F1: FIA e equipes fecham acordo para mudar regras de 2026 a partir do GP de Miami
Mudanças no uso de energia focam em segurança e performance nas pistas. Novo sistema para evitar acidentes na largada será testado
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA), em conjunto com a Fórmula 1, chefes de equipe e fabricantes de unidades de potência, aprovou nesta segunda-feira (20) um pacote de ajustes nos regulamentos técnicos da temporada de 2026. As mudanças, que entram em vigor já no Grande Prêmio de Miami, têm como objetivo principal aumentar a segurança e garantir que os carros andem mais no limite durante as classificações. As decisões foram tomadas com base nos dados das três primeiras etapas do ano (Austrália, China e Japão) e contaram com forte colaboração dos pilotos.
Apesar de a FIA e a F1 deixarem claro que o regulamento de 2026 não apresenta falhas graves de conceito, os dados coletados no início desta temporada indicaram a necessidade de refinamentos. O grande estopim para o foco em segurança foi o acidente de Oliver Bearman no Japão, causado pelas altas velocidades de aproximação (closing speeds) entre os carros.
As propostas, que agora seguem para votação eletrônica do Conselho Mundial de Automobilismo da FIA, dividem-se em quatro frentes principais:
1. Classificação: Foco em andar no limite
Para evitar as manobras drásticas e perigosas de lift-and-coast (tirar o pé do acelerador antes das zonas de frenagem), a FIA ajustou o gerenciamento de energia:
- Aumento do Superclip: O pico de potência do superclip subiu de 250 kW para 350 kW (aplicável também em corrida). Isso permite que os pilotos recuperem mais energia mantendo o pé no fundo, uma mudança já defendida por Andrea Stella, chefe da McLaren, durante a pré-temporada.
- Redução na Captação: O limite máximo de recuperação de energia na classificação caiu de 8MJ para 7MJ.
- Resultado: Os carros terão menos energia elétrica para usar, o que deve aumentar o tempo de volta, mas reduzirá a duração máxima do superclip para cerca de 2 a 4 segundos por volta. A meta é exigir mais do piloto e manter o carro no limite da aderência.
2. Corrida: Segurança e velocidades de aproximação
Para mitigar os riscos de colisões em retas, o sistema de acionamento de potência foi remodelado para provas:
- O Boost adicional durante a corrida foi limitado a +150 kW, evitando diferenciais de velocidade repentinos entre dois competidores.
- O uso do MGU-K será mantido em 350 kW nas principais zonas de aceleração (saída de curva até o ponto de frenagem, incluindo pontos de ultrapassagem), mas será limitado a 250 kW no restante da pista.
3. Largadas: Novo sistema anticolisão
Um dos pontos de maior apreensão no paddock ganhou uma solução tecnológica que será testada ao longo do fim de semana em Miami:
- Foi desenvolvido um "sistema de detecção de largada com baixa potência". Ele identifica carros com aceleração anormalmente baixa logo após a liberação da embreagem.
- Caso detecte um problema (como um motor "apagando"), o sistema aciona automaticamente o MGU-K para garantir uma aceleração mínima, tirando o carro do grid e evitando batidas traseiras graves, sem conferir vantagem esportiva ao piloto.
- Simultaneamente, as luzes traseiras e laterais do carro afetado piscarão para alertar o pelotão que vem atrás.
4. Condições de Chuva
Melhorar a visibilidade e o controle dos carros em pista molhada também entrou na pauta. As temperaturas das mantas de aquecimento para os pneus intermediários foram aumentadas para garantir mais aderência inicial. Além disso, o uso máximo do ERS será reduzido em condições de baixa aderência (limitando o torque) e o sistema de luzes traseiras foi simplificado para melhorar a visibilidade e o tempo de reação de quem vem atrás.
Reações no Paddock
A aprovação unânime das equipes mostrou um ambiente de consenso. Antes da reunião, Toto Wolff, chefe da Mercedes, já havia alertado que a categoria não precisava de "um taco de beisebol" para consertar as regras, pedindo ajustes sutis.
O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, celebrou o tom da reunião. "Gostaria de elogiar todos em todo o ecossistema da Fórmula 1 pelo trabalho construtivo e colaborativo realizado em um espaço de tempo muito curto. Segurança e justiça esportiva continuam sendo as maiores prioridades da FIA", declarou Ben Sulayem, destacando o papel central dos pilotos na formulação destas novas diretrizes.
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