Do penta ao último Mundial: os jejuns que desafiam Brasil e Ferrari
Gigantes do esporte, Brasil e Ferrari convivem com jejuns marcados por mudanças e falta de planejamento.
No esporte de alto rendimento, mudar o comando nem sempre significa encontrar o caminho das vitórias. Brasil e Ferrari são exemplos de que a busca por resultados imediatos, acompanhada de constantes reformulações e mudanças de liderança, pode prolongar ainda mais um período de frustrações. Referências históricas no futebol e na Fórmula 1, ambos convivem há anos com a pressão por voltar ao topo sem conseguir consolidar um projeto de longo prazo.
A última vez que a Seleção Brasileira levantou a taça da Copa do Mundo foi em 2002, na Coreia do Sul e no Japão. Com Ronaldo inspirado, autor dos dois gols da vitória por 2 a 0 sobre a Alemanha, o Brasil conquistou o pentacampeonato e consolidou sua posição como maior vencedor da história do torneio. Desde então, vieram eliminações marcantes, como a derrota para a França em 2006, a eliminação nos pênaltis para a Holanda em 2010, o traumático 7 a 1 para a Alemanha em 2014, a queda para a Bélgica em 2018, a derrota para a Croácia nas quartas de final em 2022 e, agora, a eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 para a Noruega.
Mais do que os resultados em campo, a Seleção passou por uma sequência de mudanças que impediram a construção de um trabalho contínuo. Desde o título de 2002, o comando técnico esteve nas mãos de Luiz Felipe Scolari, Carlos Alberto Parreira, Dunga (em duas passagens), Mano Menezes, Tite, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti. Cada troca trouxe uma nova filosofia, mudanças na forma de jogar e reinícios de projeto, dificultando a criação de uma identidade sólida ao longo dos anos.
Em Maranello, o cenário é semelhante. A Ferrari não conquista o Mundial de Pilotos desde 2007, quando Kimi Räikkönen superou Lewis Hamilton e Fernando Alonso na última etapa da temporada. Desde então, a escuderia passou por diferentes ciclos, alternando chefes de equipe, diretores técnicos e estratégias esportivas. Stefano Domenicali, Marco Mattiacci, Maurizio Arrivabene, Mattia Binotto e Frédéric Vasseur comandaram a equipe em menos de duas décadas, cada um implementando uma nova direção para um projeto que frequentemente era interrompido antes de amadurecer. Nem mesmo a chegada de pilotos como Fernando Alonso, Sebastian Vettel, Charles Leclerc e Lewis Hamilton foi suficiente para encerrar o jejum.
Os números ajudam a dimensionar o cenário. Em julho de 2026, o Brasil completa 24 anos sem conquistar uma Copa do Mundo. A Ferrari, por sua vez, chega a 19 anos sem vencer o Mundial de Pilotos e 18 sem conquistar o Campeonato de Construtores. Embora os contextos sejam diferentes, ambos enfrentam um desafio semelhante: transformar talento, tradição e investimentos em um projeto consistente, capaz de resistir à pressão por resultados imediatos.
A história mostra que tanto a Seleção Brasileira quanto a Ferrari continuam reunindo nomes de peso e elencos competitivos. O que ainda falta, porém, é a estabilidade necessária para que um planejamento tenha tempo de produzir resultados. Em modalidades onde o sucesso costuma ser fruto da continuidade, Brasil e Ferrari seguem tentando provar que, desta vez, o próximo recomeço pode, enfim, ser o definitivo.
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