta um início de temporada turbulento na Formula 1. O chefe da equipe, Adrian Newey, afirmou que o time só descobriu tardiamente o nível de inexperiência da atual estrutura de motores da Honda, que voltou integralmente à categoria nesta temporada.
A revelação ocorre às vésperas do Grande Prêmio da Austrália realizado no Albert Park Circuit, em Melbourne. Segundo Newey, a equipe ainda não tem certeza se conseguirá alinhar os dois carros no grid da corrida.
Retorno da Honda trouxe dificuldades técnicas
A Honda havia deixado a Fórmula 1 ao final de 2021, após sua parceria com a equipe Red Bull Racing. Embora tenha mantido suporte técnico nos anos seguintes, a fabricante japonesa voltou oficialmente à categoria em 2026 para a nova era de regulamentos.
As regras atuais determinam uma divisão de 50% entre potência do motor a combustão e energia elétrica no sistema híbrido. Porém, o novo projeto de motor da Honda tem apresentado sérios problemas de desempenho e confiabilidade no carro AMR26 da Aston Martin.
Newey explicou que a equipe não sabia que grande parte da equipe técnica original da Honda não havia retornado ao programa de Fórmula 1.
“Eles voltaram ao esporte com cerca de 30% da equipe original. Muitos engenheiros foram para outras áreas, como energia solar. Isso significou começar praticamente do zero em uma era de teto orçamentário”, afirmou.
Segundo ele, a Aston Martin só tomou conhecimento da dimensão do problema em novembro do ano passado, durante uma reunião em Tóquio entre Newey, o proprietário Lawrence Stroll e o executivo Andy Cowell.
Treinos revelam crise de desempenho
Os primeiros treinos livres da temporada, realizados nesta sexta-feira em Melbourne, evidenciaram a gravidade da situação. Problemas na unidade de potência impediram o espanhol Fernando Alonso de participar da primeira sessão, enquanto seu companheiro Lance Stroll completou apenas três voltas.
Na segunda sessão, Alonso registrou 18 voltas e Stroll mais 13, mas a equipe terminou como a mais lenta do grid, com um tempo quase cinco segundos mais lento que o líder.
Alonso reconheceu que o carro “não pareceu muito diferente” em relação aos testes realizados anteriormente no Bahrain International Circuit.
Problema nas baterias preocupa equipe
Além da falta de desempenho, a equipe enfrenta um problema crítico nas baterias do sistema híbrido. Vibrações severas do motor têm danificado os componentes elétricos.
Newey revelou que a equipe chegou à Austrália com quatro baterias, mas duas apresentaram falhas de comunicação ou condicionamento.
“Neste momento temos apenas duas baterias operacionais, uma para cada carro. Com o ritmo de danos que estamos tendo, é um lugar bastante assustador para se estar”, afirmou.
O dirigente também descartou a possibilidade de enviar novas peças para Melbourne a tempo da corrida.
“Infelizmente não há mais baterias disponíveis.”
Alonso tenta manter otimismo
Apesar do cenário preocupante, Alonso afirmou que a equipe mantém uma visão menos pessimista do que a repercutida pela imprensa.
“Sabemos onde estamos. Temos um grande desafio pela frente, mas todos na equipe estão trabalhando para superar a situação”, disse o piloto espanhol.
Ele destacou que a complexidade tecnológica da Fórmula 1 exige tempo para resolver problemas técnicos, embora espere que as melhorias apareçam em breve no desempenho em pista.